Melissa narrando. A batida na porta me arranca do transe. Meu corpo inteiro se sobressalta, o coração dispara como se tivesse sido flagrada fazendo algo proibido. — Melissa? — a voz da minha mãe chega abafada, ansiosa. — Está tudo bem? Estão todos esperando para a festa. Eu ainda sinto os lábios latejando, pulsando como se o beijo tivesse marcado minha pele de dentro para fora. A boca parece sensível demais, quente, e o ar que entra e sai dos meus pulmões vem curto, insuficiente. O gosto dele ainda está em mim, espalhado, vivo, queimando. Fecho os olhos por um instante, tentando me recompor, mas falho miseravelmente quando lembro da força das mãos dele segurando minha nuca, puxando-me para mais perto, até que o próprio ar entre nós fosse arrancado. Meu corpo ainda vibra, cada nervo em

