Capítulo 28

1987 Palavras

O dia arrastava-se num silêncio cortante dentro da casa. Dante estava trancado no escritório desde cedo. O relógio marcava quase meio-dia e o ar ali dentro parecia pesado demais, sufocante. Documentos espalhados sobre a mesa, o notebook aberto, várias janelas piscando — mas nada, absolutamente nada, conseguia prender a atenção dele. A cada cinco minutos, os olhos se desviavam pra porta. Pensava se Elisa ainda estava trancada no quarto. Se tinha comido. Se estava chorando. Pensava e odiava pensar. Resmungou baixo, coçando a têmpora, tentando se concentrar nas planilhas abertas. Clara estava ali também, sentada na poltrona em frente à mesa, organizando relatórios e checando agendas. O salto fino batia no piso de mármore num ritmo irritante, o som seco ecoando no espaço. Dante suspirou

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