~ Amélia ~
Não aconteceu nada, não aconteceu nada... Respira fundo — Era o que eu dizia mentalmente enquanto estavamos no elevador
Sara estava atenta respondendo algumas mensagens no celular e eu tentava me acalmar, o que era impossível com Daniel me olhando pelo espelho do elevador
Ele conseguia me deixar nervosa apenas com um olhar
A porta do elevador se abriu e eu saí dele praticamente correndo enquanto arrastava Sara pelo braço, Daniel nos seguia até o carro e quando finalmente chegamos, recebi uma notícia desesperadora
— Eu não vou poder ir com vocês — Sara disse ao desviar os olhos do celular e guardá-lo em sua bolsa — acabaram de me chamar para resolver algo importante na agência, é urgente, algo sobre meu último ensaio fotográfico
— Você não pode me deixar sozinha com Daniel depois de ter me feito passar aquele vexame — praticamente sussurrei em sua direção
Ela apenas sorriu em resposta e se despediu.
Isso não pode tá acontecendo comigo!
— Vamos, eu te levo — olhei diretamente naqueles olhos azuis e por um segundo esqueci todo o medo e vergonha que estava sentindo, já estava sentada ao lado dele dentro do carro, quando dei por mim — quer escutar alguma música? — apenas neguei com a cabeça, a música sempre me acalmava e me fazia muito bem, mas naquele momento eu só queria o silêncio absoluto para quem sabe só assim conseguir digerir tudo aquilo
O trajeto foi tranquilo e rápido, logo já estávamos em um lindo condomínio, estava distraída, olhando as casas enormes e lindas quando Daniel estacionou na frente de uma linda casa com muros altos
— Chegamos, más antes de eu te levar, tem uma coisa que eu queria falar com você — e novamente meu coração disparou — sobre o que Sara falou...
— Não é verdade — disse logo de uma vez
— Ainda bem. Não sabe como isso me tranquiliza, você sabe que eu tenho um enorme carinho por você e que te considero como minha irmãzinha, eu sempre vou te ver como aquela menininha que me implorava para participar das brincadeiras de criança
Eu não sabia o que estava acontecendo comigo, mas o que eu estava sentindo era raiva, e naquele momento já podia sentir as lágrimas se acumulado no canto do olho, eu tinha que colocar tudo pra fora ou eu iria explodir
— Já disse, não sinto nada por você e mesmo que isso fosse verdade eu não sou mas uma criança e não sou sua irmã, sou uma mulher! E só você não enxerga isso — Daniel ficou imóvel, apenas escutou tudo o que eu disse
Sai do carro e peguei minha mala que estava no banco de trás, Daniel saiu do carro ainda em silêncio, mas seu olhar me analisava com cautela. Ele apertou a campainha e minutos depois a porta se abriu e minha mãe apareceu sorridente
— Filha, como você já está crescida — me olhou de cima a baixo e me abraçou, meus olhos foram de encontro a Daniel, ele sorriu se despediu e foi embora
— A casa não é tão grande, nem tão confortável como a da mamãe, mas é temporário. — minha mãe disse ao abrir a porta da pequena kitnet — no momento é o que podemos pagar, espero que não se incomode de dormir no sofá
Eu não podia fazer nada, a não ser aceitar toda aquela situação, entrei na casa e coloquei minha mala ao lado do sofá enquanto tentava me familiarizar com o novo ambiente
— Não se preocupe comigo mãe, o que importa é que estamos juntos, em breve vou terminar meus estudos e irei me esforçar para me tornar uma boa médica, irei te dá uma casa e tudo que você merece
— Não prometa o que não pode cumprir — meu pai gritou da cozinha — não sonhe tão alto, viva a realidade, sua convivência com os Montary te deixaram alienada — eu não gostava da forma como ele menosprezava meus sonhos, mas também não podia falar nada
O sorriso da minha mãe se desfez e ela se aproximou de mim e segurou minha mão
— Não ligue para que o Pedro diz, eu sei que você é capaz de realizar seus sonhos, mas seja forte, na vida sempre tem obstáculos. Seja forte! — ela falou baixo, para meu pai não ouvir, mas aquelas palavras me ajudaram, pois eu sabia que ela acreditava em mim. E isso era tudo o que eu precisava
~ Daniel ~
Ouvir de Amélia que o que Sara havia dito mais cedo não era verdade me deixou extremamente aliviado, eu só não imaginava que ela fosse agir daquele jeito
Mas a forma que Amélia falou que era uma mulher me fez analisá-la por completo, e minha mente estava imaginando coisas
No caminho de volta pra casa meu celular não parou de tocar, Laura estava pra me deixar louco com tanta insistência, então encostei o carro no acostamento e atendi
— Quero saber se vai vim jantar comigo ou se vem só passar a noite?
— Não sei Laura... estou com muita coisa na cabeça agora. Acho que vou ficar em casa
— Eu não acredito que vai fazer isso comigo, depois de todo esse tempo sem me ver. Você não se importa comigo
Eu detestava a forma de como Laura fazia tudo ser sobre ela, mas de certa forma ela tinha razão, estávamos distante a muito tempo e isso só desgastava ainda mais o quer que tínhamos
— Eu vou pra casa, irei me organizar e chego aí a noite para jantar com você, mas amanhã tenho que sair cedo pra ir ao Hospital
— Eu vou fazer você esquecer o quer que seja que está perturbando seu pensamento