Ofegante, Rebeca respondeu, fechando os olhos:
— Tudo bem!
Neto deu um selinho. Foi muito delicado no começo. Começou a beijá-la sem língua, só a deixando sentir sua boca e pegar o ritmo. Aos poucos, foi aumentando a intensidade e, naturalmente, aconteceu: o primeiro beijo de verdade dela.
Quando pararam de beijar, ele sorriu e falou:
— Nem doeu, viu?
Rebeca sorriu envergonhada, abaixou a cabeça e ficou abraçada a ele. Neto a pegou no colo, ameaçando jogá-la na piscina. Falou que a soltava se ela desse um beijo. Ela respondeu desconcertada:
— Mas alguém pode ver, para com isso, por favor. Não me joga! Eu não quero, por favor, é sério, não me joga. Neto, não!
Ele a soltou e foi para a parte rasa das escadas, falando:
— Eu sei que você não gosta mais de nadar como antes e jamais te jogaria na piscina. Vem! Por favor.
Estendeu a mão, parado de pé na parte rasa. Rebeca estava se cobrindo por causa da transparência. Foi até ele, segurou sua mão e entrou na piscina.
Ele disse para ela ficar abraçada atrás. Rebeca subiu nas costas dele. Neto foi indo para o fundo, carregando-a. Estavam conversando sobre pescar, nadar no rio. Enquanto estava só atrás, abraçada. Não estava acontecendo nada demais e os dois sempre ficavam daquele jeito na água.
Mas, quando ele foi para a parte rasa e a colocou no colo, abraçada de frente, ela se sentiu meio desconfortável. Neto a beijou lentamente, foram encaixando seus lábios, pegando o ritmo, de repente ele foi ficando e******o, puxando-a para muito perto, roçando e ereção na i********e dela, tudo era muito novo para ela, que gostou das novas sensações, mas deduziu que era errado.
Parou de beijá-lo e se afastou desconcertada. Até ele ficou envergonhado, por estar avançando demais. Rebeca foi para a borda e ficou encostada de costas, pensativa. Ele perguntou de longe se ela estava brava. Ela ficou quieta.
Neto se aproximou e encostou ao lado dela. Ficaram se encarando em silêncio. Ele disse que podiam sair da água. Ela falou que queria ficar. Eles ficaram próximos, ele a abraçou por trás, ficou sendo muito carinhoso.
Os dois ficaram conversando sobre carros, ele estava em dúvida sobre reformar um ou comprar outro novo, também falaram sobre a festa, ele pediu pra ela ficar esperta, não ficar de papo com ninguém.
Quando Rebeca disse que queria sair da água, ele foi pegar uma toalha. Trouxe uma camiseta dele e falou que era para ela vestir, porque Júlio estava chegando. E pediu pra ela não ficar indo lá, com roupas curtas, porque o primo dele era pervertido.
Antes de ir embora, Rebeca perguntou por que Célio estava falando dela daquele jeito. Neto respondeu:
— Não fica brava, mas eu contei.
Ela perguntou, com espanto e indignação:
— Contou o quê?
Ele disse que sobre o beijo e que queria ficar com ela. Rebeca ficou quieta pensando no tio. Ele continuou falando:
— Ele não vai contar pra ninguém. Meu pai gosta muito de você e disse que eu preciso tomar cuidado, porque você é muito especial e eu sou um mala.
— E falou que a gente precisa se prevenir.
Neto se aproximou, abraçou-a e falou que os dois iam curtir a festa juntos e que ela podia beber, se quisesse. Rebeca continuou tensa, pensando em tudo.
Ele lhe deu um beijão de perder o fôlego, a puxando contra si, apertando a bun.da dela. Ela estava gostando, ainda que insegura por nunca ter beijado ninguém antes. E nem sido tão tocada.
Foi para casa pensando na roupa que usaria. Tinha comprado uma blusinha diferente, preta decotada. O estilo de Aisha a agradava muito, Rebeca estava se inspirando nela, a via como uma mulher vaidosa, sempre com jóias, roupas agarradas, curtas, estilosas. Era segura de si.
Depois de jantar, Rebeca esperou o tio deitar, ele estava bebendo desde a tarde.
Ela falou que iam ver filme na casa de Neto, reunir alguns amigos. Foi se arrumar. Passou maquiagem só nos olhos para destacar, bastante rímel e lápis preto. Era só o que sabia usar mesmo, e batom vermelho escuro matte.
Colocou a blusa, calça jeans escura agarrada, coturno e deixou o cabelo bem liso alinhado, estava muito brilhante acobreado.
Quando chegou lá, já tinham várias pessoas, estavam espalhados pela casa, ouvindo som alto, bebendo, dançando.
Rebeca foi procurando Aisha. Ela estava na cozinha, arrumando as coisas de comer. Foi logo reclamando de Júlio, falando que queria ficar bêbada.
Rebeca começou a ajudá-la. Só estavam as duas. Ela falou envergonhada:
— Posso te perguntar uma coisa? É que eu não tenho amigas. E nem mãe ou qualquer mulher em casa.
Aisha falou, curiosa, que sim. Rebeca perguntou como sabia que estava beijando bem e como funcionava para aprender. Aisha respondeu, surpresa rindo:
— Ahhh, eu posso te ensinar, mas você vai ter que me beijar. Quer? Umas aulas?
Rebeca deu risada e falou que não. Aisha continuou:
— Não é um bicho de sete cabeças como parece. Na hora é só ir devagar, aí coloca a língua na boca do outro, tipo as bocas se encaixam. Só não pode bater dente, isso não! Nem estar com mau hálito, tem que chupar uma bala, um chiclete. Não pode babar demais também, eca. Vem aqui, vou te mostrar uma coisa!
Ela foi na geladeira, pegou um Danone e começou a mostrar como tomar, beijando. Rebeca deu muita risada e não quis tentar. Aisha falou, rindo:
— Ué amiga, não queria aprender, sua boba? Faz tantos anos, eu só faço tudo no modo automático. Acho que vou virar professora, boa ideia. Assim, só pra saber, você quer beijar ou já beijou alguém?
Rebeca falou, envergonhada, que tinha beijado. Aisha perguntou se ele estava na festa. Rebeca balançou a cabeça que sim. Ela respondeu:
— E é o dono da festa! Acertei?
Rebeca virou um pimentão de vergonha, ficou rindo. Aisha falou que já imaginava e que era normal, mas que não era para ela se entregar por inteira. Rebeca não entendeu muito bem. Aisha falou séria:
— Sua virgindade, menina, caramba, você é muito boba mesmo. Os homens são iguais, sabe?
— Eles valorizam mais o que não podem ter. É só um conselho. Independente de ser o Neto ou não, nunca faça nada pra agradar homem, nunca aceite coisas que te deixam desconfortáveis, com vergonha ou dor.
Rebeca ficou séria e entendeu o que ela quis dizer. Falou que não estava nem imaginando fazer nada com ninguém. Aisha continuou:
— Você pensa assim agora, porque tudo é novo. Mas, quando começar a conhecer as coisas, se envolver mais fisicamente e emocionalmente, não vai parar. Só vai querer sentir cada vez mais e aí que mora o perigo. Você já foi a um médico? Ginecologista?
— Usa anticoncepcional?
Rebeca balançou a cabeça que não.
Neto estava entrando na cozinha com Júlio. Não chegou muito perto dela, ficou olhando reparando, ofereceu caipirinha. Disse que era mais gostosa, adocicada, Rebeca não quis, ficou séria pensativa.
Logo os dois foram para fora, fazer um jogo de ping pong com copos e bebida.
Muito observadora, como sempre foi, Rebeca ficou mais afastada, de olho. Não bebeu nada com álcool.
Ela já havia percebido que quando era a única pessoa que não bebia, via várias coisas que ninguém mais enxergava. Mesmo arrumada ela estava se sentindo um pouco invisível, queria que Neto agisse diferente e isso não aconteceu.
Enquanto foi organizar umas coisas na cozinha, ouviu gritaria no quintal. Jogaram Neto na piscina. Ele entrou, passou por ela, entregou seu celular e foi para o quarto se trocar. Em seguida, uma menina subiu sozinha, era colega da Aisha.
Ela sempre estava com a galera, mas nunca tinha conversado com Rebeca de verdade. Era só oi e tchau. Rebeca sentiu vontade de subir atrás, demorou uns minutos e foi...