Mayara Narrando...
5 Anos Depois...
Já faz cinco anos que eu estou morando na Itália. A minha vida mudou muito, a Senhora Aurora é uma fofa comigo, na verdade desde quando eu cheguei aqui ela me abraçou e me adotou como sua filha, me ajudou a curar as minhas feridas e aos poucos eu fui esquecendo aquele que me fez m*l. Hoje eu posso dizer com toda a certeza do mundo, eu não sinto mais nada pelo Leonardo, tudo o que eu sentia foi enterrado junto com o nosso passado, no momento em que eu saí do Brasil. Aqui na Itália eu tive uma oportunidade de vida, fiz faculdade e recentemente me formei em arquitetura, nem acredito nisso, a vida me deu uma oportunidade maravilhosa de recomeçar.
Aurora — Mayara... ___ ouço a sua voz me tirando do transe e eu levanto o meu olhar pra ela — Daniel tá ai... Mandei ele esperar lá no jardim, tá? Já pedi pra Cida, levar um suco pra vocês lá...
— Obrigada meu amor... Eu vou lá ver o que ele quer... Tá lindona em ___ falo reparando que a mesma está com um vestido branco, cheio de flores azuis, toda arrumada.
Aurora — Hoje meu filho vem pra cá, eu vou sair comprar algumas coisas, sei que e o Henrique vai querer comer minha comida, então vou ir comprar as coisas pra fazer uma refeição bem gostosa pra vocês... ___ fala e eu sorrio gostando da forma que ela me inclui na família deles.
— Você é perfeita aurora... Mas se quiser eu te acompanho no mercado? O que me diz? ___ sugiro e ela n**a sorrindo.
Aurora — Não meu bem... Eu vou sozinha, pode fazer as suas coisas, eu me viro tá linda? ___ fala de forma carinhosa e eu concordo sorrindo. — Então eu já vou pra lá tá...
— Tudo bem então, qualquer coisa só me ligar... ___ falo me aproximando dela e dando dois beijos na sua bochecha.
Aurora — Certo minha linda... ___ fala carinhosa e vai se afastando com a sua bolsinha de lado. Eu a considero como a minha mãe, sinceramente, como eu perdi meus pais muito novinha, eu não tive família, só um irmão que eu não conheço, mas sei da sua existência.
Amarro meu cabelo em um coque frouxo e saio indo pro jardim, vejo o Daniel sentado na mesa com o notebook. Me aproximo e ele levanta pra me cumprimentar.
— O que está fazendo por aqui tão cedo? ___ pergunto na dúvida e ele puxa um sorriso de canto.
Daniel — Eu queria ter outros motivos pra me aproximar de você, mas eu sei até onde posso chegar... Bom, a minha vinda aqui é resumida em um trabalho, sei que você é muito boa no que faz, temos um projeto pra doze meses... Por conta da empresa eu não posso me deslocar pro Brasil, mas eu sei que posso confiar em você... ___ fala com suspense e eu arquei minha sobrancelha, não entendendo.
— Fala de uma vez Daniel... Você me deixa ansiosa ___ falo batendo o pé no chão e ele da risada. — Não ri poxa... É sério.
Daniel — E um dos maiores condomínios no Rio de Janeiro... ___ fala e no mesmo momento eu sinto um arrepio percorrer por todo meu corpo, meu coração palpita forte dentro de mim, parecendo que a qualquer momento vai sair pela boca — Você não precisa ir na obra todos os dias, só vai quando é necessário e acompanha por chamada de vídeo, você só precisa tar lá pra quando eles precisarem de você, tu possa correr pra lá no mesmo momento ... Até no quesito da planta do condomínio, o que você me diz? ___ pergunta e eu mordo meus lábios pensativa, eu sei que é o meu trabalho, mas eu não queria voltar pro rio de janeiro, não queria mesmo.
— Você me pegou de surpresa... ___ digo suspirando fundo, em cinco anos que eu estou aqui na Itália eu nunca mais voltei pro Rio, nem sei como as coisas estão lá.
Daniel — May eu não vou te obrigar a nada, mas é uma grande oportunidade e se eu fosse você, não perderia. Porém, está nas suas mãos, quem sabe quando eu for pra lá eu posso te auxiliar também, mas eu vou embora e te deixo pensar, amanhã você me fala, pode ser? ___ pergunta e eu concordo
— Tudo bem... amanhã eu te falo, peço desculpas por não ter a resposta na hora, mas não é uma decisão rápida e eu não quero tomar nenhuma decisão precipitada, sei que me entende e agradeço por isso... ___ digo cumprimentando ele com um beijo no rosto e o mesmo aproveita a oportunidade e cheira o meu pescoço, fazendo eu me afastar no mesmo momento — Eii... não faz isso, eu já falei contigo..
Daniel — Desculpa Mayara... não resisti o seu cheiro gostoso, tu é uma mulher linda, não entendo o motivo de querer ficar sozinha... ___ fala e eu passo a mão no rosto
— Só eu sei o porquê eu não quero envolvimento com ninguém... peço que respeite os limites... ___ digo séria e ele concorda.
Daniel — Certo, me desculpe... não retornarei a fazer isso mais ___ fala e eu não respondo nada — Bom, eu já vou indo, não esqueça de me dar a resposta...
— Pode deixar... ___ digo por fim e ele somente pega o notebook e se afasta.
Suspiro fundo sentindo uma leve pressão no peito, não acredito que depois de anos eu irei voltar pro rio de janeiro. Não sei se estou pronta pra isso, preciso pensar direitinho, vai ser uma mudança muito radical.
Cida — Desculpa a demora do suco May.. ué cadê o seu Daniel? ___ pergunta segurando uma bandeja com dois copos de suco, eu pego um.
— Ele foi embora Cida... pode tomar o outro, se quiser ___ digo experimentando o suco de maracujá e que delícia, me afasto da cida e sigo pra dentro. Vejo que a dona Aurora ainda está na sala de estar. — Ainda não saiu Aurora?
Aurora — Ainda não minha filha... tava vendo o que vou fazer pra hoje... você vai jantar com a gente né? ___ pergunta e eu mordo meus lábios não querendo decepcionar ela, mas também não tô com cabeça pra sair do quarto hoje. — May, tá tudo bem? você tá tão longe...
— Meu chefe me passou um trabalho lá no Rio e eu não sei se quero ir... ___ digo dando a volta e sentando do seu lado no sofá.
Aurora — Quanto tempo você vai ficar lá? se quiser eu vou contigo e depois voltamos pra cá, o que acha? ___ pergunta e olho pra ela surpresa.
— O que? você quer ir comigo também? ___ pergunto e ela concorda sorrindo — Mas é um ano fora, a senhora vai aguentar ficar longe da sua casa todo esse tempo?
Aurora — Não sei... mas não custa tentar, preciso passar mais tempo com os meus filhos também, Rebeca e Henrique, acho que será uma boa... não só pra mim, mas pra ti também, uma boa oportunidade de emprego não bate na porta duas vezes, minha filha... ___ fala acariciando minha mão e eu concordo.
— A senhora tem razão... vou pensar direitinho sobre isso... ___ digo e ela deposita um beijo na minha mão e eu abraço ela. Dona Aurora é como a mãe que eu não tive, nesses cincos anos que passaram, ela quem cuidou de mim e eu sou muito grata por isso.
Depois de anos eu vou rever o Caveira também, no primeiro ano ele sempre mandou dinheiro pra mim, mas eu consegui um trabalho aqui e pedi pra ele parar de mandar, porque ele não tinha obrigação. Mas a gente nunca mais se viu, a última vez foi antes de eu vir pra Itália, depois disso nunca mais, todas as vezes que ele vem aqui, eu nunca estou, chega a ser engraçado a gente nunca se encontrar, mas parece que hoje vai dar certo da gente se ver no jantar...
Contínua...