A festa

878 Palavras
POV'S Camila Fiquei no sofá pensando em como seria minha vida dali para frente. Eu estava sozinha em casa; papá havia saído para resolver pendências sobre a viagem, e mamá foi levar Sofia para visitar a nossa abuela. Liguei a TV e fiquei esperando o tempo passar. Alguns minutos depois, ouvi passos em direção à porta e percebi que elas finalmente tinham chegado. — Oi, filha! Já comeu alguma coisa? Me desculpe pela demora, perdi a hora conversando com sua abuela — disse mamá, enquanto colocava as chaves sobre a mesa. — Já sim, mamá. Não se preocupe. Como ela está? — perguntei. — Está relutante com a nossa mudança. Ela não quer ficar longe das netas — respondeu, com um olhar preocupado. — Vou sentir saudades dela — falei com tristeza no olhar. Mamá tentou me confortar, dizendo que eu poderia visitá-la nas férias. — Vou subir e tomar um banho. Você vem, Sofi? — perguntou ela à minha irmã mais nova. — Não, mamá. Vou ficar aqui com a Kaki — respondeu Sofia, enquanto se deitava nos meus braços de forma preguiçosa. — E você, pequena, está bem? — perguntei, olhando para ela. — Sim, Kaki. E você? — Também estou. O que acha da mudança? Está animada? — Estou feliz pelo papá, mas triste ao mesmo tempo. Vou deixar meus amigos... — disse ela, com um tom melancólico. Ao contrário de mim, Sofia não compreendia completamente o impacto dessa mudança em nossas vidas. Para ela, parecia apenas uma longa viagem de férias. — Vamos assistir Bob Esponja? — perguntou, animada. — Claro, meu amor! — respondi. Coloquei o desenho na TV, e ela se aconchegou ainda mais nos meus braços. Ficamos assistindo até ouvirmos nossa mãe descer as escadas. — Vamos preparar um lanche? — sugeriu mamá. Sofia foi a primeira a se levantar, cheia de entusiasmo. Ela adorava ajudar nossa mãe na cozinha. Fomos para a cozinha. Apesar de já ter comido, a comida da mamá era tão gostosa que não pude recusar. Sentei à mesa e fiquei conversando com ela sobre assuntos aleatórios. Percebi que já estava ficando tarde, então avisei que iria me arrumar para a festa de despedida que meus amigos haviam organizado. Ela apenas consentiu com um aceno. Para a noite, escolhi um vestido rosa vibrante com bolsos laterais. Amarrei o meu cabelo de lado, deixando a franja cair sobre o rosto, e finalizei com uma maquiagem leve e um par de saltos. Ao descer as escadas, vi papá sentado no sofá. — Para onde vai a minha boneca toda produzida? — perguntou ele com um sorriso. — Vou para uma festa de despedida que os meus amigos organizaram. — Não volte muito tarde. Amanhã vamos sair cedo. — É mesmo... Tinha me esquecido disso — falei, percebendo a situação. — Divirta-se, meu bem. Boa festa! — disse ele, dando um beijo na minha testa. Fiquei esperando Henrique, que viria me buscar de carro, já que a sua casa não era tão próxima da minha. Assim que avistei o carro dele virando a esquina, ele parou e desceu para abrir a porta para mim. Elogiei o seu cavalheirismo, e ele respondeu com um sorriso discreto. Quando chegamos à sua casa, fiquei impressionada com a quantidade de pessoas. — Nossa, veio muita gente — falei no ouvido dele por conta do barulho alto da música. — Sim, isso significa que você está ficando popular — brincou ele, me cutucando. — Até parece! Aposto que metade veio só para comer de graça — revirei os olhos, rindo. — Me acompanhe, senhorita — disse ele, segurando a minha mão. A festa estava animada. Cumprimentei alguns amigos e me joguei na pista de dança. Dancei muito com Joanna até ficarmos exaustas. Saímos da pista, rindo e ofegantes. — Mila, tenho uma surpresa para você! — disse Joanna, segurando minha mão e me levando até um pequeno palco improvisado. — Parem a música, por favor! — pediu Henrique, pegando o microfone. — Oi, gente! Para quem não me conhece, meu nome é Henrique. Essa festa é dedicada a uma menina muito especial para mim que, infelizmente, vai se mudar. Mila, por mais distante que esteja, saiba que jamais vamos te abandonar. Você, além de uma ótima amiga, é uma pessoa incrível, com seu jeito doce que encanta a todos. Encara a vida com alegria, e vamos morrer de saudades. A escola não será mais a mesma sem você. Joanna pegou o microfone, emocionada, e continuou: — Nós te amamos! Você é insubstituível, Mila. Seremos seus amigos até depois do fim! Obrigada por ser a melhor amiga que eu poderia querer. Você sempre esteve presente quando precisei, e não será diferente agora. Eu já estava chorando. Joanna veio até mim com os olhos marejados, e eu a abracei forte. — Obrigada, Jojo. A nossa amizade será eterna — disse, emocionada. Logo depois, Lucas, Henrique e Bruna se aproximaram, e nós nos abraçamos em grupo. — Obrigada por tudo, pessoal! Vocês são os melhores amigos que eu poderia ter! Amo vocês! — falei, sentindo o coração aquecido. Depois de muitas lágrimas e declarações, percebi que já estava tarde e precisava ir embora. Henrique me levou até em casa, e nos despedimos com um abraço apertado.
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