Douglas olhou para Agatha, sério, mas com suavidade:
— Sua mãe… como ela está?
Os olhos dela marejaram, e a voz saiu quase em um sussurro:
— Eu comprei os remédios… mas ela está muito doente.
Douglas respirou fundo:
— Posso vê-la?
Agatha hesitou, mas logo acenou:
— Sim, senhor. Entre.
Eles caminharam até a humilde casa. Apesar de pequena, tudo estava organizado, limpo e cuidado com carinho. Douglas notou cada detalhe, sentindo o contraste entre aquele mundo simples e o luxo do dele.
No quarto, Rute estava deitada, descansando. Agatha abriu a porta, chamando:
— Mãe, tem um amigo meu que quer te ver.
— Claro, filha. — A mãe sorriu, frágil, mas calorosa.
Douglas entrou, cumprimentando com delicadeza:
— Boa tarde, senhora. Eu sou Douglas, amigo da sua filha.
Rute o olhou, surpresa, mas o sorriso não tardou:
— Boa tarde, meu filho. Você é quem ajudou minha filha com o dinheiro para os remédios?
Douglas assentiu, firme:
— Sim, senhora. Ajudei sim.
O sorriso da mãe de Agatha se abriu ainda mais, caloroso e emocionado.
— Eu fico feliz… minha menina é muito boa. Luta tentando cuidar de mim, largou a faculdade para me ajudar… ela é tudo que eu tenho.
Douglas olhou para Agatha, um misto de respeito e admiração em seu olhar.
Agatha, percebendo que sua mãe estava cansada, falou suavemente:
— Mamãe, a senhora precisa descansar, tá?
— Sim, filha. Vou dormir um pouco. E… Douglas, muito obrigada pela visita.
— De nada, senhora. — Ele sorriu, educado, e se retirou do quarto com Agatha.
Assim que fecharam a porta, Agatha respirou fundo e disse, um pouco aliviada:
— Obrigada por não entrar em detalhes com minha mãe… ela não pode saber que eu fiquei com você, tá?
Douglas sorriu, tranquilo:
— Eu nunca contaria a ninguém.
— Você acredita em mim que realmente era minha primeira vez? — perguntou ela, meio envergonhada.
— Sim. — Ele respondeu com sinceridade. — E bom, a cama estava suja, mais me diz porque você saiu rápido e nao se despediu de mim ?
Agatha corou, desviando o olhar:
— Eu precisava, senhor… tinha que vir ver minha mãe. E… não queria atrapalhar mais.
Douglas deu um leve sorriso, admirando a determinação e a delicadeza dela. Mesmo naquela situação delicada, ele sentiu algo profundo despertar — a vontade de protegê-la, de cuidar dela, e talvez algo mais, que nem ele mesmo queria admitir ainda.
Douglas caminhava lentamente ao lado de Agatha, mantendo o silêncio por alguns segundos, absorvendo tudo ao redor. Então, finalmente, perguntou:
— Você fazia faculdade de quê?
Agatha suspirou, baixando o olhar, a voz carregada de lembranças:
— De enfermagem… faltam só dois anos pra eu terminar. Mas tranquei… minha mãe ficou muito doente, e eu não podia deixá-la sozinha.
Douglas assentiu, absorvendo cada palavra, sentindo o peso da vida dela. Ele percebeu a força que havia na fragilidade dela.
— Você não tem família? — perguntou, cuidadoso, sem julgamento.
— Tenho sim… mas eles têm a vida deles. — Ela fez uma pausa, tentando encontrar as palavras certas. — A irmã da minha mãe até ajudava no começo, mas depois disse que estava difícil e parou de ajudar. Eles têm condições, mas… tudo bem, eu entendi. Tenho uns primos que também têm dinheiro, mas… bom, todo mundo meio que só vive o mundo deles, sabe? Meu pai nos deixou quando eu era pequena, então ficou só nós duas.
Douglas permaneceu em silêncio, processando cada detalhe. Havia uma história de abandono, luta e sacrifício, e ele sentiu um aperto no peito. Agatha não era apenas uma jovem em apuros; ela era alguém que carregava uma vida inteira de responsabilidades nas costas, alguém que lutava sozinha por amor.
Ele olhou para ela, desta vez com um olhar diferente: mais atento, mais cuidadoso. A forma como ela se expressava, a sinceridade na voz e nos olhos, o jeito de tentar proteger a mãe mesmo em meio ao desespero… tudo isso despertava algo profundo nele.
— Você é… muito corajosa, Agatha. — Douglas disse, com a voz baixa, mas firme. — Muitas pessoas teriam desistido há muito tempo.
Ela desviou o olhar, meio envergonhada.
— Eu não tive escolha, senhor. Eu só… só queria cuidar da minha mãe.
Douglas sorriu levemente, quase sem perceber, admirando cada detalhe dela.
— E está fazendo isso muito bem. — Ele disse, com sinceridade. — Eu vou garantir que você não precise mais se expor assim… que você não fique sozinha nesse mundo.
Agatha respirou fundo, sentindo uma mistura de alívio, medo e algo mais que ela ainda não conseguia nomear.
Douglas sabia, naquele instante, que aquela conexão entre eles não seria apenas uma questão de desejo ou atração. Havia algo mais profundo, algo que o faria ir atrás dela e protegê-la de qualquer perigo, fosse ele humano ou da própria vida.
Agatha respirou fundo, os olhos marejados de emoção e vergonha.
— Eu… só não quero que você pense m*l de mim sobre a forma pela qual eu recebi dinheiro de você — disse ela, a voz baixa e hesitante. — Eu nunca pensei em me vender ou algo do tipo… mas eu estava muito desesperada naquele dia.
Douglas a observou atentamente, vendo a sinceridade pura em cada palavra. Ele se aproximou lentamente, mantendo uma distância respeitosa, mas firme.
— Agatha… — começou ele, com a voz calma, mas carregada de autoridade — eu não penso nada de m*l. Eu sei o que você passou. Eu vi a sua luta, o que você fez por sua mãe… e isso não tem nada a ver com quem você é.
Ela piscou, surpresa com a compreensão e a paciência dele.
— Sério? — murmurou, quase incrédula.
— Sério. — Douglas respondeu com firmeza, quase sorrindo. — Eu sei a diferença entre desespero e escolha. E você… você nunca escolheu se colocar em risco por interesse próprio. Você fez isso por amor.
Agatha baixou a cabeça, sentindo uma mistura de alívio e algo que ela não conseguia nomear. Pela primeira vez em muito tempo, sentiu que alguém a entendia, alguém que não a julgava, alguém que realmente se importava com ela e com sua vida.
Douglas deu um passo atrás, ainda mantendo o olhar firme nela, permitindo que ela respirasse e processasse suas palavras. Havia uma tensão silenciosa no ar — algo que ia além do respeito, algo carregado de curiosidade e atração. Mas, acima de tudo, havia cuidado.
— Você é mais forte do que pensa, Agatha — disse ele por fim, com suavidade. — E eu vou garantir que ninguém mais vá te colocar em perigo.
Agatha sentiu o coração acelerar, uma mistura de medo, gratidão e algo novo — uma sensação de que, finalmente, ela não estava sozinha.