Valentina
Oi, gente! Como vocês sabem, eu sou filha da Karen e do Vitinho e já estou com 29 anos. Sou a mais velha do Bonde, falta pouquinho pra eu bater a casa dos 30, mas sou muito feliz e realizada na área que escolhi. Não, eu não sou envolvida com o tráfico de drogas. Deus me livre de correr o risco de virar peneira! Mas eu curto todos os bailes do jeito certo.
E não, eu não tenho namorado e nem quero. Deus me livre! Homem sentar? Vocês querem amar? Tô fora! Posso estar errada? Posso. Mas não quero. No dia que eu quiser alguém, eu caso logo.
Nós estávamos nos preparando para almoçar todo mundo junto, mas a Kaká ainda não tinha descido. Minha mãe subiu para chamar ela, e nós ficamos esperando. Quando ela desceu com a cara triste, eu já sabia que tinha acontecido alguma coisa.
A Karina sempre foi uma mulher muito bonita, mas, com o tempo, ganhou peso, e isso acabou com a autoestima dela. Quando era mais magra, se sentia perfeita. Eu ainda acho ela linda, mas, na visão dos homens, é diferente. Pra piorar, ela se apaixonou pelo Morte, aquele desgraçado gostoso que todo mundo quer. Isso só piorou a autoestima dela, porque ela acha que ele nunca vai olhar pra ela.
Karen: Ela não quer descer, tá triste hoje. Vamos respeitar o espaço dela.
Rian: Olha, sinceramente, a Kaká não tá bem faz tempo. Será que não tá na hora de levar ela em uma psicóloga? Porque, sinceramente, ela não pode ficar trancada no quarto o tempo inteiro.
Karen: Ela começou com as comparações de novo, falando que as outras mulheres são muito mais bonitas que ela. E esse negócio dela gostar do Morte tá piorando ainda mais a autoestima dela.
Pescadinha: Será que não é melhor a gente falar com o Morte logo? Sei lá, às vezes, se ele der um fora nela, ela desencana e segue a vida. Eu, sinceramente, não sei se ele vai querer ficar com ela, porque o padrão estético dele é muito parecido com o dos caras escrotos da época dele. Principalmente as patricinhas.
Valentina: Eu acho melhor a gente não se meter, porque ela pode se sentir pressionada e acabar com raiva da gente. Acho que isso é uma coisa que ela tem que resolver. Mas, sinceramente, eu já teria me declarado pra ele. Se ele me desse um fora, eu já teria seguido minha vida. Mas é porque eu penso diferente.
Rian: Nem coração você tem.
Valentina: E eu me saio muito melhor assim. Eu amo a Kaká, mas ela precisa entender que pode arrumar qualquer outro homem que não seja o Morte. Eu acho ele bonito, inteligente, trata as mulheres muito bem, diferente de alguns que eu conheço por aí… — falei, encarando o Rian. — Mas também acho que ele não vai querer nada com ela. Ou vai, né? A gente não tem como saber se ela não tentar.
Karen: O problema não é esse. O problema é: e se ele começar a se relacionar com ela, mas sentir vergonha por causa dos outros caras? Aí ele dá um pé na b***a dela, e ela fica muito pior do que já estava. Eu não quero que minha filha passe por isso.
Rian: Mãe, infelizmente, não tem como botar a Kaká numa caixinha. A senhora tem que deixar ela viver a vida. Se ela quebrar a cara, vai sobreviver. Todo mundo sobrevive. Todo mundo já teve uma desilusão amorosa, faz parte da vida, é um processo. O que não dá é pra deixar ela dentro de uma bolha, porque depois ela vai ter que enfrentar os problemas dela sozinha. Se ela gosta do Morte, tá na hora de falar pra ele e ver o que acontece. E acabou.
Pescadinha: Vamos seguir o que a Valentina disse: respeitar o tempo da Karina. Quando ela quiser falar, ela fala com ele. Mas, enquanto isso não acontecer, é melhor dar espaço.
Valentina: Eu acho que isso é bem melhor do que a gente ficar se metendo e ela acabar muito chateada com a gente. Eu não quero que ela fique p**a. Acho que é um assunto que ela tem que resolver, como nós resolvemos os nossos. Se o Morte quiser ela ou não, ela vai ter que lidar com isso sozinha. Por mais que eu não queira que ela sofra, às vezes, é necessário. A vida não é um conto de fadas.