~ Amélia ~
— Desafio — disse de uma vez mudando minha opção antes dela terminar a pergunta
— Você sabe que isso é contra as regras do jogo não é? — Laura disse me olhando com um sorriso estranho no rosto, o que me levou a pensar que era exatamente isso que ela queria desde o início — mas não importa, eu gosto de você e só por isso vou dá essa chance. Seu desafio é beijar o Felipe bem aqui na frente de todos
— Eu...
— Essa foi sua escolha, não pode mais voltar atrás
Felipe se aproximou de mim animado, e eu estava muito nervosa, por mais que Felipe fosse lindo e eu tivesse vontade de beijá-lo não queria fazer isso na frente de Daniel
Em meio aos milhões de pensamentos que vinham em minha mente não sabia o que fazer, então apenas me deixei levar pelo momento
Senti os braços de Felipe envolver meu corpo, sua pele quente encostou em minha pele fria e um arrepio incomum tomou conta de meu corpo, seus lábios vieram de encontro ao meu, sua boca macia era diferente de tudo que eu já tinha experimentado e aos poucos me entreguei aquele beijo
Quando o beijo se encerrou me senti envergonhada pelo que acabara de acontecer, Laura parecia estar satisfeita, Sara estava sem reação e Daniel apenas se levantou em silêncio, me deu as costas e saiu sem dizer nenhuma
— Espera Bebê — Laura praticamente gritou enquanto corria atrás de Daniel
— Acho que a brincadeira acabou bem na hora que estava ficando boa — Felipe comentou sorrindo
— Acho melhor nós irmos agora Amélia, vovó já deve estar nos esperando para jantar
— Não esqueça o nosso jantar — Felipe disse enquanto segurava minha mão — você aceitou esse desafio — confirmei com a cabeça — tudo bem, eu passo aqui as oito horas em ponto
~ Daniel ~
Aquela brincadeira i****a já não fazia mas nenhum sentido, deveria ter desistido na hora que Laura falou sua verdadeira intenção
— Espera Bebê — ela vinha correndo atrás de mim, até que parei em frente a portaria
— Para com isso, você sabe que eu detesto que me chame assim, sou apenas um ano mas novo que você e isso não faz de mim uma criança — seus olhos estavam arregalados em minha direção
— Você nunca falou assim comigo antes, o que está acontecendo conosco
— Já chega Laura... Não estou com paciência nenhuma para seus dramas, acho melhor você ir embora, preciso de um tempo sozinho, quero refletir em tudo que vem acontecendo — Sara e Amélia passaram por nós olhando para o showzinho que Laura estava fazendo
Se tem uma coisa que eu detesto é chamar a atenção
— Para com isso... — ela falou alto — Não finja que não existe nada acontecendo entre vocês, eu não sou cega Daniel. Vocês passaram a noite juntos? É isso não é?
Eu não acredito nisso, como você pode fazer uma coisa dessa comigo?
— Pra mim já deu. Acabou!
Sai dali o mas rápido que pude, estava sentindo como se tivesse sufocando, Laura tinha passado de todos os limites.
Ainda consegui alcançar as meninas no elevador, mas sempre que eu olhava para Amélia ela desviava o olhar do meu, as portas do elevador se abriram e Sara saiu às pressas, era como se ela estivesse dando espaço para eu ficar a sós com Amélia
— Amélia eu preciso falar com você
— Não, por favor não!
Eu não quero ficar presa a sentimentos que serão impossíveis de ser correspondido, e se eu estou cometendo um erro, me deixe errar, porque pior que errar é ficar sem fazer nada e deixar a vida passar diante de seus olhos
Ela me deixou sozinho em frente ao elevador enquanto seguia para a porta de casa, mas aquelas palavras agora estavam em minha mente.
As meninas estavam conversando no sofá quando entrei em casa, dei beijo na vovó que cochilando na poltrona e fui pro meu quarto tomar um banho
Tudo que Amélia disse estava martelando em minha cabeça
Pior que errar é ficar sem fazer nada e deixar a vida passar diante de seus olhos
Não sei ao certo o que estava acontecendo comigo, mas naquele momento eu tinha que vê-la de qualquer forma
Depois de me vestir à procurei pela casa, mas parecia estar vazia, vovó não estava mas na sala, Sara não estava em lugar algum e provavelmente Amélia já tinha ido se encontrar com Felipe
Estava na varanda admirando a noite com uma taça de vinho na mão quando escutei o barulho de algo se quebrar, deixei o vinho sobre a mesa e caminhei pela casa a procura de onde veio o barulho, foi então que escutei alguns chingamentos vindo do quarto de hóspedes. Abri a porta devagar e lá estava Amélia de joelhos ao chão enquanto recolhia alguns cacos de vidro, pelo delicioso aroma citrico que está no ar imagino que tenha sido o perfume dela que havia quebrado
— Pensei que não estava aqui — ela levantou o olhar em minha direção e logo respondeu
— Felipe acabou de me ligar, disse que teve um problema em casa e que remarcaria nosso jantar
— Ótimo! — Falei baixo
— O que disse? — Amélia perguntou arqueando uma sobrancelha em minha direção
— Não é nada, deixa eu te ajudar com isso
Após ajudá-la e jogar fora o que havia restado dos cacos convidei Amélia para comer comigo. Fiz algo simples e rápido, medalhão de filé mignon com batatas gratinada e bom vinho para acompanhar
— Eu não sabia que cozinhava tão bem
— Nós mudamos muito com o passar dos anos, acho que teremos que nos conhecer novamente — Amélia sorriu
— Acho impossível, são raras as vezes que nos vemos e além disso eu tenho uma leve impressão de que sua namorada não gosta de mim
— Eu terminei com Laura — disse antes de levar a taça até minha boca e tomar o restante de vinho que ainda havia ali
— Eu não sei o que dizer
— Não precisa dizer nada, estávamos presos a um relacionamento sem sentido
O jantar foi agradável, Amélia sempre foi uma pessoa especial e estar ao lado dela era tão fácil.
Ela não parava de falar nem por um só segundo o que me fazia olhar sem parar para aqueles lábios carnudos
— Daniel... — ela estalou os dedos bem a frente de meus olhos — você ouviu o que eu disse?
— Amélia acho melhor irmos dormir... Eu não estou me sentindo muito bem — me levantei da cadeira e em seguida me despedi e fui para meu quarto
~ Amélia ~
Terminei de tomar o vinho de uma só vez, retirei as louças de cima da mesa e coloquei sobre a pia.
Não sabia se Sara ou dona Stela iam demorar para chegar, mas eu não poderia deixar Daniel sozinho no quarto passando m*l. Fui em direção ao seu quarto e bati na porta algumas vezes, como não escutei nada resolvi entrar, o quarto estava vazio, mas a porta do banheiro estava entreaberta e pelo barulho da água Daniel só poderia estar tomando banho.
O barulho cessou e pela brecha da porta, consegui ver Daniel a se secar pelo reflexo do espelho.
Seu corpo era perfeito assim como na minha imaginação, um calor incomum se fez presente em meu corpo, eu não conseguia parar de olhar, até que ele me viu e abriu a porta rapidamente
— Você não vai mesmo facilitar as coisas pra mim não é? — ele disse apenas de toalha parado em minha frente
— Eu... — desisti de tentar me explicar e me joguei nele selando nossos lábios