Adam
Estou levando Kevin para casa depois do treino.
— Então, acho que posso escolher o que eu quiser para o jantar hoje à noite? — pergunto a Kevin.
— Sim. Keira só vai esquentar algo para nós dois, como sempre. — ele responde.
Na maioria das vezes, Kevin janta na minha casa. Minha mãe o provoca, dizendo que ele é seu quarto filho, porque passa tanto tempo lá.
A mãe de Keira e Kevin trabalha como assistente pessoal do meu pai. Eles passam tanto tempo juntos que às vezes me pergunto se estão tendo um caso.
— Seu pai vai levar minha mãe em uma viagem de negócios? — Kevin me pergunta.
— Pelo que minha mãe me disse esta manhã, essa viagem é por causa de um novo cliente que está sendo difícil de lidar. Então, você e sua irmã vão ficar na minha casa enquanto eles estão fora.
— Pelo menos vou ter uma vida familiar semi-normal por um tempo — Kevin resmunga.
Só eu sei como Kevin se sente em relação à sua vida em casa. Ele odeia o fato de que ele e Keira basicamente se criaram sozinhos. A mãe deles está sempre trabalhando e nunca está em casa.
Com a mãe sempre trabalhando, é só Kevin e Keira em casa. Kevin só quer uma vida normal.
Existem alguns momentos na vida de um garoto em que você precisa de uma figura masculina para ajudar. A mãe deles não pode ajudar Kevin com essas coisas. Pelo menos Keira pode conversar com a mãe, já que é uma garota, mas Kevin não tem essa opção.
Esse é um dos motivos pelos quais Kevin passa tanto tempo na minha casa. Além de ter dois irmãos mais velhos, também tenho meu pai lá, quando ele não está trabalhando ou viajando a negócios.
Na verdade, quando Kevin precisava aprender a fazer a barba, foi meu pai quem lhe mostrou. Até eu considero Kevin mais como um irmão do que como um melhor amigo às vezes.
Entramos na garagem dele e saímos do carro.
— Que horas sua mãe deve chegar em casa? — pergunto a Kevin.
— Acho que Keira disse que é às 19h30. — ele me diz.
— Droga — digo, percebendo que deixei minha mochila no porta-malas do carro. Preciso que Keira me ajude com esse trabalho de inglês.
— O que foi? — Kevin me pergunta.
— Preciso da minha mochila. Vou te encontrar lá dentro. — digo a ele, voltando para o carro.
Kevin entra na casa enquanto eu pego minha mochila. Enquanto abro o porta-malas, olho para a casa deles e juro que acabei de ver Keira na janela. Ela ainda está usando aquela regata?
Pensando no campo de futebol, ela realmente não estava tão pesada quanto eu pensava. Quer dizer, ela não é magra, mas parecia que ela até poderia ter um corpo decente.
Ela sempre foi do lado mais cheinho. Quando éramos crianças, acho que ela sempre estava com algum tipo de besteira para comer. Na verdade, a primeira vez que a conheci, ela estava comendo algum tipo de barra de chocolate.
Fecho o porta-malas depois de pegar minha mochila e entro na casa, subindo as escadas para o quarto de Kevin. Posso ouvir sua voz dizendo:
— Fica tranquila, irmã. Sei que você não troca de roupa durante o dia.
Bem, hoje ela trocou. Definitivamente, ela não estava usando uma regata quando chegamos à escola hoje. Balanço a cabeça e entro no quarto.
— Então é aqui que a festa está? Desde quando socializamos nesse quarto?
— Ugh, vocês dois saiam do meu quarto! Kevin, não importa quem é gay e qual é o novo visual. Não é da sua conta! — Keira começa a gritar enquanto empurra Kevin para fora do quarto.
Ela pode ser bastante brava quando quer. Então pergunto:
— Você é gay? — Ela acabou de dizer "não importa quem é gay". De que novo visual ela está falando?
— Não! Só sai daqui! — Ela gritou e me empurrou para fora do quarto. Depois, bateu a porta na minha cara.
Olho para Kevin e digo:
— Sua irmã é tão fácil de irritar.
Ele responde:
— É, por isso é tão fácil provocá-la.
Droga! Esqueci de pedir a ela para olhar esse trabalho. Bem, terei muitas chances em breve. Espera até ela descobrir que vai morar na minha casa por algumas semanas.
---
Keira
Depois que Jaime vai embora, vou para a cozinha e pego uma pizza congelada no freezer para o jantar. Conhecendo meu irmão, decidi que seria melhor fazer uma para ele também. Acabei de colocar o timer no fogão para as pizzas e uma voz me assustou.
— Ei, Keira.
— Oh meu Deus, você me assustou, Adam! — Gritei, levando a mão ao peito.
— Desculpa, preciso pedir um favor, mas você não pode contar a ninguém, nem mesmo ao Kevin. — Adam disse.
— Adam, por favor, não estou no clima para uma das suas brincadeiras ou seja lá o que você quer — respondo. Sei que ele provavelmente está planejando alguma piada às minhas custas.
— Não é brincadeira, eu realmente preciso de ajuda. Deus, isso é constrangedor — diz ele, sentando-se em uma das cadeiras da cozinha.
— Você está falando sério? Porque você parece realmente chateado — digo, desconfiada.
— Sim, estou falando sério, não é fácil, mas preciso de ajuda com a escola. Estou tendo problemas com esse trabalho que tenho que entregar na aula de inglês. Preciso tirar uma nota que me mantenha no time — ele me diz.
— Você sabe que não sou inteligente, certo? Sou decente, mas não inteligente. Por que não pede ajuda a um dos nerds? — Eu disse.
— Não posso. Tenho uma reputação a manter. Se me virem pedindo ajuda para um nerd, não vai funcionar. — ele diz.
— Por que eu? Por que você quer que eu te ajude? — pergunto.
— Primeiro, estamos na mesma aula. Segundo, eu sei que você consegue guardar segredo — ele suspira e depois diz. — Olha, se você fizer esse favor, me ajudar a escrever esse trabalho, eu posso te ajudar. Vou mandar os caras pegarem leve com você na escola.
— Basicamente, você está dizendo que você e seus amigos vão parar de me zoar por alguns dias se eu te ajudar com um trabalho — digo a ele.
— A gente não faz bullying, zoa sim, mas bullying não. Mas sim, é isso que estou dizendo — ele diz, inquieto na cadeira.
— Não faz bullying? Claro que faz! As brincadeiras que vocês fazem, como colocar bolinhas de papel no meu cabelo, isso é bullying. Me chamar de gorda, isso é bullying. Além disso, se eu concordar em te ajudar secretamente, sem que nem mesmo o meu próprio irmão, que por acaso é seu melhor amigo, saiba, como você propõe que a gente faça isso? — digo a ele.
— Bem, eu estava pensando que você poderia escrever o trabalho… — ele começa.
— Ah, não! Eu não vou escrever seu trabalho para você. Eu tenho minha própria vida! Não vou escrever seu trabalho!
Estou tão furiosa com ele agora! Sei que ele está me usando para escrever esse trabalho enquanto ele só fica por aí, se achando o deus que pensa que é.
— Keira, nós dois sabemos que você realmente não tem uma vida social. Você só tem uma amiga, não sai de casa e fica a maior parte do tempo no seu quarto. Então, não diga que tem uma vida porque, na verdade, você não tem — Adam afirma com firmeza.
Tentando segurar as lágrimas. Sei que ele está certo. Odiava ouvir isso, mas o que ele disse é verdade. Eu sou ninguém, não tenho vida.
— O que está acontecendo aqui? Por que você parece tão tensa? — Kevin pergunta ao entrar.
— Keira está fazendo aquela pizza congelada horrível para o jantar e eu disse que não era saudável. Ela ficou brava comigo — Adam diz, levantando-se.
— Se você parar de comer comida processada, vai se sentir melhor. Pizza fresca é melhor que essa porcaria congelada — Adam afirma, virando-se para sair da cozinha.
— Keira… — Kevin começa a dizer.
— Por favor, não. A pizza estúpida vai ficar pronta em alguns minutos. Desculpa, achei que estava sendo gentil e esquentando uma para você também — digo, segurando as lágrimas.
Não quero que ninguém veja como as palavras que foram ditas me machucaram. — Você pode comer a que eu ia comer, de repente perdi a fome — digo, saindo da cozinha.