Capítulo 5 - Suspeitas

1014 Palavras
Corri apressada pelo o corredor. Bati na porta duas vezes e não demorou muito para ela ser aberta por David. Assim que estou dentro, percebo Dylan lambendo as feridas no canto do quarto. David passou por mim apressado, indo até ele. O moreno rugia enquanto o amigo pressionava a mão no lugar de um ferimento em seu braço. Limpei a garganta, pronta para jogar um lindo “eu te avisei” em sua bela cara, quando ele se adiantou, adivinhando meus pensamentos: — É melhor guardar sua piadas para si mesma. – Ele avisou, com um olhar sério. David riu, enxaguando o pano manchado de sangue. — Não tenho medo de nada, da sua arrogância muito menos — me aproximei do seu equipamento jogado na cama, procurando por alguma pista com os olhos. — Tem mais alguma ajuda extraordinária que queira me dar? — Pelo o que estou vendo, você não voltou de mãos vazias — encaro um pedaço de um colar de ouro quebrado, e sujo de terra. — Que estranho... — O quê? – David perguntou. — Nos arquivos diziam que revistaram o lugar, interessante não terem achado algo tão notável quanto uma jóia dessas, fora o fato de que não lembro de vê-la usando isso na gravação do vídeo de segurança – o ouro brilhava nas pontas dos meus dedos. — Ele disse que achou próximo ao armazém, não foi onde vocês viram ela na gravação? — Deve ter sido prova implantada para enganar alguém, é óbvio. – O jogo de volta na cama. — E já tenho meu suspeito. — Isso é ridículo – Dylan se ergue da cadeira, trocando sua camisa por outra. — Quem? – o loiro bufou. O moreno apenas deu de ombros, seguindo até o banheiro. — Acredito que Eduard pode estar dificultando nossas buscas, Tobias e ele podem ter se desentendido. — Por que acha isso? – cruzou os braços vindo até mim. — Somos melhores do que isso, uma pista falsa e outra provavelmente implantada – acenei para o objeto na cama. — Tobias e Eduard se bicam quase sempre por causa de ciúmes, mesmo que mantendo a consideração por causa da Helena. De repente quando algo sério como isso acontece, o máximo que Tobias faz é mandar apenas Dylan numa missão de reconhecimento e sem a ajuda da equipe. Ele mesmo pode estar desconfiado de Eduard. O silêncio se estabeleceu, os olhos de David grudaram-se aos meus, a boca entreaberta. Ele parecia surpreso com minha análise sobre minha suspeita, mas pelo menos ele não descartou a ideia sem ao menos me ouvir, como um certo carrancudo fez. O mesmo voltava para o quarto em silêncio. Caminha até a cama, recolhendo algumas armas, trocando a munição. — O que realmente aconteceu lá? — questionei. E depois de me ignorar por um tempo, ele finalmente respondeu-me. — Dois homens estavam disfarçados, fingiam que trabalhavam no armazem, eles notaram o que fui fazer e atacaram, mas consegui despistá-los. — Põe de volta um coldre de ombro, e outro de coxa, sem sequer me olhar na cara. — Não deu para identificar os rostos, mas eram americanos. — Parabéns pela descoberta, gênio. Os americanos trabalham para Eduard! – debochei, e ele me olhou torto mais uma vez. — Se Eduard deu mesmo uma pista falsa sobre Helena, não faz sentido o motivo ser os desentendimentos que já teve com Tobias, e nunca soube de um m*l entendido que fosse tão sério para chegar à esse ponto. — David refletiu. — Quer dizer, a segurança dela devia ser mais importante que qualquer rivalidade entre eles! — Não sabemos tudo sobre eles, eles é quem sabe tudo sobre a gente. Somos apenas soldados! Pode haver mais alguma coisa que a gente não saiba – conclui, dando de ombros. — Já chega, isso é ridículo! – Dylan se estressou. — Se quer defender seu primo vá enfrente, mas ninguém é obrigado a seguir tudo o que você diz cegamente. – Ele deu passos duros se aproximando de mim, com uma expressão fria e dura. Eduard era seu primo, mas ele abandonou o que restou de sua família, que agora fazia parte da máfia americana e esse era o motivo para ter desertado. As brigas entre os mafiosos foi o que levou seus pais e seu irmão à morte. Eduard era o único que ele respeitava, pois o mesmo sempre procurou fazer o certo. Mas ainda sim, não era de confiança. — Eu dei minha opinião e expliquei o porquê. Esses arquivos que consegui são inúteis sem ter um ponto de partida íntegro. Já que insiste que a missão é sua, por que não vai até Tobias e resolve essas questões em aberto? — Você é irritante, Katherine... — rugiu entre dentes, mas eu interrompi suas declarações de "amor". — Não se preocupe, não vou perder meu tempo tentando mudar sua opinião, ela não importa pra mim mais do que descobrir onde está Helena e por que a levaram! – dei um passo para trás, mantendo minha posição firme. — Você não está considerando nem um por cento da suspeita? — David questionou o amigo, e o moreno apenas continua com suas orbes quentes como o fogo do inferno em minha direção. Finalmente aquele contato visual é quebrado. Observo as costas do moreno se distanciarem, com os músculos tensionados. Eu imagino que ele tenha receio de eu estar certa. — Mesmo que discartemos essa hipótese, como vamos descobrir o caminho certo para resolvermos esse mistério e recuperar a Helena? — David volta a questionar. — “Dylan, David, Katherine, Lilian, Buck, e Mathew, solicito a presença de vocês na sala de reuniões em cinco minutos.” — Um aviso rápido e claro, sai da caixinha de som no recanto da parede. A voz de Tobias ainda soava sobre meus ouvidos, quando despertei do transe. — Será que finalmente ele contará para o resto da equipe a notícia sobre Helena? – me adianto indo até a porta. — Não sei o que pensar — David me acompanha, com um carrancudo atrás dele.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR