Visão de Lindsey
A caminhada até a escola é horrível. São pelo menos duas milhas e eu tenho que andar e correr para chegar lá a tempo. É bom manter a forma física, mas honestamente, eu mataria para poder dirigir para a escola como muitos outros metamorfos fazem. A escola é uma escola para metamorfos, então nenhum humano frequenta e fica localizada nos arredores da alcateia, o que significa que algumas outras alcateias diferentes também frequentam a escola. O que apenas significa mais estudantes para me provocar, a pobrezinha que sou. Não sou sortuda?
Chego à escola assim que o sino toca e respiro aliviada. A primeira aula é de inglês e é minha matéria favorita. A Sra. Jones é uma professora adorável, com cabelos crespos pretos e grandes óculos pretos no rosto. Ela é o que se pode chamar de uma mulher com curvas generosas e exige respeito de seus alunos. Ninguém ousa zombar dela e é uma das poucas aulas em que posso relaxar. Também costumo tirar as nessa matéria porque gosto muito dela, para desgosto de Tiffany e dos outros, que costumam ter dificuldades nessa aula. A Sra. Jones não distribui as facilmente.
"bom dia, turma!" cumprimentou a Sra. Jones enquanto deslizo para a minha carteira na frente da sala e coloco minha mochila no chão.
"bom dia, Sra. Jones!'' a sala respondeu em coro, alguns alunos revirando os olhos ou mostrando a língua para a professora pelas costas. Eles rapidamente recolheram as línguas quando ela se virou.
"Agora, gostaria que todos entregassem suas redações, por favor. Lindsey, você poderia recolher os trabalhos de todos? Suponho que você tenha feito sua redação?", disse ela, estreitando os olhos para mim.
Rapidamente vasculhei minha mochila e retirei minha redação primorosa sobre o que o futuro me reservava e mostrei para a Sra. Jones, que sorriu para mim carinhosamente.
"Chicote do professor", ouvi Tiffany comentar lá do fundo. Preferi ignorar, não era o pior nome que poderiam me chamar.
Fui rapidamente ao redor da sala, recolhendo as redações de todos enquanto eles me encaravam com raiva de seus lugares. Alguns precisaram ser lembrados de colocar seus nomes e um aluno cuspiu uma bolinha de papel em mim, que tive que tirar do meu cabelo enquanto seus amigos riam discretamente de seus lugares ao lado dele.
Levei as redações de volta para a professora e as entreguei a ela. Ela as examinou rapidamente e me agradeceu. "Obrigada, Lindsey. Pode voltar para o seu lugar".
Sorri e me sentei novamente. Gostava de fazer coisas pelos professores. Eu sei, eu sei, isso me tornava a queridinha dos professores, mas não recebia nenhum elogio em casa ou da alcateia, então gostava de ser elogiada na escola e me esforçava de verdade para fazer todas as tarefas da aula.
"Bem, então", disse a Sra. Jones rapidamente, olhando para o relógio "sua próxima tarefa", disse ela alegremente enquanto a turma soltava um gemido coletivo "é escrever uma história. Vocês têm dois meses", ela disse enquanto a turma comemorava "e embora possa parecer muito tempo, na realidade não é se você pretende escrever um livro completo".
"Sobre o que tem que ser?" perguntou uma aluna lá do fundo, uma garota cujo nome eu não conseguia lembrar.
"Pode ser sobre qualquer coisa. No entanto, existem algumas regras", disse a Sra. Jones com seriedade, "não pode ser classificação R, então nada de pornô ou erótico", disse enquanto alguns dos meninos gemiam de decepção, "além disso, não pode ser degradante ou racista de forma alguma. Mas pode ser horror, fantasia, paranormal, você escolhe. O tema é com vocês".
"Quantas palavras têm que ter?" perguntou Tiffany resignada. A turma rapidamente se calou enquanto todos olhavam para a Sra. Jones com curiosidade.
Ela deu um sorriso sombrio. "Espero um romance", disse enquanto sussurros abafados começaram "então o mínimo de 60.000 palavras ou mais é esperado para este trabalho".
"Você está brincando", disse um dos meninos incrédulos.
A Sra. Jones o encarou furiosa. "Eu nunca brinco", ela respondeu, "e vocês têm dois meses para escrever, o que é um tempo adequado. Talvez eu seja persuadida a estender o prazo se todos estiverem tendo dificuldades, mas todos devem ter feito um esforço decente ao escrever algo antes de eu considerar, fui clara?"
"Sim, Sra. Jones", respondeu a turma em coro.
Eu não acreditava. Estava animada em minha cadeira com a tarefa. Já sabia sobre o que iria escrever. Iria escrever um livro sobre minha vida como ômega, com meu personagem se desenvolvendo ao meu redor. O sinal tocou e todos começaram a guardar seus livros e lápis, indo para suas próximas aulas. Eu estava a caminho da biblioteca, eu tinha uma aula livre, quando fui empurrada para dentro de um armário próximo.
"Ai!" gritei, olhando para ver que era ninguém menos que Derek que havia me empurrado. De alguma forma, eu não estava muito surpresa. Desde pequena, ele tinha sido um dos meus atormentadores, mas ultimamente as coisas tinham piorado. Desde que ele se tornou um lobo, ele se transformou em um verdadeiro i****a. Era como se ele estivesse procurando maneiras de tornar minha vida miserável.
Ele me empurrou novamente e eu deixei cair minha mochila. Tiffany estava ao lado dele, rindo e vigiando se havia algum professor por perto, não que houvesse muitos que viriam ajudar um ômega. A Sra. Jones era uma das poucas exceções.
"Pegue-a!" exclamou Tiffany e Derek estendeu a mão e me deu um tapa forte no rosto. Doeu. Eu coloquei a mão e olhei fixamente para ele.
"Qual é o seu problema, Derek? Eu entendo que você não gosta de mim, mas isso é demais, mesmo para você", retruquei.
Por um momento ele pareceu hesitante, mas então Tiffany avançou e me chutou com força no joelho, me obrigando a dobrar. Aterrissei de joelhos, praguejando. Ela aproveitou a oportunidade para agarrar meus cabelos e arrancar um pedaço enquanto eu gritava de dor.
"Lembre-se do seu lugar, seu pedaço de merda patético", ela rosnou.
Eu não disse nada, sentindo um lampejo de desafio me percorrer. Eu estava cansada disso, cansada de ser intimidada e cuspida. Ela puxou meus cabelos para trás e então senti suas unhas compridas me arranharem no pescoço.
"Você é uma merda sem valor que não merece viver", ela murmurou, me largando no chão com um grande estrondo. Eu me encolhi na posição fetal enquanto Derek se aproximava.
"Pare", implorei.
Eles riram. O som me gelou até os ossos. Em seguida, thwack. Derek ergueu a perna e me chutou diretamente nas costelas. Eu me curvei, ouvindo o som de um estalo quando uma das minhas costelas se quebrou. O sinal tocou e Derek calmamente pegou sua mochila, olhando para mim com desprezo nos olhos.
"Você é repugnante", ele rosnou, "pedaço de lixo pútrido", ele retrucou, enquanto Tiffany segurava seu braço.
"Você mostrou para ela", ela riu, enquanto eu estava deitada ali, imaginando se tudo tinha acabado e se eles haviam terminado. Eles se afastaram e começaram a seguir seu caminho para a aula, enquanto eu me levantava com dificuldade, amaldiçoando a dor no meu lado. Peguei minha mochila e comecei a mancar em direção à enfermaria.
A enfermeira deu uma olhada em mim e revirou os olhos. Esta não era minha primeira visita à enfermaria e ela era fria como um bloco de gelo, especialmente com os ômegas.
"Deixe-me adivinhar", ela disse calmamente, me observando "mais um ataque."
"Acho que uma das minhas costelas está quebrada e não tenho certeza sobre o joelho", apontei. Eu sabia que eventualmente se curaria com o meu sangue de metamorfo, mas eu estaria agoniada até lá.
Os olhos azuis da enfermeira estavam frios como gelo. Ela revirou os olhos e bufou. "Tire sua camisa", ela disse com um suspiro e eu fiz isso, gemendo quando suas mãos frias começaram a sentir minhas costelas. Elas estavam machucadas e roxas.
"Sim, elas estão quebradas", ela murmurou, "eles te pegaram novamente, não é?"
"Sim", disse miseravelmente. Eu não ia contar a ela quem eram, mas algo me dizia que não importaria. Um pouco como se eu fosse para o diretor. Ele não se importava. Eu não estava alto o suficiente na hierarquia para importar. Ele não ia contra o Derek. Derek logo seria o Alfa da Matilha do Rio Carmesim. O diretor não era tão t**o. Tiffany estava namorando Derek e havia grandes chances de ela ser a futura Luna da matilha. Eles eram muito poderosos e não podiam ser incomodados. O pior era que eles sabiam disso.
A enfermeira examinou meu joelho e então, com uma careta, o reposicionou. Gritei de dor e depois flexionei a perna experimentalmente. "Estava apenas deslocado", ela disse de forma displicente.
"Oh", murmurei fracamente.
Ela pegou um frasco de analgésicos na bancada ao lado e os ofereceu para mim. "Tome alguns agora e depois dois a cada quatro a seis horas até suas costelas se curarem. Não posso fazer muito mais", disse ela com um suspiro e um sorriso leve, "mas você já sabe disso, não é?"
"Sim", disse pesadamente, "mas os analgésicos ajudam."
"Eu aposto", ela disse ironicamente, "agora para onde você vai?"
"Sala de aula."
"Vou anotar que você perdeu a aula para me ver. Agora vá e tente ficar longe de encrenca pelo resto do dia", repreendeu-me a enfermeira.
"Vou tentar", disse miseravelmente.
Joguei minha mochila no ombro e saí da pequena e apertada sala da enfermaria, e desapareci pelo corredor, felizmente não mancando mais, mas ainda sentindo as costelas latejando de dor. Entrei na sala de aula, Tiffany e Derek sorrindo para mim enquanto eu caminhava até minha carteira vazia e me sentava. Me levantei rapidamente e peguei o alfinete que tinham colocado lá para eu me sentar em cima, colocando-o em cima da carteira. Lágrimas surgiram nos cantos dos meus olhos. Seria essa a minha vida? Ser atormentada assim pelo resto da minha vida e dos meus dias?
O professor de sala nem sequer olhou para mim, mesmo que eu estivesse atrasada. Usei o tempo para descansar a cabeça na carteira, grata por ter um breve respiro do bullying enquanto Tiffany e Derek começavam a discutir planos para o próximo baile. Eu não iria, estava decidida. Não só porque ninguém me convidou, mas porque eu tinha certeza de que minha madrasta e meu pai nunca me permitiriam ir. Além disso, por que eu iria querer ir a um evento onde seria motivo de piada e atormentada ainda mais?
"m*l posso esperar para ir ao baile com você! Ainda preciso pegar meu vestido, mas você terá que combinar seu terno com ele!'' fez bico Tiffany.
"Claro querida, o que você quiser", tranquilizou Derek.
"Nós vamos ter uma festa incrível depois", gritou Tiffany com alegria, jogando o cabelo para trás enquanto suas amigas começavam a aplaudir." Claro, você vai ser rainha do baile Tiffany. Isso é um dado."
"Por que claro. Quem mais vai ser rainha do baile?"
"Todos nós deveríamos ir fazer compras juntos", gritou uma de suas amigas e houve um coro de concordância do grupo tão unido.
"Passeio de compras", gritou Tiffany enquanto os meninos concordavam de bom grado. Eu apenas revirei os olhos e me sentei lá cansada, rezando para que o sinal tocasse. Ainda tinha mais três aulas para fazer e depois eu tinha que limpar um pouco mais a casa da matilha antes de fazer o jantar.
O sinal tocou. Levantei-me cansada e segui para a próxima aula, felizmente intocada. O resto do dia passou rápido e logo eu estava caminhando e correndo de volta para a casa da matilha, enquanto o resto dos meus colegas de classe iam para casa de carro, passando por mim e me chamando de nomes insultuosos.
"Ei, v***a", rosnou Tiffany e eu olhei para cima a tempo de ter um copo de coca congelada jogado em meu rosto enquanto ela passava de carro. Eu tossi e limpei meus olhos, sentindo a bebida gelada e pegajosa escorrer pelo meu rosto. Que maneira maravilhosa de terminar o dia, pensei miseravelmente antes de me lembrar que ainda tinha que chegar à casa da matilha. Eu tremia com o frio da coca que escorria de mim e comecei a correr, meus ombros curvados em derrota.