MAJU NARRANDO O som daquele tiro na laje ainda rebentava nos meus ouvidos. O calor do "micro-ondas" parecia estar grudado na minha pele, e as palavras do Thiago — "Vaza antes que eu me arrependa" — eram a única coisa que eu conseguia ouvir. Eu desci o morro correndo, tropeçando, com o coração parecendo um bicho acuado tentando escapar do peito. Assim que meti os pés dentro de casa, bati a porta com tanta força que os vidros tremeram. Meus dedos, gelados e trêmulos, lutavam contra a chave, girando a fechadura uma, duas, três vezes. — Ele vai vir... ele vai mudar de ideia e vai vir me matar — eu balbuciava, o pânico tomando conta de cada célula do meu corpo. Eu não era mais a "patroa" que tinha decorado aquela casa com carinho. Eu era uma presa. Olhei para aquela sala linda, com os móvei

