CRISTIAN Eu vi Júlia olhando para o metrô como se estivesse em um parque de diversões. A garota americana parecia um bibelô encantado, fascinada pelo simples fato de estar ali. Era feliz por algo tão pequeno que eu nem sabia como reagir. Ela estava radiante, empolgada porque, finalmente, iria andar de metrô.Nos sentamos juntos, o vagão vazio por ser fora do horário de pico — aquele período em que um monte de gente vai e vem, sufocada pelo ritmo insano do trabalho e da escola. Quando o metrô começou a se mover, ela fechou os olhos. Era como se estivesse absorvendo o momento, sentindo cada vibração do chão sob seus pés. Depois, abriu os olhos e sorriu para mim de um jeito tão puro que, por um segundo, eu esqueci de respirar. — Tem cheiro de liberdade… — ela disse baixinho. — Tem, Júli

