Era umas nove da noite quando sai para dá uma volta no parque em frente ao prédio onde moro.
Me sentia muito melhor, se comprado ao dia anterior, meu corpo se mantinha em uma estado febril, mas não era nada pior do que ficar deitado sentindo o corpo ficar atrofiado.
Estava um pouco frio, e eu havia esquecido de levar um casaco, mas mesmo assim não voltei. Coisa rara de acontecer, eu adorava uma boa camisa moletom, o que me deu a sensação de está pelado no meio da rua.
Foda-se. Eu não ia voltar.
Fazia dias que eu não saia de casa. Até parecia que eu estava de quarentena, era um saco isso.
Eu me sentei em um banco e estirei um pouco as pernas, suspirando de cansaço.
Tinha um furo na perna da minha calça, eu fiquei encarando ele até ficar incomodado o suficiente para dobrar a barra da calça e esconde-lo. Quando dei uma olhada novamente, o resultado parecia mais agradável.
—Traça maldita. Deixa só eu comprar o SBP para você ver só uma coisa.__ Era a minha calça favorita, e estava ficando cheio de furinhos.
Eu tinha comprado essa muda de roupas durante uma queima de estoque que teve no shopping do outro lado da cidade. Eu demorei um tempão para chegar lá, mas tinha válido a pena, por quê eu tirei uma foto com o Mickey. O rato versão brasileira que fez até as criancinhas chorarem, mas ainda sim era o Mickey.
Mamãe que adorava esses eventos cheios de gente, sempre me puxava para todos os lados quando ainda morávamos juntos. Apesar de eu odiar, então era normal eu sentir falta. Não de ser arrastado, mas dela.
Minha mãe era incrível.
Eu devia ter feito mais por ela, se eu parasse para pensar, fui muita ingrato e insensível.
Eu deveria pelo menos ter lavado a louça quando ela estava muito cansada ou massagear seus pés. Eu devia ter abraçado ela mais vezes e ter recebido seus beijos de despedia de bom grado, mas eu era ser humano, e um filho da p**a egoísta na adolescência.
Mas quem era que não tinha feito merda quando era moleque? As minhas eram aquelas do tipo que cutucava, apareciam de vez em quando me lembrando que eu não podia errar de novo, e isso tirava minha paz. Em todo caso, eu tentava levar numa boa, usando tudo, todo o resto como adubo, depois eu dava uma regadinha ali e acolá e me livrava das pragas que podiam me atrapalhar, por quê assim eu poderia crescer, gerar frutos ou até mesmo ter uma pele velha e uma dentadura presa com corega na boca.
Tipo essa senhorinha andando com sacolas pesadas, parando de vez em quando para massagear a coluna.
Ela com certeza tinha hérnia de disco.
A rua tinha uma ladeira bem inclinada mais a frente e a mulher, que andava sozinha, parecia realmente disposta a subir. Mais do que eu, pelo menos.
Eu a observei, me perguntado se um dia eu chegaria nessa idade com tanta disposição, e com coragem para andar sozinha na noite.
Era São Paulo, Brasil, ela por acaso não sabia que se bobear levavam até as roupas de baixo?!
Levantei rapidamente, ajeitei minha camisa amarrotada e fui ajudá-la.
—Senhora? Tudo Bem?__ não me aproximei muito, tinha que pelo menos da um pouco de espaço para ela pensar se eu era boa pessoa ou não. __ A senhora mora por aqui?
—O que você quer?
—Nada... Eu moro aqui.__ apontei para a pensão.
—É inquilino de Mercedes?
—Mercedes vendeu o estabelecimento a três meses.
—Como é que é?
Ela olhou para o lado, depois para frente, até que me achou.
Bonita.
Ela podia ser de idade, mas era realmente bonita! Uma ômega? Parecia ser modelo, estava bem arrumada e usava um pouco de batom.
—Conheceu Mercedes?__ perguntei, por que a mulher era uma bruxa.
—Eu moro aqui a quarenta anos, conheço todo mundo.__ ela me olhou de cima a baixo.—Menos você.
—Eu moro aqui a cinco anos.
—Onde?
—Ali... Na pensão.
—Eu passo aqui nessa rua todos os dias, como eu nunca vi você?
—Não saio muito de casa.
—Que jovem hoje em dia sai de casa? Passa o dia inteiro com a cara enfiada no celular.__ ela começou andar novamente e eu a segui.
—Posso pelo menos levar o saco de adubo? Prometo que fico a uns dez passos da senhora.
—Não tá querendo me roubar não, né?__ ele me fuzilou com o olhar
—Por que eu iria roubar terra?
—Você pode querer me matar e vender os meus órgãos.
—A senhora ainda pode ser doadora?
—Esta me chamado de velha?
—Nova que a senhora não é, né?
Ela franziu as sobrancelhas e acertou o saco de terra no meu estômago.
—Que abusado você. Sua mãe não te ensinou a ter respeito não?
—Ela me ensinou que mentir também é errado.__ provoquei.
—Hunf!__ ela virou o rosto de lado e apertou o passo.—Qual o seu nome?
—Benjamin.__ respondi rápido.
—De onde você é?
—Sou do RN. Litoral.
Uma cidadezinha pequena, mas tinha praias lindas.
—E saiu de lá para morar aqui por quê?
—Estou fazendo tratamento.
—Você tem câncer?__ sua voz ficou miúda.
Não! Já bastava o que eu tinha passado quando era criança.
—Não esse tipo de tratamento.__ apertei o passo.__Tenho problemas com o meu sub gênero.
—Segundo gênero?__ Ela parecia curiosa e perguntou isso ao mesmo tempo em que eu falei
—A senhora tem hérnia de disco?
—Oh! meu jovem, estou morrendo com dor nas costas. Como descobriu?
—Não parecia que a senhora estava tentando esconder isso.__ murmurei.—Onde a senhora mora? É muito longe?
—Moro a algumas ruas daqui, não é muito longe.__ ela lançou um sorriso fraco, parecia sentir muito desconforto.
—Deixe-me ajuda-la.__ ofereci.—Prometo que não vou tentar nada de mal.__ tentei parecer confiante.—Minha falecida avó tinha esse problema.
—É normal, dado que a gente faz uso da caveira para aguentar a vida. Agora me diga... Que tipos de problemas você tem com o segundo gênero? Você é um ômega?__ indagou, aqueles olhos com traços orientais pareciam ainda mais bonitos.
—Vim despertar faz apenas algumas semanas.__ contei.
—Quantos anos tem?
—Vinte e cinco.
—Vinte e cinco?__ berrou.— Eu achei que fosse uns...Quinze.
—Obrigada._Sorri agradecido, desde que eu tinha passado pelo processo de mudança para me adaptar ao meu segundo gênero a minha aparecia tinha ficado muito jovem, apesar de que os meus traços já estivessem bem definidos.
—Por que só agora? Uma coisa assim existe?
Ela virou o rosto em minha direção, os olhinhos apertados cheios de curiosidade.
—Sou um ômega recessivo.
—Ah...__ ela fez uma cara de surpresa.— isso é muito raro!
—Os cientistas dizem que não aparecem ômegas recessivos a pelo menos setenta anos.__ comentei, mas ela mais o que eu sabia disso.
—A minha sogra era uma, morreu ao da a luz ao meu marido. Eles viviam em uma área pobre e marginalizada de Londres.
O quê?
—Sabe alguma coisa sobre isso?__ perguntei curioso. Os documentos históricos sobre os ômegas recessivos eram muito poucos. Isso poderia ser um grande achado!
—Não... Meu marido é quem poderia saber de alguma coisa, mas ele disse que seu pai morreu quando ele tinha doze anos, e nunca teve tempo de ensinar aos filhos essas coisas. Mas, naquela época eram outros tempo, e ainda tiveram que fugir da guerra.
Ah...
—Que pena...__ falei.— sinto muito pelo o seu marido.
Ela assentiu.
—Mas possa ser que ele possa ajudar você. Ele as vezes conversa com o vizinho que tem uma condição parecida com a sua. Meu marido foi psicólogo por quase cinquenta anos.
—Cinquenta anos? Uau, isso é muito tempo.
—Nem me diga...
Nós ficamos calados assim que dobramos a rua e seguimos reto pela a principal. De certa forma, ela foi a quebrar o silêncio quando disse.
—Benjamin? Como da historia do beija-flor?
História do beija-flor?
—Só Benjamin.__ sorri.
—humm...__ ela me olhou de cima abaixo.—Mas você parece com o Benjamin que eu conheço.
—A senhora tem algum neto chamado assim?
—Neto? Eu pareço tão velha assim?
—Não! Não! A senhora parecer sem bem jovem, pela a idade.__ o quê diabos você está dizendo?— Mesmo eu nem sabendo a sua idade.__ eu era realmente patético.—Desculpa, não quis ofende-la.
Ela fez uma carrancada, e quando pensei que seria repreendido ela gargalhou alto.
—Hahaha! Não se preocupe com isso. Eu sou mesmo velha. Não é atoa que estou toda desengonçada.
Eu ri junto, por quê era única coisa que podia fazer no momento.
Limpei a garganta e pigarreei antes de falar.
—Posso perguntar por que disse que sou parecido com a alguém que conhece?
—Por que é... Oras...
—É que a senhora me lembra a minha avó, também.
—Eu pareço sua vovó? Como ela era?
—Bonita como a senhora. E tinha problema na coluna também. Mas já morreu, a muito tempo.
—Obrigada.__ agradeceu com um sorriso.— Como eu disse, é o m*l da idade, a gente quando vai ficando velho começa a dá defeito.__ riu de novo.— Meus sentimentos pela a sua perda.
—Obrigado.
—Falando sobre o Benjamin que conheço, é sobre uma estória que a minha avó me contava.
—Sério?
—Uhrum. É verdade.
—Eu nunca ouvi essa história.
—As crianças de hoje em dia não se interessam por histórias fabulosas ou contos de fada. Nem adianta contar a história do papai Noel, eles já sabem que é só uma pessoa qualquer com uma fantasia para gerar publicidade.
—Isso é verdade.__ concordei com a cabeça também.—Mas eu estou interessado.
Na verdade estava mais curioso, tinha um conto sobre o meu nome, tipo a Alice ou a Bela.
—Bem, deixe-me ver se lembro.__ ela ficou calada por alguns instantes.—Havia um jardim, onde todas as flores do mundo estavam presentes, conhecido com o paraíso das cores.
—Sua avó inventou isso?
—Ela era muito criativa, é uma pena que a sua inteligência tenha sido oprimida. Continuando...
E em meio a esse jardim, nasceu um flor que não era bonita, nem perfumada, tão pouco tinha talento para nada, as outras flores logo começaram a excluí-la. Triste a flor saiu do jardim e foi para os campos onde as ervas daninhas estavam. O beija flor, o mais galanteador e mais importante polinizador, que era também muito orgulhoso, se interessou pela a flor que estava com as ervas daninhas. Ele se aproximou, e pousou em um galho de árvore e encarou a flor.
"Por quê está aqui? E não no jardim?" Ele perguntou.
"As outras flores não gostam de mim, por isso vim para cá." Respondeu.
"Por que elas não gostam de você?"
"Sou uma flor feia, não tenho cheiro, e uma cor estranha." Disse ela, meio murcha e cabisbaixa.
"Mas você é uma flor."
"Nasci como uma flor, mas não pareço uma."
"Qual o seu nome?" Perguntou o Beija flor, batendo as asas e planando até o chão, onde ela estava.
"Eu não tenho um nome".
"Eu também não, me chamam de beija -flor só por quê esse é o meu trabalho, mas nunca de fato alguém beijou a mim ou me deu um nome. Já que ninguém gosta de você florzinha, quer vir junto comigo?"
"Com... você?" ela ergueu sua face, e olhou atentamente... está me escutando?
—Sim? Estou sim.__ afirmei com a cabeça e ela prosseguiu.
—Ela olhou atentamente para ele e perguntou o por quê. O beija flor explicou. "Eu beijo flores por quê preciso de seu néctar, elas me atraem, assim como atraem as abelhas e as borboletas, o que me faz querer ter uma flor só para mim, só para beijar a mim. Quer ser a minha flor?"
A Flor se alegrou mas continuava com um imenso pesar, pensou um pouco, e como viu que não teria uma opção melhor, resolveu dá uma chance ao tão falado beija flor. Era natural desconfiar do seu repentino interesse, mas ela não tinha nada para ser roubado, além da sua própria vida.
"Tudo bem, irei com você. Mas com uma condição."
"Qual?"
"Você tem que me dar um nome".
"Um nome?" Ele a observou por um instante, curioso, desde muito longe ela lhe chamara a atenção. Era estranhamente interessante e chamativa, algo nunca tinha visto antes, e logo seu coração bateu mais rápido que suas asas.
"Sim, um nome!" A florzinha estava determinada.
"Benjamin. Esse será o seu nome, por quê todas as vezes que eu lhe chamar, será você a me beijar."
—Mora da estória?
—E com isso a flor foi com o Beija flor, tornando-se a sua única amada até o dia em que ela murchou. Com a perda e saudades da sua flor, o beija flor voou aos céus e pediu aos anjos que tivesse mais um dia com sua amada, em troca passou a ser o mensageiro dos mortos, indo na casa das pessoas para avisar que as almas de seus entes queridos estavam em paz.
—É... isso?
—Não gostou?
—Não... Não... Eu adorei! Eu só não conhecia a história, tem alguma moral? Um ensinamento?
Ela me olhou de soslaio, parecendo chateada com a minha pergunta.
—Estava mesmo prestando atenção?
Eu estava sim!
—Desculpa, é que fiquei imaginado a história na cabeça e esqueci de checar as entrelinhas.
—A história do Benjamin é sobre amor. Em algum lugar há alguém para nos amar, do jeitinho que nós somos, independente da nossa aparência. Se bem que, para a nossos amantes sempre somos lindos.__ ela sorriu.
Fiquei calado por uns instantes, absorvendo tudo o que ele havia dito. Tanto que nem percebi quando chegamos à casa dela.
— Obrigada por me acompanhar, essa é a minha casa. Desculpa o incômodo.
—Não foi incômodo.
Ao chegar lá, subindo o elevador até o segundo andar, nós fomos até a entrada da casa dela.
Ela destrancou a porta e gritou.
—Vicent! Cheguei!
—O quê?__ a voz de um homem soou por toda a casa. Ele tinha uma voz grave e meio rouca.
—Eu disse que eu cheguei!__ ela repetiu, soltando um risinho também.
—Mona, você sabe que eu não estou escutando bem!__ ele gritou.
—Vamos, entre.__ ela continuava rindo.
Entrei até a cozinha e deixei tudo em cima da mesa. No caso, aquele saco de terra pesado. Olhando ao redor rapidamente vi um monte plantas espalhadas pela casa.
Um senhor de idade, aparentemente mais velho do que ela, entrou na cozinha, com um borrifador na mão e me olhou curioso.
—Quem é você?
—Me chamo Benjamin.
—Ele me ajudou a carregar a terra até aqui. Seja mais educado e vá pegar água para ele.__ respondeu ela
—Não... Não precisa, eu estou bem.__ falei sem jeito.
—Vamos... Sente-se. A casa cheira a velho e a gato mas nós somos bem limpos.__ ela apontou para a cadeira, passando de um lado para o outro, pegando as sacolas de cima da mesa.
—Eu... Não pensei nisso. A casa da senhora é muito bonita e arrumada. Só não quero incomodar.
—Mas está incomodando, sente-se.
—É melhor se sentar.__ o senhor Vicent disse.
Céus... Onde fui me meter.
—Vou fazer um suco bem gelado. A noite está quente e você suou muito.
—Ah.... Haha... Obrigada.__ eu me sentei na cadeira, conjunto da mesa, e fiquei olhando as borrifadas de água que saia do frasco que o senhor Vicent usava para regar a plantinha cheia de espinhos em cima da mesa.
—Obrigada por ajudar minha esposa, moça bonita.__ ele sorriu.
—Vicent, é um garoto!__ disse a velha, cutucando sua costela. O tal Vicent se assustou, mas não brigou com ela por causa disso.
—Oh! Sério?__ ele me encarou, estreitando os olhos. —Parece uma menina para mim.
—Sua visão tem piorando também?
—Não é isso... Os jovens hoje em dia tem muitos estilos de roupas e cortes de cabelos diferentes. Além do mais, ele tem um rosto tão fino.
Eu passei as mãos no meu cabelo um tanto comprido.
—É por que ele é um ômega.__ respondeu ela.
—Oh...__ ele ergueu as sobrancelhas.— Um ômega é? Não vi muitos homens ômegas na minha vida.
—Sabe o que é mais curioso, querido.__ ela fez uma pausa.— Ele é um recessivo.
—É mesmo?
—Foi o que disseram para mim.__ dei de ombros.
—Mas você já despertou?__ ele perguntou, me olhando todo curioso.
—Há umas três semanas atrás.__ falei.
—Três semanas? Que bom que foi cedo, assim você não vai passar por complicações. Minha mãe também era uma recessiva e só despertou aos quarenta e dois. Ela morreu no meu parto.
—Eu sinto muito muito.__ quarenta e dois?
—Eu também, mas o médico disse que era eu ou ela. Eu não poderia ter feito nada, não é mesmo?
—Acho que não.__ encolhi os ombros.
—Ele tem vinte e cinco anos, querido.__ disse ela.
—Oh... Nossa, achei que fosse mais novo.
—Eu também achei.__ retrucou ela.
A senhora Mona ligou o liquidificador, o que fez a gente ficar calado por um tempo. Quando o aparelho foi desligado o senhor Vicent me olhou e disse
—Tão bonito... Espero que seu parceiro ou parceira seja uma boa pessoa.
—Obrigado.__ eu corei envergonhado, e ao mesmo tempo sem jeito, por que não sabia como explicar para as pessoas que eu era uma pessoa que tinha se vinculado a alguém que nem conhecia.
—Tome.__ ela colocou um copo de vidro sobre a mesa, cheio até a boca. O suco estava tão gelado que uma massa de gelo estava boiando na superfície.—É de manga.
—Ah... Isso é ótimo. Obrigado.__ peguei o copo e dei um gole pequeno, por que o suco quase congelou as palmas das minhas mãos.
—Está muito forte?
—Está perfeito.
—Você soa muito, sua camisa até está molhada. Isso não é bom, deve trocar muito de roupa durante o dia. Meu filho também é assim.
—Ah...__ na realidade eu estava era com um pouco de frio, não achei que estivesse fazendo calor. Isso era...
Estava na hora de eu ir para casa.
—Mona, Benjamin não está com calor.__ ele me olhou preocupado.__ Você já tomou os seus supressores, meu filho?
—Ah... Não, eu sou vinculado.
—Mesmo assim. Mesmo que ninguém mais sinta o seu cheiro, e que o aroma do seu alfa te ajude a andar pelas ruas de forma mais confortável, você ainda pode ter uma queda de pressão ou coisa do tipo.
—É que...__ olhei para os dois.
—Tudo bem, não estamos repreendendo você. É normal esquecer os comprimidos em casa uma vez ou outra. Só é bom tomar cuidado.__ Disse a senhora mona.__ Eu mesma era uma cabeça de vento.
—Tomarei cuidado.__ falei.
Tomei mais uns três goles de suco e levantei da mesa.
—Deveria ter vestido um casaco antes de sair. Você está com febre, né? Espere um pouco vou pegar um xale.
—Não estou com febre... Isso, é normal.
—Oras... Não seja educado de mais, aceite a gentileza dos outros. Eu volto já.
Ela pegou o copo sobre a mesa e colocou na pia, depois saiu por uma porta.
—Deve ser difícil. Você tem um corpo especial, não é mesmo?
—Ah... As coisas só...
—Em momentos assim fique perto do seu companheiro.
Ah...
—Não sei quem é...__ eu disse baixinho.
—Perdão, o que disse?
—Está aqui.__ Mona voltou com um xale bordado em mãos, então colocou ele sobre os meus ombros.
—Obrigada. Devolverei.
—Acho bom mesmo. Era da minha avó.
Eu dei risada.
—Tome.__ A senhora colocou uns saquinhos com ervas dentro de uma sacola e me entregou.—Vai ajudar com as dores.
—Obrigada.
—Quer que eu o acompanhe até em casa?
—Quê? Não! A senhora quase não subiu aquele alto.
—Está dizendo que estou velha?
—A senhora não é velha?
Ela bufou.
—Obrigada.__agradeci de novo.
—Eu que agradeço meu jovem.
O casal me acompanhou até a porta e e eu me despedi deles.
—Ainda é cedo mas tome cuidado. Aqueles moleques de moto não respeitam ninguém.__ Disse a senhora Mona.
—Certo.
—Quanto tempo faz que despertou?__ perguntou o senhor Vicent.
—Três semanas.
—Três... Hum...__ ele coçou a barba, parecia que queria me dizer alguma coisa.—Vai dá tudo certo, você tem sorte.
Esse negócio de sorte de novo.
Eu sai da sua casa com um sorriso de orelha a orelha, mas parei de sorrir quando minhas pernas cederam.
—Droga.__ eu disse antes de cair de cara no chão.
Meus feromônios começaram a escapar do meu corpo. E tanto meu pênis quanto a minha b***a ficaram molhados.
Não conseguia me mover e estava a ponto de chorar.
—Meu Deus! Benjamin!__Disse a senhora Mona.
—Espere... Não se aproxime.__Falou Vicent.
—O que está dizendo? O garoto desmaiou!
—Mona... Escute...
Só vi a porta ao lado se abrindo, um vulto, talvez uma pessoa, por causa da ardência nos olhos eu não conseguia ver bem, mas quando se aproximou um pouco mais eu vi que eram pés descalços que estava ali.
—Hey, está bem? Oh minha nossa! O que aconteceu?__ disse uma terceira voz.
—Vamos para dentro.__ O senhor Vicent disse por fim.
Um homem, ele se abaixou e tocou o meu ombro. Foi como um choque, meu corpo parecia que iria explodir
—Quente.__ murmurei.
—Espera, esse cheiro... Me-Meu... ômega?