Capítulo 13

1918 Palavras
Foi e voltou andando. Era muito longe a pé. Não tinha medo de alguém mexer com ela, mesmo pela estrada de terra a noite. No dia seguinte, Noah foi buscar peças na oficina, viu Antônio e comentou, que havia visto a menina ruiva de lá, na Arena. Antônio perguntou se ela estava sempre indo lá, rindo Noah disse que sim e que era difícil não notar. Perguntou se ela sabia, dos esquemas deles, Antônio ressaltou que não. Quando Neto voltou de viagem, ficou bravo porque ela saiu sozinha. Disse que era perigoso. Rebeca falou, rindo, que era só ele não viajar mais. Ele estava tentando convencê-la a comprar um celular, mas ela achava uma grande perda de tempo, gastando a toa. Um dia, Rebeca estava na cidade, e encontrou Tassiane no mercado. Estava suja e ficou super sem jeito. Tassiane foi gentil a abraçou, pediu desculpas pelo m*l-entendido do passado, disse que tinha um carinho especial por ela e que era grata porque Rebeca foi atrás quando a viu passando por coisas ruins. Perguntou por que ela não foi vê-la, já faziam meses. Rebeca falou que estava trabalhando muito. Tassiane respondeu: — De verdade, eu quero ser sua amiga. Tudo o que passei me ajudou muito a amadurecer. Eu perdoei até o Saulo. E olha só, o Felipe e eu estamos bem. Eu achava que ele estava ficando comigo por pena, por causa da gravidez, mas hoje vejo que não. — Somos muito amigos e namorados, é completamente diferente do que eu tinha com o Saulo. Eu sei que você nem fazia ideia de que ele era a fim de você. O passado é passado, vai em casa qualquer dia! — E olha, o Neto e você tem tudo pra dar certo. Rebeca ficou super desconfortável. Neto viu tudo de longe. Tassiane estava linda, mais que antes. Rebeca se sentiu confusa perto dela, sentindo raiva de ter sido tão ingênua, ficou pensativa sobre o que sentiu por Felipe e sentia por Neto. Ele perguntou se ela estava bem. Rebeca respondeu: — Sei lá, mas não importa. Ele perguntou se ela ainda tinha esperanças com Felipe. Rebeca falou que nunca nem teve. Ele respondeu sério: — Outro dia um cara perguntou de você pra mim, isso sempre acontece. É estranho como a gente se conhece há tanto tempo e não sabe tudo um do outro, porque tem coisas que você não fala. — Já até me perguntaram, se você curtia mulheres. Rebeca falou que, se não falava, era porque não devia ter importância. Ele perguntou se ela já tinha ficado com alguém. Ela ficou quieta. Ele continuou falando curioso: — Você já beijou alguém? Beijão mesmo? De língua? Rebeca respondeu, séria: — Já, quando saí sem você. Me avisa com antecedência da sua próxima viagem pra eu me organizar melhor. E ir beijar de novo. — Você afasta os caras de mim. Ele arregalou os olhos, perguntou, com espanto: — É sério? Quem foi? Dessa última vez? Você tá brincando, né? Rebeca começou a rir e falou, cínica: — É brincadeira, até porque ninguém nunca vai me querer. É algo tão horrível, né? Alguém se interessar por mim! — Não tenho nenhum atrativo, não sei conversar, vivo no meio do lixo. Ele tentou justificar que não era nada daquilo, mas que ela não tinha maldade com as pessoas. E homens mais velhos, iam usar e descartar ela. Rebeca acabou ficando chateada com ele, por se sentir inferiorizada. No fim de semana seguinte, foi até a Arena sozinha, sem avisá-lo. Ela se arrumou bem, colocou um shorts jeans curtinho desfiado, croped preto de manga longa, tênis vans preto. Passou a maquiagem de sempre, bastante perfume. Aisha estava lá, ficou rindo de Rebeca estar sozinha, começou a dar conselhos sobre ela não se apegar a Neto, porque ele era muito imaturo, e podia magoar ela. Rebeca pela primeira vez, conversou bastante sobre como se sentia, falou de Felipe, das decepções com os amigos da escola. Confessou que via Neto como amigo, mas não sabia até onde o gostar de amizade ia. Ela até pensou em ficar com alguém, mas se tremia toda só de imaginar. Aisha ficou incentivando, porque ela via como Neto era controlador, e sabia que ele não era tão comportado nas costas de Rebeca. Quando Neto chegou depois dela, já se aproximou bravo, perguntou porque ela saiu sem o chamar. Rebeca não quis conversar nada, ficou debochando, o deixando muito irritado. Ela foi andar com Aisha, que parou conversar com uns caras, pedindo que fossem comprar uma bebida especial para elas. Noah estava mexendo no carro, com o capô aberto, disse que ninguém ia sair de lá, pra fazer nada a ela. Quando ele olhou, viu Rebeca parada perto, a olhou dos pés a cabeça reparando nela. Aisha percebeu, falou com graça. — Ah Noah, deixa vai. A Rebeca não toma cerveja. — Beca? Vem aqui. Rebeca se aproximou olhando o carro, com as mãos no bolso, era um Maverick vermelho, impecável, muito conservado, com bancos de couro. Rebeca estava aprendendo muito sobre carros. Era o único assunto que sabia conversar direito, com qualquer um. Noah falou que o amigo, podia ir buscar o que a Aisha quisesse. Olhou para Rebeca, falou sério. — Ae, ruiva. Você trabalha na oficina, né? Ela assentiu séria, ele se aproximou, sorriu e falou a olhando fixamente nos olhos. — Meu carro tá falhando. Da uma olhada aí. Ela sorriu com desdém, respondeu séria, sustentando o olhar. — Eu posso desmanchar e vender as peças dele. É isso, o que eu faço. Quer? Noah chegou perto demais, abriu a porta, falou intrigado. — Ah para. Me ajuda aí. E eu te deixo, dar uma voltinha comigo. Rebeca entrou no carro, falou indiferente, mexendo no pedal e embreagem. — Dispenso a volta. Ela tentou ligar, observou o painel, olhou tudo, disse que era o carburador, perguntou se algumas coisas eram originais ou paralelas. Noah ficou em pé, apoiado no carro, a olhando, respondeu às perguntas, disse que qualquer dia ia levar o carro para ela, mexer. Ela disse que podia sim, desmanchar e vender. Ele ficou encantado com o jeito dela, falando firme, calma, séria mas cínica. Ele perguntou se ela queria ir com ele, disse que era o próximo a correr. Ela falou que não tinha coragem de ir no passageiro. Ele respondeu com um sorriso lindo: — Então toma as chaves. Pelo que vi, você conhece mesmo carros, deve saber dirigir. Rebeca estava sorrindo, disse que não queria, ainda mais em um carro falhando. Olhou para fora e viu Neto olhando sério de longe. Saiu do carro e falou que só ia correr com o dela, nunca com o dos outros. Noah estava sendo muito simpático, falou que então seria em breve, porque ela tinha cara de ser uma mulher que sabia se virar e conseguia tudo o que queria. Ninguém tinha falado antes assim com ela, tratando-a como mulher e não menina. Rebeca sorriu e falou gostando: — É, talvez. Vou lembrar desse dia e quero que você seja a primeira pessoa a correr comigo. Ele pegou no cabelo dela, sutilmente, falou chegando mais perto. — Bora dar uma volta comigo. Agora. Ela ficou parada, evitando a investida, chamou Aisha, disse que ele devia ir correr. Ele falou ainda perto. — Se eu ganhar, quero você, a noite toda. Vou te levar pra melhor suíte daquele motel grego. — Duas camas king, hidromassagem, piscina, cadeira erótica. — Você não tem que fazer nada, que não queira. A gente só vai curtir, bem de boa. Aisha estava ouvindo e arregalou os olhos, surpresa. Rebeca sorriu e respondeu, encarando-o séria: — E se você perder? — Você não tem nada que eu queira, ou tem? Ele mordeu a boca, respondeu com um sorriso lascivo. — Eu nunca perdi uma corrida! Podemos fazer um acordo. — Se eu ganhar, vai embora comigo! Só uma carona, não precisa ficar ou dormir comigo. Rebeca falou, séria: — Não! Nem te conheço. Ele disse que não ia forçá-la a fazer nada, que só queria a oportunidade de conhecê-la melhor, já que havia meses que se viam e nunca tinham parado para conversar. Rebeca falou, rindo, enquanto se afastava: — Boa sorte! Ele ficou intrigado com ela, acompanhando-a com o olhar. Aisha ficou rindo, falou para Rebeca que ele era rico, e mexia com coisas erradas, mas que era gente boa. Perguntou se Rebeca estava a fim. Ela falou, rindo: — E eu lá fico a fim de alguém, Aisha? Não sei nem beijar e tá bom assim! — Ele não ia gostar de ficar comigo. E aquelas tatuagens? — E o cheiro do perfume? Olha, que ele é lindo, não posso negar. Estavam caminhando, indo para perto de onde Neto estava. Ele falou sério, nitidamente bravo, que já ia embora. Começou a se despedir de todos e falou para Rebeca: — Tô indo. Vai ir ou vai ficar? Rebeca ficou séria, encarando-o, não respondeu. Aisha começou a falar da proposta que ela recebeu, dizendo que Noah queria muito ficar com ela. Os amigos de Aisha começaram a rir, perguntaram se Neto não era o namorado dela e ainda falaram que iam entrar na fila. Perguntaram se ela estava solteira, ela não respondeu nada, apenas falou que nem ouviu o que Noah estava falando. Neto falou, irônico, que ela parecia bem interessada alguns minutos atrás. Rebeca respondeu irritada: — Talvez. Ele foi tão gentil comigo. Ele ficou mais sério, virou um pimentão de raiva. Aisha desconversou, perguntou da festa, se ia mesmo rolar. Neto disse que ia ver com Célio. Júlio ia vir e convencê-lo de qualquer forma. Logo foram embora, Rebeca e Neto, ele ficou muito quieto o trajeto todo, refletindo sobre Rebeca, achando que ela devia estar ficando com várias pessoas e só ele não sabia. Quando chegaram em casa, ele falou que não ia mais ficar saindo tanto, porque não podia ser pego dirigindo sem habilitação. Rebeca falou que tudo bem. Ele disse que era para ela tomar cuidado. Ela falou que tudo bem de novo. Ele respondeu irritado: — Não faz isso, eu te conheço. Para de falar assim comigo! — Você está me irritando. Rebeca falou que também o conhecia e que, se ele tinha algo para dizer, que falasse logo. Ele respondeu, bravo: — Não vou ficar falando nada. Você disse que sabe se cuidar, que é dona da sua vida, então vai em frente, fica com quem quiser, faz o que bem entender. Só não vem chorar pra mim depois! — Quando se f***r, com aquele cara. Isso é tão ridículo, na moral. Ela suspirou, respondeu chateada: — Não precisa falar assim comigo e começar a me maltratar. Eu não fiz nada de errado. Sempre que qualquer pessoa se aproxima de mim, você faz isso. Eu tô cansada! Ele disse que ela não entendia. Rebeca pediu para ele explicar então, porque não pretendia parar de sair por causa dele. Ele falou que o Noah não prestava e pronto, que ela não sabia bem das coisas e, estando só, podiam machucá-la, abusar dela, porque ela não era como as outras, mas homem nenhum ia entender isso. Que ela era diferente. Rebeca perguntou diferente como. Ele falou: — Você entendeu. Eles olham e te cobiçam, porque você é bonita e não dá a******a, não parece acessível, e isso chama atenção. Duvido que algum deles lá vá enxergar o quanto você é especial e te respeitar. — Eu só falo, pelo seu bem.
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