Chegaram à garagem enorme, organizada, piso de epóxi brilhante e logo ao fundo estava o carro de Jorge. Um daqueles modelos absurdamente caros, com pintura que parecia líquida, faróis agressivos, rodas enormes. Um carro que por si só já gritava “eu tenho mais dinheiro do que juízo”. O alarme deu dois bipes quando Jorge destravou o veículo. — Tá vendo? — ele disse, abrindo o porta-malas para jogar uma mochila. — Espírito pobre não dirige isso aqui, não. Dante assobiou, impressionado. — c*****o, pai… é novo? — chegou mais perto, passando a mão sem tocar na lataria. — Parece que saiu da concessionária ontem. — Tira o olho do meu carro — Jorge respondeu na hora, apontando o dedo. — Nem chegou perto e eu já tô me irritando. — Drama pra quê? — Dante ergueu a sobrancelha com deboche. — Vai

