Capítulo 06 - Definitivamente… Uma noite inesquecível!

1311 Palavras
Manu Já passava algumas horas que esperávamos, com meu irmão jogado numa maca, de repente ele começa a tossir, se contorcer e vomitar sangue, me deixando desesperada. Um médico e uma enfermeira aparecem e levam ele pra uma sala e um tempo depois ele volta pra dar informação sobre o estado do meu irmão e eu tive muito medo dele dizer que ele está morto. — Como meu irmão está doutor? — Pergunto tentando segurar o nervosismo. — O paciente teve uma hemorragia, devido ao espancamento que sofreu, mas não temos como ter certeza da gravidade. Precisamos fazer exames que infelizmente não estão disponíveis no momento. Eu aconselho a vocês levarem ele para outro hospital urgente, de preferência particular, já que o caso parece grave. — Eu não tenho condições para fazer isso, doutor. Eu falo desesperada sem saber o que fazer. Eu não queria deixar o meu irmão morrer, ele é a única família que eu tenho. — Manu, por favor, me deixe te ajudar. — Julio fala com aquele jeito prestativo dele. Eu sento numa cadeira e cubro meu rosto com as mãos tentando não mostrar meu desespero. Nesse momento Safira entra no hospital, um pouco atordoada, porque Júlio tinha chamado ela. — Amiga, como você está? — Eu não consegui responder, apenas Júlio conta os detalhes e diz que pode ajudar e que eu estou sendo, orgulhosa. — Pelo amor de Deus, Manu. Isso não é hora de ser orgulhosa ou humilde, aceite. Julio só quer te ajudar, pensa no seu irmão. Não é você que diz que ele é sua única família? Ela me encurrala, me julgando e eu tenho vontade de sair correndo, enquanto Julio me olha com aquela cara de bom moço, mas eu não confio mais nele, no fundo eu sabia que ele ia cobrar e como ele ia fazer isso. — Tudo bem, Júlio, eu vou aceitar, mas eu vou lhe pagar e você vai aceitar o dinheiro como pagamento. — Ele me olha desconfiado e Safira nos encara sem entender. — Tudo bem, Manu. — Ele responde quase sussurrando. Providenciamos a transferência dele e o levamos para uma clínica particular. Depois de duas horas de exames, um médico se aproxima e diz: — Ele está com um órgão perfurado, mas vai precisar de uma cirurgia para controlar a hemorragia, por enquanto ele está estável e o quanto antes fizer a cirurgia melhor. — Eu fico aliviada com a situação, mas preocupada porque sei que vai ser bem caro. — Eu vou resolver tudo, Manu, você pode ficar aliviada. — Ele fala e eu apenas fico olhando sem conseguir responder nada. *** Depois de seis horas Arthur já tinha sido operado e o médico disse que ele precisava fazer repouso absoluto, mas que ia ficar bem. Depois de passar a noite no hospital, deixei Arthur na UTI, já que ele ainda ia ficar algumas horas lá e resolvi ir em casa, descansar um pouco, tomar um banho e pensar no que eu ia fazer com a minha vida. E quando vou saindo encontro Júlio na recepção do hospital e parecia que ele estava me esperando e quando me vê levanta e vem falar comigo. — Manu, eu posso falar com você? — Julio, eu estou muito cansada, exausta mesmo, não tenho o que conversar com você agora. — Manu, eu posso te levar pra casa e no caminho nós conversamos. — Não Julio, eu… — Por favor, Manu, é só uma carona. Eu quis protestar, mas confesso que eu estou exausta mesmo e até minha casa é um pouco longe. Assenti com a cabeça e seguimos até o estacionamento em silêncio, mas no caminho ele começa a falar. — Manu desculpa, por ontem, acho que perdi a cabeça, eu sempre gostei de você e acabei passando dos limites. — Julio, eu não quero falar sobre isso. — Não quero que o que aconteceu ou não aconteceu atrapalhe nossa relação, amizade… É sério que ele acha que temos alguma coisa mesmo e o fato dele quase me estuprar, não alterou a nossa amizade? Naquele momento eu tive tanta vontade de gritar e dizer o quanto ele era um idiot@ e que nunca mais ele ia encostar em mim, mas lembrei do meu irmão e que ele está naquele hospital por conta dele. Eu tive que aprender desde cedo a ser mais racional e essa é uma hora que eu tenho que esquecer tudo de rüim que estava passando na minha cabeça e o como eu estou me sentindo m*l. — Como eu te disse antes, Julio, eu estou exausta e agora não consigo pensar direito, preciso dormir, Julio. E sobre o que você fez para o meu irmão, eu juro que eu vou pagar, o mais rápido possível. — Não precisa se preocupar com isso, somos amigos e sei que depois que tudo isso passar você vai me desculpar e vai me dar uma nova chance. Eu juro que vou fazer diferente, eu prometo, Manu. O idota vem se aproximando e tenta me beijar, e eu tenho vontade de cuspir na cara dele, mas apenas viro o rosto e saio do carro sem falar nada. Entro em casa e o sangue do meu irmão está derramado no chão da sala e fecho os olhos e lembro do Arthur, quase morto naquele chão, totalmente espancado e por muito pouco eu não sou uma pessoa totalmente sozinha, sem ninguém no mundo. Tento enxugar as lagrimas e quando olho para o sofá lembro que por muito pouco eu não perdi minha virgindade daquele jeito… Na verdade eu acho que ia ser estupro, porque eu não queria mais e ele ia até o fim se meu irmão não tivesse entrado daquele jeito. Tudo aquilo passa na minha mente, e meu corpo desmorona e eu arriei no chão, e não consegui segurar as lágrimas e choro compulsivamente, até meu cansaço me vencer e eu adormecer ali deitada no chão. Acordo algumas horas depois, vou limpar a sala e em seguida tomar um banho, faço um lanche e vou me arrumar para voltar pro hospital. Quando eu chego lá, meu irmão está num quarto e encontro um dos homens que bateram nele eu fico em estado de choque, olho para o meu irmão que está aparentemente dormindo ou morto, eu não consigo identificar. Me aproximo dele e com as mãos muito trêmulas tento colocar em sua testa e o homem não tira os olhos de mim de um jeito cínico, com um sorriso diabólico nos lábios. — Tenha medo não gata, eu ainda não matei seu irmãozinho. — Ele diz com um jeito diabólico e sarcástico, que me dá nojo e medo ao mesmo tempo. Passo a mão nele, que tá quente e respirando e olho pra o homem e pergunto: — O que você quer com ele? Veio se certificar que ele estava morto? — Meu chefe quer o dinheiro que ele deve e não queremos ele morto ainda. Vim na verdade dar um recado a você… Vou te dar duas semanas para conseguir o meu dinheiro se não ele morre e você também, gatinha. Ele levanta e antes de sair dá um tapa no meu irmão que grita de dor e quando vê o cara, ele entra em pânico. Eu vou pra cima do meu irmão e chamo a enfermeira que tenta ajudá-lo e é preciso dar um sedativo a ele para acalmá-lo. Algum tempo depois, eu vejo que ele está dormindo e eu fico ao seu lado, segurando sua mão e olhando e pensando em tudo que aconteceu na últimas 24 horas. Uma vontade de rir e chorar ao mesmo tempo, toma conta de mim e penso no que a Safira me disse: “— Amiga, faça esse dia ser inesquecível.” Definitivamente, eu jamais vou esquecer esse dia! *** Coloquem nos favoritos e deixem vários comentários.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR