~ Amélia ~
— Onde estamos indo? — perguntei a Felipe ao perceber que o caminho que estávamos seguindo não era o caminho de casa
— Eu não sei onde você mora, lembra? — ele me olhou rapidamente e piscou um olho em minha direção — Eu disse que te daria uma carona, mas não disse onde íamos, fica tranquila que depois te levo onde você quiser
Agora eu estava um tanto nervosa, não sabia onde ele estava me levando, mas também sabia que ele não era nenhum louco psicopata ou algo do tipo, o trânsito fluía um pouco mais rápido que o comum então isso facilitou bastante nossa chegada ao misterioso destino
Assim que desci do carro olhei bem ao nosso redor e fiquei fascinada com a linda vista
— Chegamos bem na hora — ele disse ao descer do carro — adoro ver o por do sol da praia
O céu estava uma mistura de cores, amarelo alaranjado se destacava, mas acima um azul escuro indicava que noite estava se aproximando e as nuvens acinzentada deixava tudo ainda mais perfeito
— Vem comigo — Felipe disse quando segurou minha mão e saiu me puxando pela fina areia da praia, por sorte estava de rasteirinha
Sentamos na areia enquanto o sol ia sumindo na imensidão do mar azul
— Você está tão calada, fiz algo de errado?
— Não... Não é isso, eu só estou admirando a vista, — desviei meu olhar do lindo por do sol e percebi que ele estava me olhando — fiquei surpresa, não imaginava que você fosse esse tipo de pessoa
— Como assim, que tipo de pessoa você achava que era?
— Bom... — dei uma pausa enquanto pensava no que falar — você não me pareceu ser do tipo romântico — ele sorriu — achei que você era do tipo Badboy que não se importa muito com os sentimentos alheios
— Nossa essa doeu — ele colocou a mão no peito e se jogou na areia fazendo drama — na verdade eu nunca me prendi a alguém, sempre gostei de ser livre e ter meu tempo comigo mesmo, e nem sempre as pessoas entendem isso, acho que por isso nunca tive um relacionamento sério. Ou então nunca encontrei a garota certa
O sol já tinha desaparecido, Felipe continuava no mesmo lugar, seus olhos estavam fixos ao céu, me deitei ao seu lado e fiz o mesmo que ele, mas logo ele me trouxe para mais perto de seu corpo fazendo com que eu apoiasse minha cabeça em seu peito
Estava perdida em pensamentos, curtindo o cara que eu não m*l conhecia quando me veio na mente meu pai, não sei o porquê pensei nele assim do nada, mas eu sabia que se ele chegasse em casa antes de mim eu iria ser castigada
— Temos que ir Felipe — me levantei rapidamente do chão enquanto tentava tirar do meu vestido a areia da praia — se meus pais chegarem em casa primeiro que eu, estarei encrencada — ele me olhou meio incrédulo com o que eu acabei de dizer, mas se apressou para irmos embora
— Pega se veste — ele pegou uma Jaqueta de couro preta que estava jogada no banco de trás, eu aceitei e vesti rapidamente pois estava com muito frio
— Como sabia que eu estava com frio?
— Eu presto atenção aos mínimos detalhes — naquele momento me arrependi por ter saído de casa sem usar um sutiã por baixo do vestido
Quando chegamos em casa eu praticamente saltei pra fora do carro, estava com medo da reação de meu Pai, então me despedi rapidamente de Felipe e subi as escadas o mais rápido que pude. A cada degrau que eu subia mais nervosa eu ficava e quando cheguei na porta de casa fiquei na dúvida se abria ou se saia de lá correndo
Que não estejam em casa...
Que não estejam em casa...
Que não estejam em casa....
Dizia para mim mesma enquanto colocava a chave na fechadura da porta, ao entrar respirei aliviada por ser a única pessoa naquele local minúsculo.
Corri pro banheiro para tomar um banho pois ainda Sintia a areia sobre minha pele, foi então que percebi que eu ainda estava usando o casaco de Felipe
— m***a! — o tirei as pressas e o escondi na minha mochila, não seria nada bom se eles encontrassem a roupa do Felipe aqui em casa
Eu já tinha preparado o jantar quando eles chegaram, meu pai entrou como um foguete dentro de casa e sua cara emburrada indicava que ele não tinha tido um bom dia, o que geralmente vinha se tornado um hábito nessas últimas semanas
— Filha eu tenho algo para te perguntar — minha mãe se sentou ao meu lado no sofá e meu coração já disparou — Hoje a tarde quando servimos os convidados da família Rocha
— O que aconteceu? — meu pai passou pela sala e foi em direção a porta, pois tinha alguém o chamando, mas não dei muita importância, minha mãe parecia querer dizer alguma coisa importante
— Bom... É o seguinte, vou direto ao ponto. Eles gostaram muito das suas receitas então eu comentei com dona Eva que você já trabalhou fazendo bolos e sobremesas, a princípio ficou nisso mesmo, mas antes de sairmos de lá, seu Felipe o filho dela chegou e experimentou um pedaço da sua torta de morango — eu estava vidrada a cada palavra — ele disse que nunca tinha comido algo tão saboroso e disse pra dona Eva contratar você para me ajudar na cozinha
Eu não sabia se estava alegre ou triste com tudo aquilo, eu estava com a cabeça cheia por tudo que havia me acontecido com Daniel, também tinha as provas que eu ainda teria que fazer, quase não me sobraria tempo para estudar e não podia reprovar, não pretendia atrasar meus planos
— Eu não sei se isso é uma boa ideia mãe, não é que eu não queira trabalhar, é só que se eu tiver que trabalhar lá não terei tempo para focar nos estudos
— Tudo bem filha, eu te entendo, não se preocupa que amanhã eu converso direitinho com dona Eva
— Você não vai dizer nada a ela, — meu pai estava todo esse tempo escutando nossa conversa na porta da sala e eu não o tinha percebido alí — Amélia você já tem dezoito anos, não é mais uma criança, além disso nossas despesas aumentaram depois que você chegou, agora terá que trabalhar honestamente e nos ajudar — seu olhar estava sério, ele parecia estar com mais raiva do que quando entrou em casa minutos atrás
— Que isso Pedro... Ela é nossa filha, por tanto é também nossa responsabilidade
— Cala a boca Lurdes, tá mas do que na hora dessa menina levantar a b***a do sofá e fazer algo além de passear e se divertir. Amélia tem que aprender a trabalhar honestamente e ter responsabilidades, a partir de hoje vai ter que nos ajudar nas despesas da casa. E será assim até quando viver em baixo do meu teto
Naquele momento a raiva já estava me consumindo, eu não sabia se estava com mais raiva de mim por ter que aguentar toda aquela humilhação ou de meu pai, por me tratar como um lixo
Me levantei do sofá e olhei bem para a cara de meu pai, minha mãe estava sem reação nenhuma, acho que ela não esperava me ver enfrentando ele, pra falar a verdade nem eu mesma sei como tudo isso aconteceu
— Então o problema é esse, é dinheiro que você quer? — acho que na verdade nem ele mesmo esperava me ver o enfrentando, pois ele se manteve calado a minha pergunta — estou aqui a pouco mais de dois meses e você ja está jogando na minha cara que sou um fardo para você, antes mais tivesse me deixado com minha avó, ela sim me amava de verdade — eu m*l terminei de falar e já senti meu rosto arder como fogo com o t**a que recebi no rosto
— Não... Não faça isso homem — minha mãe disse chorando — não é desse jeito que se trata uma filha
Peguei minha mala que ainda estava com todos os meus pertences já que minhas coisas não cabiam no guarda roupa deles, tirei uma caixinha onde eu guardava todo o dinheiro que ganhei, quando a abri peguei algumas notas sem nem almenos contar e joguei sobre o sofá
— Espero que isso cubra todas as despesas que te dei desde quando pisei em sua casa
— Onde ganhou todo esse dinheiro? — ele perguntou olhando a caixa em minhas mãos
— Trabalhando — retruquei enquanto fechava a mala e colocava a mochila em minhas costas
— Onde você vai filha... Por favor não me deixe, Pedro só está alterado, logo logo ele volta a si
— Eu estou muito bem Lurdes, Amélia já é de maior, pode muito bem se virar sozinha — ele pegou o dinheiro que joguei no sofá e me devolveu — pegue... Não quero esse dinheiro sujo, não duvido nada que você tenha vendido o corpo para consegui-lo
— Eu não sou uma v*******a se isso que está pensando
— Eu sei muito bem que passou a tarde toda fora de casa, e que um homem num carrão vermelho te trouxe pra casa — já estava me perguntando como ele sabia daquilo quando ele mesmo revelou — sabe Amélia, aqui todos os vizinhos somos amigos, então pedi para que alguns ficassem de olho em você. E pelo jeito eu tinha razão
— Como você pode fazer isso com sua filha Pedro? ficar dando assunto para esses mexiriqueiros sem vida própria falar de nossa família
— Deixa mãe, eu não me importo mais, como ele mesmo falou, eu sou de maior, posso traçar meu próprio destino — abracei minha mãe que já estava em lágrimas, peguei o dinheiro da mão dele e dei pra ela — pode ficar mãe, nunca vendi meu corpo para conseguir nada. Eu te amo — disse baixinho em seu ouvido antes de sair puxando minha mala pela porta da frente
Percebi que alguns olhares curiosos estavam fixos na porta de casa, pelo visto todos ouviram nossa discussão.
Desci as escadas tentando prender o choro pois não sabia o que fazer e muito menos pra onde seguir