capítulo 2

893 Palavras
~ Daniel ~ A pior coisa que pode acontecer com alguém, é ver a pessoa que ama morrer em seus próprios braços. Nunca esquecerei aquela sensação de impotência. Sempre que fecho meus olhos, é como se revivesse tudo de novo. Ainda me lembro das últimas palavras de meu Pai. — Eu te Amo filho. Cuida bem da sua irmã — ele disse com a voz falha antes de fechar os olhos para sempre Tudo aconteceu tão rápido. Mas a dor que sinto é devastadora e sei que ficará marcada em mim para sempre. — Um assalto m*l sucedido — foi o que o policial disse quando eu o questionei sobre as investigações do que havia acontecido. Segundo ele, a única pista que tinham era as gravações da câmera de segurança que ficava na frente de casa. A investigação estava sendo feita, porém era muito provável que ira ficar por isso mesmo, aquele não era mas um local seguro para mim e para Sara, pelo menos era isso que eu estava sentindo naquele momento. — Um casal amoroso, capaz de fazer qualquer coisa pelos filhos, que fazia o bem sem se importar com opiniões adversas. Irei carregar comigo para sempre os ensinamentos, amor e respeito ao próximo, assim como eles me ensinaram. Sei que independente do que aconteceu, eles foram felizes. E essa felicidade contagiava a todos ao seu redor. Meu Pai e minha Mãe, estarão para sempre em nossos corações. — parei de falar pois já sentia minhas lágrimas prestes a cair A verdade era que eu não sabia como seguir em frente. A vida agora se tornaria muito mais difícil, não ter meus pais ao meu lado para me aconselhar e me ajudar nas adversidades da vida era algo que eu não sabia como lidar. Como conseguiria conciliar minha vida de estudos na faculdade com a responsabilidade de cuidar de uma adolescente na flor da idade? Acho que o mas sensato a se fazer agora é seguir o concelho da vovó e ir morar com ela Eu sabia que naquele momento precisaríamos de um novo recomeço. Sim! seria difícil, mas era preciso. E eu sabia que com o tempo Sara me entenderia e me perdoaria por tê-la feito perder sua melhor e única amiga. Também não seria fácil pra mim ter que recomeçar minha vida do zero, e eu também sentiria falta da Amélia, aquela pirralha alegrava nossas vidas, isso eu não podia negar de forma alguma. Pensamentos e emoções vinham em minha mente como um turbilhão de sentimentos enquanto eu estava deitado em minha cama olhando para o teto branco, mas de repente algo chamou minha atenção, então percebi que não estava mas sozinho. Vê-la entrar no meu quarto de mansinho foi estranho, Amélia nunca tinha feito tal ato. Mas eu conseguia entender totalmente o porquê dela ter agido de tal forma, estava estampado em seu rosto que ela se preocupava comigo tanto quanto se preocupava com a Sara. Me sentei rapidamente na beira da cama e ela se sentou ao meu lado, ficamos alguns minutos sem dizer nenhuma palavra, era como se ela estivesse lá, sem estar, eu precisava ficar sozinho e colocar meus pensamentos em ordem e parece que ela conseguia entender isso. Mantive meu olhar fixo na parede do quarto, enquanto um filme dos últimos acontecimentos se passavam diante de meus olhos. Então, de repente toda duvida se foi, e eu sabia exatamente o que deveria fazer. Amélia me surpreendeu a juntar sua mão com a minha, suas mãos eram tão suaves e sua pele parecia ser veludo. Me virei rapidamente e nossos olhares se encontraram — Estou aqui para o que precisar, não precisar se fechar para mim, quero saber o que sente e que se passa na sua cabeça. Não suporto te ver dessa maneira. — de certa forma saber que alguém ainda se preocupava comigo era estranhamente bom, sem pensar duas vezes a envolvi em um abraço — Fico feliz que esteja conosco. Obrigado por se preocupar comigo, — nos afastamos — estamos passando por um momento difícil e acho que antes de melhorar, tudo irá ficar ainda mas difícil — O que você quer dizer com isso? — eu tinha que dizer a verdade para ela e quem sabe talvez depois Amélia poderia me ajudar a convencer Sara — Vamos embora dessa casa, te peço que não conte nada para Sara. Ainda não conversei com ela sobre isso. Em uma semana vamos nos mudar para São Paulo, não existe mas nada para fazermos aqui, a vovó é nossa única parente viva e é com ela que vamos ficar — Eu respeitarei sua vontade e deixarei que você mesmo conte tudo para Sara. — respirei aliviado por ela ter me entendido — sentirei muita saudade de vocês, espero que não se esqueçam de mim — isso nunca iria acontecer, Amélia já fazia parte da família — Impossível, você é como se fosse minha irmã caçula — tentei sorrir, mesmo não estando no clima — Vou ver como está a Sara e depois vou preparar alguma coisa para jantarmos — não estava com fome e não tinha cabeça pra nada, mas antes de negar qualquer coisa, Amélia deixou claro que eu não teria escolha — você vai comer nem que seja só um pouco, estou aqui para cuidar de vocês e é isso que farei. ...
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