Capitulo 40

2439 Palavras
— Eu sei. — fungou. — Escute, faça o que eu digo, diga que se enganou na soma, diga que está grávida de dois meses. — incentivou. — Não posso. — ela sussurrou. — E por que não pode? — Porque a última vez que acasalamos foi há três meses, por aí... Faz muito tempo. — pôs a mão no rosto. — Oh my god ! — Ai meu pai do céu... Sofya, você se meteu em uma roubada, por que fez isso sua doente?! — Úrsula andava de um lado para outro, perplexa com a lentidão da nora. — Por que eu achei que você iria pensar em algo. Foi a primeira coisa que me veio a cabeça. — com a voz embargada. — Como assim? Eu pensaria em algo? Eu não faço milagres querida! — ela disse negando com a cabeça. — Se você fosse uma mulher como posso dizer... Normal, eu poderia ajudar você a engravidar, mas você não pode engravidar normalmente e ainda por cima não teria nem como, você disse que estava de três meses e seu filho por um acaso nasceria com doze meses? Resumindo Sofya, não tem escapatória, a não ser que você sofra um falso aborto. — Mas se eu sofrer um aborto ele vai me abandonar. — Deixe-o abandonar! — Úrsula rolou os olhos. — Quando ele abandonar, você tenta conquista-lo outra vez. — Mas ele vai correr pra ela, isso eu não vou permitir. — Então eu não sei o que você quer da vida. — Está bem Úrsula, eu vou tentar segurar essa falsa gravidez até os cinco meses por aí, depois eu dou um jeito de dar um sumiço nesse falso filho. É o tempo que eu preciso para conquistar o meu marido outra vez. — ela disse esperançosa. — Ou pelo menos pra gente voltar a dormir no mesmo quarto. — Bem, é o melhor a se fazer e espero que ele não descubra antes... Senão a secretáriazinha vai ganhar a melhor e vai ser muito bem feito pra você. Preciso desligar, até breve. — Tchau. — sussurrou e desligou a chamada. Agora ela estava apavorada, não sabia se conseguiria disfarçar essa gravidez durante dois meses, mas ela tentaria e que Deus a ajudasse para que Josh não descobrisse nada. Ela cruzou os dedos e saiu do escritório. ¨¨¨¨ Joshua chegou a empresa e não encontrou Any, a mesa dela estava vazia e ela não estava em lugar nenhum, com certeza estava atrasada. Resolveu esperar na sua sala, ela não tardaria a chegar.  E realmente não tardou. Dez minutos depois a cacheada apareceu sorridente. — Meu amor! — ela correu até ele, com os olhinhos brilhando. — Que saudades! — dando um selinho demorado nele. — Desculpa a demora, é que eu fiquei um pouco enjoada e minha mãe não queria me deixar vir, mas como eu já me sentia melhor e estava super curiosa pra saber o que aconteceu com a Sofya, eu vim mesmo assim. Ele deu um sorrisinho nervoso e Any o encarou. — E então? — ela sorriu. — Como foi? — Vamos conversar na minha sala. — ele passou a mão na nuca. — Lá é mais tranquilo.  Any assentiu seguindo-o. — Nossa... — ela deu um sorrisinho desconfiado. — Está me deixando nervosa. Os dois entraram e ele encostou-se a mesa encarando-a, ela sentou na cadeira a sua frente. — E então, ela vai dar o divórcio ou não? — perguntou ansiosa. — Pois é meu amor... — ele passou a mão no rosto. — Aconteceu uma coisa inesperada. — E o que aconteceu? — ergueu a sobrancelha. — Er... — ele murmurou nervoso, não sabia nem por onde começar. — Sofya está grávida. — disse por fim. Any arregalou os olhos e jurou que tinha ficado pálida. A coelha? Grávida? Não podia ser. — Er... Meus parabéns. — ela assentiu, com um nó na garganta. — Vai ser papai... — mordeu o lábio. — Não era isso que você queria? — sorriu de canto. Ele arregalou os olhos surpreso com a atitude dela e sorriu em seguida, Any estava lhe dando os parabéns? Era o melhor que ele podia esperar. — Mas e o que ela disse sobre o divórcio? Deu chilique? — ela perguntou se levantando. Joshua parou de sorrir, estava bom demais pra ser verdade. — Any, a Sofya está grávida... — ele repetiu. — Você não ouviu o que eu disse? — Ouvi sim, não sou surda. — ela se virou pra ele e arregalou os olhos. — Espera aí Josh, você está dizendo que não vai se divorciar dela só por que ela está grávida, é isso? — Any, eu não posso abandoná-la agora... — ele explicou. — E por que não? — perguntou. — Pensão existe meu amigo, você pode se divorciar dela sem abandonar o seu filho, pode ser um pai presente da mesma forma e eu vou adorar ter um enteado. — Any, você não me entende... — ele a interrompeu. — Não é bem assim. Se eu deixar ela, ela pode se matar e matar meu filho também... — PELO AMOR DE DEUS! — ela berrou, o encarando perplexa. — ACORDA! Você acha mesmo que ela vai se matar? — negando com a cabeça, não podia acreditar naquilo. — Isso é chantagem emocional! — A Sofya é muito frágil Any, quando era mais nova ela se alto-mutilava e a psicóloga disse que ela tinha tendências suicidas... — Isso é uma frescura sem tamanho. — zombou. — Você só se importa com ela, não é? — ela o encarou, magoada. — E eu Joshua? — Você é forte, você não se influencia com nada, é perfeita... É por isso que te amo tanto. — ele a encarou, apaixonado. Any respirou fundo. — Você novamente mentiu pra mim! — ela negou com a cabeça, decepcionada. — Disse que iria se separar dessa mulher e olha aí, ela inventa que está gravida e fode tudo! — Any você sabe que não é assim. — ele suspirou. — Agora eu não posso pensar só em você, eu preciso pensar no meu filho. — Quer saber o que eu sei Joshua? — ela o encarou. — Que você é um mentiroso! — apontou. — Você mesmo me disse que não transava mais com ela, e agora olha só, a mulher está gravida, bravo, traidor! — bateu palmas. — Mas eu nunca menti, faz muito tempo que eu não me deito com ela. Ela está grávida de três meses. — Engraçado não? Ela engravidou meio que do nada. — Any disse, com um risinho. — Note que uma mulher grávida tem enjoos, tem desmaios e você nunca me contou nenhum sintoma desses. — O que está insinuando? — ele ergueu a sobrancelha. — O que eu estou insinuando? — Any arregalou os olhos. — Não está óbvio? Estou dizendo que ela está MENTINDO! Que ela não está gravida droga nenhuma e que ela só fez isso para que não se separasse dela. E isso que eu estou insinuando Joshua. — Você não pode dizer isso, a Sofya não seria capaz de mentir sobre algo tão sério, eu conheço a minha mulher! — ele disse certo. — Tudo bem. — ela assentiu, dando de ombros, Josh era muito o****o. — Depois não diga que eu não avisei e que você não quebre a cara depois. — Eu vou ter que adiar o divórcio. — ele disse tentando quebrar aquele clima. — Espero que não se importe em esperar mais um pouco. Any gargalhou, irônica. — Se eu me importo em esperar mais um pouco? — ela cruzou os braços. — Que merda Joshua vai se f***r! — negando com a cabeça. — É assim que você diz me amar? — Any, eu te amo e você sabe. — ele disse a encarando. — Pois se você me ama tanto quanto diz, você vai escolher agora, nesse momento... — batendo na mesa. — O que você quer pra você! — ela o encarou. — Por que eu não aceito mais ser a outra! — ele arregalou os olhos, a encarando estático. — Escolhe Josh... Ou ela, ou eu? Ele sentiu o ar faltar enquanto encarava a garota a sua frente, ele não podia escolher entre as duas, Any não podia fazer aquilo com ele. — Any você não pode fazer isso. — ele tragou a saliva. — ESCOLHE! — ela fechou os olhos. Ele abaixou a cabeça e encarou o teclado do computador, não podia escolhê-la e deixar Sofya sozinha, seu coração dizia Any, mas seu consciente dizia Sofya. Ela o encarou e assentiu. — Ótimo, eu já entendi. — assentiu com um buraco no peito, mas não iria dar o gostinho de chorar na frente dele, não mesmo. — Mas eu vou te dizer uma coisa Josh. Você escolheu ficar com ela, mas eu não quero que se aproxime de mim nunca mais. Você pra mim morreu. — Any, não diz isso... — com os olhos molhados. — Eu te amo. — CALA A BOCA! — ela berrou, pegando o anel que ele lhe deu em Paris e jogou o mesmo na cara dele. — Você não me ama droga nenhuma! — o encarou. — Só queria me comer de todo o jeito e depois descartar, me usou já que o sexo com a sua mulher era horrível e queria coisas novas, como eu fui trouxa. — riu irônica.  Ele negou com a cabeça, suplicante.  — Quer saber Joshua? f**a-se! f**a-se você, f**a-se a Sofya, f**a-se esse seu filho, eu quero que vá tudo pra p**a que pariu. Vocês se merecem! — ela bufou, enquanto ia até a porta, mas respirou fundo e voltou caminhando até ele. — E isso é por todos esses meses que você me usou! — virou a mão na cara dele com toda a força que pôde. — Já estava merecendo há muito tempo. — virou-se novamente e saiu. — Any, por favor, vamos conversar. — foi atrás dela e a viu recolhendo suas coisas. — Pra onde você vai Any? — Estou me demitindo! — ela disse. — Vou passar no RH, pegar minhas contas, eu não quero olhar pra você nunca mais na vida. — Any... — ele arregalou os olhos, começando a se desesperar. — Any você não pode fazer isso meu amor. — Se me chamar de "meu amor" de novo eu quebro a sua cara em duas partes. — ela disse fria, enquanto entrava no elevador. — Espera! — ele impediu o elevador de sair. — Não pode se demitir, ainda faltam duas semanas para o contrato vencer. — disse com esperança que ela desistisse. — f**a-se o contrato!— ela riu. — Eu vou buscar minhas coisas lá do seu apartamento hoje mesmo e amanhã eu mando a chave pra você, não se preocupe. Adeus, chefinho. — sorriu ironicamente e o elevador se fechou. Any mordeu o lábio, segurando o choro, não podia acreditar que ele mais uma vez tinha feito-a de i****a, quem ele pensava que era? Ou melhor, quem ele pensava que ela era? Apesar de ser considerada uma v***a por toda a sociedade, ela era apaixonada por ele.  O amava com todo o seu coração e ele só brincava com ela, sempre a deixava em segundo plano, mas aquilo acabou, ela não iria mais aturar aquelas humilhações. Já deu o que tinha que dar. Que ele ficasse com Sofya e esse bastardo.  O elevador se abriu e ela deu de cara com Clarice, ignorou a velha e saiu com o nariz empinado e a cabeça erguida, em direção ao RH. Resolveu tudo o que tinha que resolver, estava tudo certo, recebeu o que tinha direito e ficou de fazer o exame demissional.  Saiu e viu Joshua parado na porta. Ela o ignorou e ele a segurou. — Any... — ele disse com a voz embargada. — Por favor, não faz isso. — disse não se importando se tinham funcionários ali. — Eu te amo, eu não vou conseguir viver sem você. — Quer saber? Você consegue sim! — deu dois tapinhas no ombro dele, engolindo o choro. — Vai cuidar da sua vida Josh, que eu também vou dar um rumo pra minha. — Não... — ele disse, a segurando pela mão. — ME SOLTA! — se soltou com brutalidade. — Eu espero que você seja muito feliz, com sua mulherzinha e seu filhinho. — sorriu falsamente e entrou no elevador. — Até nunca mais. O elevador se fechou e ele pôs a mão no rosto completamente desesperado. Olhou ao redor, não estava acreditando que ela tinha o deixado. Ele esperava tudo, menos que ela fizesse isso. A ficha ainda não tinha caído, parecia que daqui a pouco ela sairia do elevador rindo e dizendo que era tudo uma brincadeira, e que ele tinha caído como um pato, mas não foi o que aconteceu.  Any tinha ido embora mesmo, olhou ao redor e viu todos os funcionários o olhando, não se importou, tinha certeza que a maioria deles já sabia que ele estava perdidamente apaixonado pela sua secretária. Encarou Clarice e murmurou quase inaudível. — Me mande uma secretária... Por favor. — ele murmurou.  A mulher assentiu satisfeita e ele saiu. ¨¨¨¨ Any saiu do elevador quando o mesmo chegou ao térreo, caminhou a passos largos até seu carro. — Cachorro... — disse engolindo o choro enquanto abria a porta do seu carro. — Abre logo droga! — sacudindo, até que a porta se abriu. — Ele vai ver só... — disse sentindo uma lágrima rolar. — Coelha filha da p**a. — bateu no volante com raiva e suspirou. Sofya até que tinha sido esperta, inventou uma mentira e se deu bem. Sim, ela tinha certeza que era mentira, ela só fez isso pra ganhar tempo, só queria ver de onde aquela mula iria tirar um bebê? Olhou para trás pela última vez e viu o elevador fechado, pelo jeito ele não iria atrás dela. — f**a-se Joshua Beauchamp... — disse caindo no choro. — Você ainda vai me pagar por ter me usado! — ligou o carro com um pouco de dificuldade e se dirigiu pra fora daquele estacionamento. Não aguentava mais ficar naquela empresa. Dirigiu até o prédio, fazia questão de tirar todas as coisas dela daquela casa. Não queria mais saber daquele cachorro. Entrou sem nem cumprimentar o porteiro, o que o deixou encabulado, pois sempre que ela chegava o cumprimentava com um belo sorriso.  O homem deu de ombros e voltou ao seu trabalho.
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