Lívia A noite envolvia o Morro com o manto espesso de quem sabe guardar segredos cruéis. Eu jamais imaginara sentir tanta energia correndo pelas veias ao me preparar para a ronda noturna que Micael organizara. A luz laranja dos postes tortos m*l alcançava o asfalto esburacado, e eu vesti meu traje de pilotagem — couro preto, reforços nos ombros e joelheiras embutidas — como quem se coloca uma armadura. Na cintura, o coldre da pistola me lembrava da responsabilidade de ser mais que um troféu: era parte do exército de um senhor de guerra. Ele surgiu no pátio com a minha moto favorita: uma máquina veloz, silenciada, pintada de n***o fosco. O ronco do motor ainda aquecendo era música. Micael vestia jaqueta de couro escuro, capacete fechado na cor do céu noturno. Quando o vi, senti o coração

