08.

1621 Palavras
João Carlos — Está tudo bem amor? — perguntei indo em direção a cozinha. — Está. — Bea disse. Sinto que ela esta mentindo, mas não vou insistir pra que ela me conte. Ela foi pra cozinha, pegou um copo e colocou água, ela ficou olhando pro chão, percebi o quanto ela estava distante. Então coloquei o meu corpo na frente dela, levantei levemente o seu queixo até que ela olhasse em meus olhos. — Você sabe que pode me contar se tiver algo de errado. — falei e ela apenas fez que sim com a cabaça. — Está tudo bem. Acho que estou um pouco ansiosa com o trabalho, só isso. — ela disse e tocou os meus ombros e depois passou os dois braços pelo meu pescoço e me abraçou. — Quer jantar fora? — perguntei. — Quero, pode ser naquele restaurante que a gente gosta de ir? — ela perguntou. — Claro que pode, vou fazer a reserva. — falei e dei um beijo na sua testa. Ela desfez o abraço e foi em direção ao nosso quarto. Fui até a mesa da sala aonde estava a flor. Percebi que havia um bilhete. Estava escrito: "para o meu pequeno lírio azul" — ass: V Peguei o meu celular e resolvi ligar para o Zeus, não sei quem mandou essas flores, mas com certeza isso deixou Beatriz assustada e insegura. Ligação on — Fala cara. — Zeus disse assim que atendeu. — Preciso de um favor seu. — falei. — Quando que você não precisa em? — ele perguntou rindo. — No que eu posso ajudar chefe? — Beatriz recebeu um buquê, e com certeza não foi ninguém que a gente conhece que mandou, eu preciso que você descubra pra mim. — falei. — Só me mandar o nome da floricultura. — ele disse. — Tudo bem, vou mandar. — falei. — Isso é uma investigação particular imagino. — ele disse. — É, ninguém pode saber, muito menos a Beatriz. — falei. — Tudo bem, estou aguardando o nome. — ele disse. — Ok. — falei. Ligação off Mandei o nome da floricultura e também o endereço da minha casa e o tipo das flores que foram compradas. Ouvi o barulho do chuveiro sendo desligado, coloquei as flores na mesma posição que estavam. Mandei mensagem pro restaurante e fiz uma reserva para dois. Fui pro quarto e a Beatriz saiu do banheiro enrolada em uma toalha, eu ainda estava procurando uma roupa. Ela colocou um vestido vermelho. — Fecha aqui pra mim. — Bea disse. Fechei o vestido e lhe dei um beijo no ombro dela. — Qual sapato você acha que vai ficar melhor? — ela perguntou. — Acho que o preto. — falei. — Ótima escolha. — ela disse e deu um beijo na minha bochecha. — Acho que vou colocar uma gravata pra combinar. — falei e ela deu uma risada. — Ui, você anda um homem muito amoroso, devo me preocupar? — ela perguntou rindo. — Tá com medo de casar comigo Biazinha. — falei e ela me olhou fazendo cara feia. Eu sei o quando ela odeia que chame ela de Biazinha. Acho que se ela pudesse me dava um soco na cara. — Você não me falou muito sobre o se futuro trabalho. — falei. — Eu começo segunda, se tudo der certo, eu posso ficar com a vaga. As crianças são fofas, aterrorizantes, mas fofas. — ela disse rindo. — E como vai as escolhas dos vestidos? — perguntei. — Conseguimos escolher, até mesmo a Mariane conseguiu, foi depois de 14 vestidos, mas escolheu. — ela disse rindo. — 14 vestidos? Como ela conseguiu? — perguntei rindo. — Eu também não sei, mas vindo da minha melhor amiga, pode se esperar tudo. — ela disse. Já estávamos arrumados, então fomos pro estacionamento, não demorou muito e chegamos no restaurante, não estava muito cheio, assim que chegamos tiramos o casaco e fomos pra nossa mesa. — Você vai me falar o que te deixou incomodada hoje mais cedo? — perguntei e ela revirou os olhos imediatamente. — Pensei que tivesse me ouvido falar que não foi nada demais. — ela disse e encarou a comida. — Beatriz, eu te conheço bem, sei quando está mentindo. — falei e ela me encarou. — Lírio azul é como minha avó me chamava João, acho que é a minha mãe tentando falar comigo. — ela disse e voltou a encarar a comida. — E por que sua mãe mandaria isso? Vocês duas estão brigadas? — perguntei. — Não foi uma briga, só uma divergência de opiniões. — ela disse. — E por favor não termina de estragar o meu dia, pedi pra jantar fora pra eu me sentir melhor, e não é o que está acontecendo. — Desculpa, não vou tocar mais nesse assunto. — falei e forcei um sorriso amigável. O restante do jantar ficamos em silêncio, acho que ela realmente ficou mais chateada do que eu esperava depois das perguntas que su fiz, o que me deixou meio m*l. Ela pediu uma sobremesa e depois foi ao banheiro. Na volta eu pedi a conta e fomos embora. Ela ficou em silêncio o caminho todo. Quando chegamos em casa ela tirou a roupa, não pediu ajuda pra abrir o zíper. — Bea, desculpa por ter te deixado chateada, é que as vezes eu fico com medo de alguém fazer algo com você. — falei enquanto ela estava no banheiro. — Tudo bem, vamos esquecer isso, amanhã é um novo dia. — ela disse assim que saiu do banheiro e me deu um beijo na ponta do nariz como sempre faz antes de dormir. Nos deitamos, sem série. Ela colocou a cabeça no meu braço, estava tão perto e ainda sim tão distante. Fiquei pensando nisso a noite inteira, até que o sono enfim apareceu e eu acabei apagando. O despertador tocou e eu acabei tomando um susto, olhei pro lado da cama e Beatriz dormia feito um anjo, levantei de vagar pra não acordar ela e então fui tomar o meu banho. Depois de já estar arrumado, tomei o meu café da manhã e deixei um recado na geladeira, como sempre fazemos. Depois fui pro escritório. Meu pai ainda não tinha chego, aproveitei pra passar no escritório do Zeus. — Fala ae chefe. — Zeus disse assim que me viu. — O que você achou? — perguntei encostando na mesa. — Nada demais, um rapaz foi quem fez o pedido, ele não parece ser ninguém perigoso. — ele disse. — Só isso? — perguntei. — Ele pode ter sido pago por alguém pra fazer o pedido sem levantar suspeita. — Zeus disse. — Tudo bem, descubra mais sobre ele. — falei e sai da sala dele. As contas não batiam, agora eu tenho certeza que tem muito mais nessa história do que só uma tentativa da mãe da Beatriz de reconciliação. Fui pra minha sala, Lucas estava lá, todo animado, amanhã é aniversário dele e ele está preparando a maior festa da cidade. — Vocês dois vão né? — Lucas perguntou assim que eu entrei na sala. — Quem vai na onde cara? — perguntei rindo. — Minha festa, você e a Beatriz vão né? — ele perguntou. — Bom, isso vai depender muito mais dela do que de mim, e acho que o humor dela não está tão bom assim pra festa. — falei e ele fez cara feia. — Não mesmo, vou falar pra alguém falando ela, quero vocês dois lá, bêbados subindo em cima da mesa tirando a roupa. — ele disse rindo. — Você quer que eu fique solteiro? Esqueceu que eu me caso em poucos meses? — perguntei ele revirou os olhos. — Tudo bem, pode ser sem a parte de tirar a roupa em cima da mesa. Mas eu quero vocês dois lá, nem que sejam arrastados. — ele disse aprontando o dedo pra mim. — Lucas é o cara que não sabe ser discreto nunca. — Jp disse parado na porta da nossa sala. — Olha só quem tirou uma folga da paternidade e veio trabalhar. — Lucas disse. — Eu te chamaria pra festa, mas é proibida a entrada de menores de 18. Acabei rindo da piada sem graça do Lucas, João Paulo jogou uma borracha da minha mesa na testa do Lucas, o que me fez rir ainda mais. — Vocês dois vão parar de rir Jajá, o pai de vocês querem vocês dois na sala de reunião. — Moisés apareceu na porta falando. — Agora. — Boa sorte rapazes. — Lucas disse rindo. — Você também Lucas. — Moisés gritou de longe. — Se fodeu i****a. — falei e toquei um clips de papel nele. Fomos todos pra sala assustadora do "papai", ele estava sentado na cadeira com a mesma casa de cu de todos os dias, estou começando achar que essa é a fisionomia normal dele, e só agora que eu consigo perceber. O último a entrar foi o Lucas que fechou a porta atrás dele, nosso pai parou de ficar rodando na cadeira, nos encarou, pegou um dos seus charutos e ascendeu, acho que isso faz ele se sentir um grande chefe de máfia italiana. O que pra mim é nem i****a, mas eu nunca falaria isso pra ele. Então depois de dois tragos ele começou a falar, falar e falar. Falou sobre o cassino, que a gente simplesmente deixou de lado e que era hora de retomar e como era pra gente aumentar as vendas e também ser mais ativos nas cobranças. Acho que hoje ele não acordou de bom humor e agora está tentando dar um jeito de descontar na gente.
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