Dante fechou a porta do quarto devagar, como se o som pudesse acordar fantasmas. E, de certo modo, acordou. O ambiente parecia menor, abafado. As cortinas meio abertas deixavam passar uma nesga de luz fria, que caía sobre a cama, agora com lençóis limpos, mas que ainda pareciam carregar algo. Ele ficou parado por um tempo, só observando. Na memória, o corpo dela ainda estava ali. O olhar perdido. A respiração rápida. A voz cortante. Ele passou as mãos pelo rosto, tentando afastar as imagens, mas quanto mais tentava, mais elas vinham. Elisa dizendo que não foi como ela queria. Que foi horrível. E ele, sem reação, só olhando. Se jogou na cama, os braços abertos, olhando pro teto. O lençol cheirava a sabão, mas ele ainda jurava sentir o perfume dela. Ou talvez fosse o que restava na

