A manhã não podia estar melhor, o dia estava nublado e gostoso de se aproveitar, John me fez uma surpresa me trazendo novamente ao Parque Belleville, lembro quando ele disse ser o seu lugar favorito, sinto agora que é o nosso lugar favorito.
Enquanto comíamos queijo e admirávamos a linda paisagem do mirante, comecei a pensar que a princípio meu objetivo era puramente profissional, não tinha expectativas para aquilo que enfrentaria, apenas carregava a certeza de poder orgulhar a minha família e conhecer um país novo que, sempre fez parte dos meus sonhos. Além de cumprir tudo o que esperava, vivi momentos inimagináveis.
— John? Quando você soube que estava apaixonado por mim? Porque analisando bem nossa história, eu fui uma tremenda chata.
— Devo concordar com você. Logo de cara eu não gostava de você, penso que foi sua petulância e a rapidez em falar coisas com as quais eu não poderia responder à altura, isso com toda certeza foi a parte mais intrigante.
— Você agia de uma maneira tão bipolar, era difícil saber suas reações, parecia sempre um jogo.
— É exatamente como eu me sentia em relação a você, parecia que tudo o que eu falasse seria um motivo para uma resposta defensiva, tentei fazer o melhor com o que eu tinha. Foi aí que… — ele começou a rir.
— Foi aí que, o quê?
— No dia que você disse que ia para o Brasil, eu cheguei em casa devastado e extremamente irritado, Jasmine ficou sem entender e quase me bateu, eu não parava de falar m*l de você “ela não pode ir embora da França, e tudo que a gente está construindo junto? Vai para o ralo?” Só lembro dela gritando “John, você está maluco? Você não fala coisas assim! E ela vai ficar uma semana no Brasil! Isso só pode ser amor”. Eu neguei até morrer, mas, no fundo, meu coração explodia por saber que era a verdade mais absoluta de todos os tempos. O resto você já sabe, algemei toda a minha família e os obriguei a irem para o Brasil também.
— HAHAHA, queria tanto ter visto esta cena!
— Vai por mim, você não ia querer não. E você? Como soube que estava apaixonada por mim?
— Foi um conflito, mas acho que tive certeza quando eu não parava de pensar no maldito bolinho de chocolate, na verdade, eu não parava de pensar em quem me deu o bolinho, claro. Mesmo assim, como você, neguei até morrer, nunca soube como me portar perto de você, eu tinha medo, simplesmente medo.
— Caraca, aquele bolinho foi uma sobra do kit que a minha mãe tinha comprado pro café da manhã, meus parabéns bolinho! Sou grato a ele.
— Adoro seu romantismo, pensando em cada detalhe!
— Fazer o quê? Nunca errei!
— E deve ser por isso que eu te amo.
— Eu te amo e espero poder fazer isso para sempre, em cada segundo que eu respirar.
FIM