Lobão narrando
Sou Leandro, conhecido como Lobão, dono do morro da Providência. Trinta e três anos de idade, a mente mais fria e calculista que tu vai conhecer. Não cheguei até aqui porque tive sorte, não, cheguei porque eu mesmo cavei meu espaço, derrubei quem tinha que derrubar e nunca tive pena de ninguém. Esse bagulho de amor, de apego, de família? Não é pra mim. Nunca foi.
Perdi pai e mãe ainda pivete. Fui criado na casa do meu tio, o mesmo que era dono desse morro aqui. Filho da put@, me fez comer o pão que o d***o amassou. Eu acordava com tapa, dormia ouvindo grito. Se errasse qualquer coisa, era surra. Eu cresci na marra, aprendendo que no mundo quem vacila apanha.
Apanhava de fio, chicote de couro e até ferro quente já leve, tenho marcas nas minhas costas até hoje.
Aos dezesseis anos, o jogo virou. Não aguentei mais ser saco de pancada, não aguentei mais viver como cachorro. Peguei a arma que ele deixava jogada e fuzilei ele sem pensar duas vezes. Frio. Sem dó. Foi a primeira vez que senti gosto de poder, de liberdade. E dali em diante, nunca mais parei. O morro era dele, mas virou meu. E desde aquele dia, ninguém mais mandou em mim.
Hoje, geral me conhece. Sou respeitado, temido e odiado na mesma medida. Frio e impiedoso. Quem mexe comigo ou com o Providência, não respira muito tempo. Aqui não tem espaço pra vacilão, e eu sou o tipo de cara que não dá segunda chance.
Minha vida? Fod@-se moral, fod@-se regra de gente de bem. Eu curto putari@, festa, farra e bocet@. Minha mansão vive cheia de mulher e dos cria. Aquilo lá é bagunça, gargalhada, bebida, pó na mesa e música alta a noite inteira. É a parte que geral vê, que geral acha que é minha casa. Mas não se engana, não.
Minha casa de verdade é outra. Lugar que ninguém conhece, ninguém entra. Nem os bico da contenção. Lá sou só eu, minhas armas, minhas paradas. Quem limpa sou eu, quem cuida sou eu. É meu território sagrado. Se eu boto alguém lá dentro, acabou, já não é mais meu. Por isso não boto. A mansão é pra farra, minha casa mesmo é só minha.
Na última sexta, bateu aquela vontade de fazer um corre diferente. Chamei umas mina do Job. Quem arrumou foi o Paulinho, disse que vinha só qualidade, nível alto. Já fui direto, queria diversão pra mim e pros parceiros. Eu pago, eu mando, e a ordem era meter dança a noite toda.
Quando elas chegaram, já senti a energia mudar. Era mulher pra tudo que é gosto: loira, ruiva, morena clara, umas mais cheias, outras magras. Geral animada, rindo, bebendo. Mas no meio delas, tinha uma, put@ que pariu, mano. Uma morena de parar o baile. Gata do caralh0. Pele lisa, cabelo liso até a cintura, tatuagem no braço, olhar que parecia me atravessar.
Eu pensei: essa daí vai ser minha, E foi. Geral ali costuma trocar as mina, dois pegam uma, às vezes até três num quarto só. Mas com ela não deu, mano. Era só ela. Eu nem quis saber das outras. O jeito que ela se movia, como rebolava, parecia que tinha nascido pra aquilo. Ela me enlouqueceu. Passei a noite inteira só nela.
Nem percebi quando o resto foi se espalhando. Eu só via aquele corpo colado no meu, aquele olhar marrom que me queimava por dentro. Foi fod@, de verdade. E não é qualquer uma que me deixa assim, não. Normalmente eu goz0, mando vazar e pronto. Mas dessa vez eu quis mais.
Amanheceu e, como combinado, as mina juntaram as coisas e sumiram. Vida que segue. Eu desci pra varanda, peguei meu whisky e fiquei ali curtindo a brisa, pensando no quanto aquela morena tinha mexido comigo. Não no coração, que isso eu não tenho, mas na mente. E comigo, isso é raro.
A paz durou pouco. Ainda era cedo quando o Doca desceu do quarto put0 da vida.
Doca: Caralh0, Lobão, sumiu meu celular.
Lobão: Tá de caô?
Doca: Juro, mano! Eu deixei carregando na sala, fui dar um tapa lá em cima, quando desci, sumiu.
Lobão: Tu tava noiado, doidão. Vai ver esqueceu onde botou.
Doca: Esqueci não, chefe. Eu sei onde botei. E sumiu.
Já fiquei na pilha. Aqui no morro, ladrãozinho interno não tem vez. Se roubou, morre. E como foi depois da putari@, a primeira suspeita foi óbvia: alguma das mina do Job.
Paulinho subiu com cara de preocupado.
Paulinho: Chefe, fiquei sabendo de um bagulho aí.
Lobão: Fala logo, porr@.
Paulinho: Uma das mina que veio ontem é filha de polícia.
Lobão: Tu tá tirando?
Paulinho: Tô falando sério. Ela fez casinha em outra quebrada, chega assim como put@ e bota os cana na fita.
Lobão: Tu sabe qual delas é?
Paulinho: Não tenho certeza. Só sei que aquela que subiu com o Senhor, foi a primeira vez dela por aqui, eu acho que é ela.
Foi aí que o estômago embrulhou. Put@ merd@, será? A única mina que eu nunca tinha visto por aqui antes era ela mesmo. A mesma que ficou comigo a noite inteira.
Lobão: Qual o nome dela, alguém sabe?
Doca: Disseram que é Emily, a loirona ficou até bolada, dizendo o tempo todo que a Emily ficou com o Chefe.
Na hora, senti o sangue ferver. Emily. A morena linda do caralh0. Só podia ser ela. De todas as put@, justo a que mexeu comigo tinha que ser a X9?
Eu apertei o copo de whisky tão forte que quase quebrei. Se confirmasse, ela ia conhecer o verdadeiro Lobão. Aqui, dedo-duro não vive. Se roubou, se traiu, se escondeu informação, não passa nem mais um nascer do sol.
Olhei pra geral na sala, que ainda ria sem saber da merd@ que tinha estourado. Mas por dentro, eu já tava decidido, eu ia encontrar essa piranh@. E quando eu encontrasse, ia mostrar bem direitinho o que eu faço com X9.