— Querido diário...
Suspirei. Olhei para o que havia escrito e entortei os lábios em uma careta constrangedora. Eu tinha vergonha de mim mesma naquele momento em que coloquei tais palavras em um papel em branco que estava sendo usado pela primeira vez.
— Será que devo começar assim? — Questionei cínica enquanto batia a ponta do lápis no canto da boca. — O que acha Brad? — Perguntava retoricamente.
Por cima do ombro, olhava Bradley deitado do meu lado. Até roncava. Seu corpo latino e da cor do pecado, coberto apenas por um lençol branco em cima do quadril dando para notar a marca de sunga que tinha e uma leve trilha de pelos que ligava o umbigo até seu... Enfim.
— Qual é? Pensei que fosse mais divertido que isso... — Claro que ele não iria me responder. Estava dopado.
Para falar a verdade ele era gostoso. Eu vi com meus próprios olhos. Mesmo não transando com o garoto, tive que averiguar certas partes assim que o despi para simular um sexo falso.
O que foi? Ninguém mandou provocar a onça.
— Continuando... — Me pus a escrever.
"Eu sabia que precisava de um confidente enquanto não encontrava melhores amigas. Os dias aqui m*l começaram e já estão conturbados. Jason é um pé no saco e seu amigo gostoso continua gostoso sem eu ao menos tocar nele. É... Acho que por enquanto não tenho muito o que escrever.
— PRESO?! — Minha tia gritou. — FIANÇA? CARRO QUEBRADO?! — Continuou a gritar.
— Lacre? — Disse a mim mesma com um sorriso sacana nos lábios, a b***a empinada e a unha sendo lixada.
— SEU INCONSEQUENTE!? VOCÊ SÓ ME APRONTA ESSAS, JASON!? EU VOU AÍ TE BUSCAR AGORA, VOU PAGAR ESSA FIANÇA, MAS VOCÊ VAI ME PAGAR COM JUROS, OUVIU?! — E do quarto deu para ouvir a pancada do telefone no gancho.
— Ariana 2, Jason 1. — Me levantei. — Mas, quem está contando? Você está, Brad? — E ele me respondeu com um ronco, virando de lado, abraçando o travesseiro e deixando aquela b***a bem redonda e malhada exposta, doida para levar um tapa. — Foi o que pensei. — Dei de ombros.
Eu tinha o que fazer. Aproveitei quase todos fora da pensão e tomei uma boa ducha demorada lavando os meus pecados durante o processo. Nua no quarto, nem tive o perigo do Brad me encarar. Me arrumei e coloquei meu allstar de cano longo, saia jeans preta e uma camiseta regata branca, além de outra de manga longa enrolada na cintura dando mais definição no meu quadril fino.
Hoje era meu último dia antes de começar as aulas.
Em seguida, fui a cozinha tomar o meu café.
Enquanto como meu pãozinho, vou contar o que aconteceu. Jason saiu com a namorada e a deixou em casa. Na volta, sentiu uma alteração e viu tudo turvo. Ainda mais quando a sirene da polícia vinha por trás em uma perseguição que o levou até um poste e quase o derrubou. Os airbags conseguiram amortecer o impacto, teve ferimentos leve e alguns arranhões, mas o carro teve a lataria danificada. Eu não diria uma perda total, porém, teria de pagar uns 500 dólares para concertar, fora a multa de U$ 420,00.
Ele entrou furioso. A porta se escancarou com rapidez e nem rangeu. Jason foi na frente e minha tia atrás resmungando. A ressaca acabava com ele, porém, a raiva o consumia mais ainda. Nem percebeu que eu estava sentada na cozinha e seguiu na direção do meu quarto. Por sorte, ou, azar, Brad havia acordado e se levantou no exato momento em que meu primo chutou a porta e a escancarou.
A cena foi linda. Vocês podem imaginar, não é?
— MAS QUE PORRA...?! — Jason ao vê-lo nu, virou o rosto imediatamente.
— Opa, foi m*l, man! — Brad riu, pegou o lençol e se cobriu. — Pronto, pode virar.
— Foi m*l?! Foi PÉSSIMO! p**a que pariu, Bradley! Eu estava numa fria e você comendo minha prima? — Berrou.
— Ué... Do que ta faland... — A ficha caiu quando Brad olhou envolta e percebeu estar no meu quarto. Claro que ele não lembrava de nada, porém, sempre que bebia era assim e escutava pelos outros o que fizera no dia anterior e apenas acreditava, porém, pressupôs que sim. — Mas, onde você estava? — Perguntou.
— Aquela vagabunda me dopou! — Dizia Jason aos gritos.
— Como tem certeza disso? Ela nem encostou em você ontem na festa. — Respondia Brad.
— Agora está defendendo ela?! Você nem a conhece! — Continuou.
— Sua namorada é outra cara! — Brad repreendeu. — Não venha com DR para cima de mim, não rola. Vá descansar, esfria essa cabeça...
— f**a-se! Cadê ela? — Jason interrompeu, virou as costas e seguiu.
— Jay! — Brad deixou a toalha cair e segurou seu pulso. — Calma, p***a! Não vá fazer besteira, eu te conheço. Ainda mais na situação que você está. — Respirou fundo e o soltou. — Ok, Ok... Digamos que ela de fato te dopou e arquitetou tudo. Como vai provar? Cair na dela e meter os pés pelas mãos é a última coisa que deve fazer. Respira, pensa e aja! Não vai cagar no p*u agora né? — Ele resmungou.
— Certo. — Seco, mordeu o lábio inferior e bufou feito uma locomotiva inteira soltando fumaça pela chaminé. — Você tem razão! — Jason chutou a porta e deu um soco que ecoou o barulho.
— QUE p***a É ESSA AI EM CIMA, SEUS VÂNDALOS?! — Gritou tia flor ao ouvir o barulho.
— Nada não, tia flor! Foi m*l, eu tropecei! — Brad cobriu o amigo e o repreendeu com o olhar.
— f**k! — Jason rangeu os dentes. — Ok! — Desistiu. — Agora vá se vestir e sai daqui, não quero você de rolo com aquela cobra! — E antes de ouvir uma resposta, Jason entrou no quarto de frente ao meu.
Que não fazia ideia de que era onde ele dormia.
Brad suspirou, sentou-se na cama e a fez balançar com seu peso.
— Porra... — Passou a mão no rosto aliviado e depois fez uma feição triste. — Pior que nem lembro como a mina transou. — E se jogou deitado de braços abertos.
Bem, o que falar desse domingo? Como na vida real, no livro também não tem muito o que contar. Assim que Jason chegou, tomou um banho e foi dormir de cabeça quente durante o dia inteiro e só acordou na hora do almoço. Bradley logo foi embora de mansinho para evitar o m*l humor da minha tia. Eu ajudei prestativa nos afazeres do lar, pois, tudo tinha um preço. Confesso que foi um tanto tedioso, mas, pior seria se não tivesse feito nada. Na hora do almoço, Jason nem sequer me olhou nos olhos, quer dizer... As fuziladas não contam né? Percebi o clima pesado. Aliás, todos perceberam, mas, ninguém comentou nada, acho que não era propício.
Não n**o, fiquei apreensiva. Medo? Não exatamente. Eu apenas fiquei alerta. Paranoica? Um pouco. Vai que um piano caísse na minha cabeça, ou eu pisasse num chão falso e ativasse uma bomba? Sim, eu estava nesse estado. A qualquer momento eu sabia que ele ia planejar algo e eu seria pega de surpresa. Era horrível ficar naquela sensação agonizante . Talvez eu tivesse pegado um pouquiiiiiiiinho pesado com ele.
Enfim, agora, era questão de esperar e seguir o baile.