RODRIGO NARRANDO O mundo pareceu girar em câmera lenta no exato momento em que aquela figura dobrou a esquina da rua principal. Eu estava ali, com o fuzil a tiracolo, sentindo o peso da autoridade que o Gadernal tinha me dado, quando meus olhos bateram nela. Maria Júlia. O impacto foi como um tiro de escopeta no meio do meu peito. A minha boca ficou seca instantaneamente, senti o sangue fugir do rosto e um gosto de bile subiu pela garganta. Por um segundo, meu cérebro de policial treinado entrou em curto. Eu não estava vendo um fantasma; eu estava vendo a realidade mais sórdida e humilhante da minha vida se materializando na minha frente. "Não... não pode ser", eu pensava, enquanto minhas mãos apertavam o cano do bico com tanta força que os nós dos meus dedos ficaram brancos. Então era

