Capítulo 2

845 Palavras
É um dia típico na escola para Keira. Assim que entra no prédio, Adam e o time de futebol começam a atormentá-la imediatamente. O jogo favorito deles é lançar insultos sobre o peso de Keira e as roupas que ela veste. Keira — Ei, menina sem-teto! — ouço alguém gritar atrás de mim, seguido de risadas. Não vire, digo a mim mesma, e continuo andando em direção ao meu armário. Se eu me virar, sei que algo pior vai acontecer. — Ei, macaca gorda, estou falando com você. O que foi? O brechó só tinha roupa para mendigos de novo? — Respiro fundo e continuo andando para frente; não vou deixar Adam ver como suas palavras me machucam. — Não, cara, isso não é roupa de brechó, é roupa que ela tem há quatro anos, nada que esteja na moda cabe nesse r**o gordo! — ouço meu irmão gritar, acompanhado de risadas. Tenho que lutar contra as lágrimas. As palavras de Adam eu consigo aguentar, mas as do meu irmão Kevin, essas me machucam profundamente. Eu sei, no fundo, que meu irmão me ama. Ele só está agindo assim para manter seu status. Quando estamos só nós dois, ele não é um i****a. Quando tive apendicite e precisei fazer cirurgia no ano passado, vi o verdadeiro Kevin. Aquele que era meu melhor amigo quando tínhamos 10 anos. Assim que me recuperei e voltei para a escola, o amigo carinhoso e amoroso desapareceu, e o irmão babaca voltou. Finalmente chego ao meu armário, coloco meus livros e pego o que preciso para a próxima aula, e ouço a voz da minha melhor amiga, Jaime. — Keira, tem algo no seu cabelo! Sinto a parte de trás da minha cabeça e percebo que havia algo no meu cabelo, pequenos pedaços de papel. Droga! Adam, meu irmão e os outros amigos dele devem ter atirado bolinhas de cuspe em mim enquanto eu caminhava pelo corredor. — Qual é o problema desses caras? Eles têm 17 anos, não 5! — Jaime diz. — Vamos nos esconder no banheiro — ela diz, segurando minha mão e me levando ao banheiro mais próximo. —- Adam Estou entrando na escola com meu melhor amigo Kevin e um dos caras do time de futebol, Colt. À nossa frente está Keira, a piada da turma. O engraçado sobre a Keira é que ela é, na verdade, irmã gêmea do Kevin. Esses dois são tão opostos um do outro que você nunca acreditaria que são gêmeos. Ela parece estar vestida como um caminhoneiro. Não acho que ela se importe com a própria aparência. Uma vez perguntei ao Kevin se ela simplesmente pega roupas aleatórias de um brechó. Nada lhe cai bem. Tudo o que ela veste é muito grande para ela. Ela também não é uma garota pequena. Honestamente, era difícil ver o quanto ela é grande de verdade, pelo jeito que suas roupas se ajustam. Ela parece estar vestindo 10 camadas de roupa, às vezes parece como as pessoas sem-teto que vestem todas as suas roupas ao mesmo tempo. Foi assim que inventamos o apelido de sem-teto para ela. Keira é simplesmente um desastre. — Ei, menina sem-teto! — chamo por ela. Ela me ignora. Colt tinha um canudo e começou a atirar bolinhas de cuspe no cabelo dela. O cabelo dela é super longo, então as bolinhas brancas realmente grudam e também se destacam nos fios escuros. Colt, Kevin e eu rimos ao ver as bolinhas de cuspe. Colt gritava com ela enquanto começávamos a fazer um padrão no cabelo dela com as bolinhas. Até o Kevin acha que Keira é uma piada. Às vezes, eu realmente me sinto m*l por ela, especialmente porque o Kevin a ridiculariza. A verdade é que Keira traz isso para si mesma. Talvez, se ela fizesse o cabelo ou comprasse roupas que realmente lhe caíssem bem, nós não a ridicularizaríamos tanto. Eu a conheço desde que me mudei para cá, há 7 anos. Ela sempre foi uma garotinha chorona. Ela tinha que ir aonde quer que o Kevin fosse. Isso começou a ficar irritante. Eu entendi, no começo, por que Keira tinha que ir a todos os lugares. A mãe deles trabalhava o tempo todo e o pai não estava presente. Como Kevin me explicou, ele basicamente tinha que cuidar da irmãzinha, já que não havia ninguém em casa. Sim, eles são gêmeos, mas Kevin era tecnicamente o mais velho por 12 minutos, como ele gosta de lembrar Keira. Kevin era mais responsável dos dois. Na verdade, Kevin era simplesmente melhor em quase tudo. Era como se Keira nem tentasse. A única coisa que eu poderia honestamente dizer que Keira era melhor que Kevin era na escola. Keira tirava notas melhores, mas, novamente, ela realmente não tinha vida fora da escola. Kevin e eu começamos a provocar Keira só para fazê-la ir embora. As provocações e brincadeiras começaram a se tornar algo natural para nós. Ei, enquanto não a machucássemos fisicamente ou a fizéssemos chorar, estava tudo bem, era o que nós dizíamos a nós mesmos.
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