CAPÍTULO 03

2674 Palavras
CAPÍTULO 03 ANGEL FERREIRA — Não sei por que enrolou tanto para me dar uma resposta que eu já sabia. — Convencido! Arrogante! — Só aceitei isso porque preciso, é a vida da minha mãe que está em jogo, e por ela sou capaz de qualquer coisa. — Sou capaz de matar e morrer por ela. — Eu te entendo, mas, mudando de assunto, vamos às regras. — Regras? — Regras? Como assim? — pergunto me sentando. — Bom, esse casamento é de mentira e para as pessoas, e principalmente para o advogado do meu pai, tem de parecer real o máximo possível, mas, quando estivermos só nós dois, vamos ser nós mesmos. — Além de mentir para minha mãe vou ter de mentir para meio mundo? Isso está sendo pior do que eu pensava. — Ninguém da sua família sabe? — Só meu irmão e mais ninguém. Minha mãe, em hipótese alguma, pode saber disso. Eu a conheço e sei como iria reagir a uma coisa assim. — Afirma se levantando e indo para a janela. Nossa, ele tem uma b***a tão gostosa... Angel! Pare! — Quando será o casamento? — Em duas semanas. Quanto mais rápido nos casarmos, mais rápido essa farsa acabará. — Ele vai até a mesa, pega um envelope e me entrega. — Esse é o contrato, não tem muita coisa, só o básico, e deve me trazer amanhã assinado. — Certo. — Pode ir para casa mais cedo, vou precisar sair depois do almoço e tenho mais uns compromissos. Como sei que ontem já adiantou todo seu trabalho, pode sair depois do almoço também. — Sim, senhor — digo me levantando. — Ah... afinal, quanto irá me pagar e quando? Nossa, a que ponto eu cheguei? Me casar por dinheiro! Isso vai contra meus princípios, minha dignidade e meu caráter, mas isso que faço é pela minha mãe e espero que um dia eu possa contar para ela. Ela não vai me julgar, mas mesmo se isso acontecer, não vou me arrepender. Espero! **** Depois de sair do trabalho vou para casa. Chegando lá eu converso com a minha mãe. Ela ficou tão feliz por mim, mas sei que ela só está feliz porque eu estou feliz. Só que não! Vou para meu quarto, tiro a roupa e vou para o banheiro tomar um banho frio, fico lá por cerca de uma hora, pensando em como a minha vida será daqui para a frente. Depois de sair do banho e me secar, vou ao meu guarda-roupa, pego uma blusa branca da Minnie e um short bem curto, seco meu cabelo e o prendo em um coque malfeito, pego o contrato na minha bolsa e deito na cama de bruços para lê-lo. Me sinto a própria Anastásia de Cinquenta tons, mas há uma diferença bem grande! Meu contrato não é de submissão e sim de casamento, porém não passa de uma farsa. Começo a ler o contrato e, como ele disse, não tem muita coisa, só o básico mesmo. Contrato De Casamento: Angel Ferreira e Alex Cooper Regras: 1- Esse casamento acontecerá com o consentimento de ambos os envolvidos. 2- Ninguém, em nenhuma hipótese, poderá saber, a não ser o irmão do senhor Alex Cooper. 3- O casamento, aos olhos dos demais não envolvidos, será normal, parecendo que ambos se amam e são felizes. 4- A esposa (Angel Ferreira) deverá morar com o seu marido (Alex Cooper) até o término do acordo, ou seja, até o marido conseguir a posse legal das empresas. 5- O casamento não será consumado (nada de sexo). 6- Ambos não poderão ter amantes, pois o casamento na frente dos não envolvidos, tem de parecer o mais real possível. 7- Mesmo depois de terminado o contrato, ninguém nunca poderá dizer nada sobre a proposta de casamento. 8- O contrato deve ser cumprido até o final, ou seja, até o marido (Alex Cooper) conseguir as empresas. 9- Caso aconteça de uma das regras serem quebradas, o contrato pode ser rompido por ambas as partes se assim desejarem. 10- Se caso o marido (Alex Cooper) descumprir alguma das regras impostas, ele deverá pagar uma indenização à esposa (Angel Ferreira). 11- A esposa (Angel Ferreira) deve acompanhar o marido (Alex Cooper) a eventos públicos ou a qualquer um que se julgue ser necessário enquanto o contrato estiver válido, sem questionar. Os dois devem agir como se realmente fossem apaixonados. 12- Caso aconteça algum imprevisto em relação ao tempo estipulado do contrato, ambos os envolvidos devem conversar e entrar em acordo em relação ao assunto em questão. 13- O contrato fica válido assim que ambas as partes assinem. 14- Ambos devem assinar um termo de confidencialidade onde declaram legalmente jamais contar a ninguém sobre o contrato. 15- De acordo com todos os termos do contrato, ambas as partes devem assinar abaixo. Depois de ler o contrato de casamento e o de confidencialidade, os assino e guardo na minha bolsa. Vou dormir pensando em como seria a reação da família dele em saber que ele irá casar com uma pé-rapada... Mesmo sendo de mentira, ainda assim vamos ter de fingir e, sinceramente, não sei se isso vai dar certo. **** Ao chegar na empresa, Alex me chamou em sua sala para falar sobre o jantar que sua mãe vai fazer para nos conhecermos. Ele disse que ela reagiu muito bem ao saber que seu filho finalmente irá casar! Disse também que ela não sabe da parte do testamento que afirma que, para Alex assumir as empresas, ele deve se casar. Enfim, estou nervosa. Bem, nervosa é apelido, estou uma pilha de nervos! Vou conhecer a família do meu futuro marido, e, mesmo sendo de mentira, eles não sabem disso e fico imaginando como será a reação dela quando me vir. Será que vai gostar de mim? Espero que sim, mas vamos ver no domingo; Alex e eu iremos para a fazenda dos Coopers no interior do Texas. Alex disse que a família foi para lá depois da morte de Caleb Cooper, ambos foram para fugir um pouco da loucura dos repórteres sobre eles. Nunca fui ao Texas! Para ser sincera, essa viagem me deixou um pouco apreensiva; tenho um pressentimento r**m em relação a essa visita a sua mãe, e peço a Deus que tudo dê certo e que ninguém desconfie de nós. Amém! **** — Você vai o quê?!— Diana gritou. — Xiu... Não grita, não quero ficar surda — digo me sentando ao seu lado. — Mas como pode isso? Ele te pedir em casamento assim do nada, e você ainda aceitar? — Também fiquei assim quando ele me pediu em casamento no restaurante à noite. — Ela solta um gritinho; juro que se ela gritar mais uma vez saio daqui da sua casa surda. — Ele te levou para jantar? Onde eu estava que não soube disso? Por que não me contou? — Nossa, quantas perguntas... — Calma, Di, primeiro eu tenho de te contar uma coisa. — Sei que não podia contar, mas preciso me abrir para alguém e sei que Diana é de confiança. — Desembucha então, mulher. — Me incentiva. Conto tudo para ela, desde o restaurante até agora. Claro que ela fica boquiaberta com toda a história, e o que eu não queria acontece. — Angel, como pôde aceitar um absurdo desses? Você praticamente se vendeu. — Di, eu precisei! Tenho de pagar as contas da casa e o aluguel, minha mãe está m*l, estou desesperada... Não sei o que fazer e essa foi a única forma de conseguir dinheiro rápido. — Se vendendo?! — Diana, não me julgue, sabe que sou capaz de tudo por ela. — Eu sei, mas você poderia se mudar para cá caso não conseguisse pagar o aluguel..., eu não ligaria. — O problema não é bem esse e sim a minha mãe. O câncer dela está em um estágio delicado, precisa de tratamento urgente e muitos remédios, a cada mês os remédios ficam mais caros e o tratamento é uma fortuna! Mesmo se eu trabalhasse e juntasse dinheiro durante um ano, não seria suficiente. Minha mãe precisa de mim e não medirei esforços por ela, que é minha única família e a pessoa que mais amo nessa vida. Perdê-la seria como se uma parte de mim fosse arrancada... Já passei por tanta coisa, que não posso sofrer mais. Eu não quero chorar mais, quero sorrir, ver minha mãe bem e forte ao meu lado. Sei que o tratamento não irá curá-la, mas irá prolongar sua vida. Eu preciso dela, minha mãe não pode partir, eu a amo demais para deixá-la ir. Sou capaz de dar minha vida por ela, peço tanto a Deus que me leve no lugar da minha mãe. Não suportaria essa dor... Só de ver minha mãe doente me dói, imagina quando... Bom, a questão é, a opinião de ninguém me importa em relação a isso, estou fazendo isso pela minha mãe e duvido muito que, se pudesse, você não faria o mesmo se a sua estivesse viva! — grito em meio a lágrimas, e acho que peguei pesado. Ela parece surpresa com o que eu disse e fica em silêncio por alguns minutos, depois se levanta e vai até a janela. Parece estar pensando e, depois de mais alguns minutos em silêncio, ela volta a se sentar do meu lado e me encara. Diana perdeu a mãe da pior forma possível! Seu pai a matou pensando que ela o estava traindo. Ele foi preso e minha amiga foi morar com os tios dela. Diana só tinha dezesseis anos quando isso aconteceu e eu já tinha me mudado, mas fiquei sabendo quando minha mãe foi ao Brasil pegar umas coisas que ficaram por lá. A minha vontade, quando soube, foi pegar o primeiro avião e ir atrás dela para ficar ao seu lado, mas não pude, tudo por culpa daquele maldito homem. — Olha, Di, me desculpe, eu não queria… — Você está certa. Se estivesse no seu lugar faria o mesmo para tentar salvar minha mãe, pena que não tive escolha. — Vejo as lágrimas descerem pelo seu rosto, então eu a abraço e ficamos as duas chorando nos braços uma da outra, como se estivéssemos desabafando tudo que aconteceu conosco sem dizer uma palavra sequer. Tenho de confessar, é tão bom você ter uma amiga para desabafar sem medo, poder tirar um peso das suas costas, compartilhar com ela suas alegrias e tristezas, e sei que ela deve pensar da mesma forma que eu. Embora tenhamos tido pouco contato depois que vim embora do Brasil, ainda assim ela continua sendo a minha melhor e única amiga. Diana para mim é como uma irmã de outra mãe, e a ela eu confio a minha vida. **** Acordo logo cedo, vou ao banheiro fazer minha higiene matinal. Hoje é domingo, o grande dia em que irei conhecer a família do meu "maridinho". Estou uma pilha de nervos, mesmo não sendo de verdade, as pessoas pensam que sim. E se a mãe dele não gostar de mim? Ou pior, se eles descobrirem essa farsa toda? Não quero nem pensar nisso, mas creio que tenho de ativar meu modo atriz o tempo todo – nem sabia que tinha um! Lá as pessoas acham que tudo é verdade, que ele e eu somos loucamente apaixonados um pelo outro; o bom é que pelo menos alguém da família dele sabe de tudo e estou curiosa em conhecê-lo, afinal, o único Cooper que conhecia era o pai de Alex, mas não pessoalmente, apenas através de revistas, tabloides, jornais, entre outros. Olho no relógio e vejo que são onze horas da manhã, ele disse que viria me buscar às duas horas da tarde para irmos ao Aeroporto Internacional John F. Kennedy, onde um jatinho particular estará esperando para nos levar até Houston, e depois viajaremos mais uma hora de carro até chegar à fazenda Cooper, então vou me apressar um pouco. Pego um vestido no meu armário, branco, sem alças e bem simples, mas um pouco colado ao meu corpo e que mostra um pouco de minhas curvas; ele é um palmo acima do joelho, e tem um decote na frente, mas nada muito exagerado. Deixo meu cabelo um pouco ondulado e solto, faço uma maquiagem bem simples, nada muito forte, pego uma sandália de tiras, não muito alta e coloco, e já estou pronta. Saio do quarto e vou ao encontro de minha mãe, vejo que o café já está pronto. — Bom dia, dona Aline — digo assustando-a. Ela estava de costas preparando o café. — Que susto menina, quer matar a sua mãe antes do tempo?! — Ignoro a forma como ela diz isso e entro na brincadeira. — Claro que não, mamãe, jamais faria isso com a senhora — falei fazendo drama para ela, que cai na gargalhada. Nossa, é tão bom vê-la rir de verdade! — Então, filha, deixe-me ver como você está. — Ela me olha da cabeça aos pés. — Filha, está linda como sempre, meu amor. — Eu sei mamãe, sou linda demais mesmo. — Brinco. — Mas essa minha menina é muito convencida mesmo. — Ela sorri para mim. Ela coloca o café na mesa e vai até o banheiro, alguns minutos depois, volta. — Oh, filha, está aí?! Vou preparar o café da manhã, está linda com esse vestido. — Espera? Por que a mamãe disse isso? — Mãe, a senhora já preparou o café e saiu daqui por um minuto, foi ao banheiro, a senhora já tinha me visto aqui e me elogiado também, não se lembra? — Estou começando a ficar preocupada com ela. — Ah sim, que cabeça a minha. Acho que é a idade, me desculpe, filha — diz me servindo o café. — Tudo bem mãe, mas a senhora está bem? Se quiser eu fico em casa. — Para de graça filha, estou ótima! Ainda mais por saber que minha única filha vai se casar. Tome seu café, fiz com todo carinho. — Sei que ela está tentando mudar de assunto, mas por hora deixo passar. Se eu vir isso acontecer de novo, terei de levá-la ao hospital. Depois de conversar um pouco mais com a minha mãe e ajudá-la com alguns afazeres de casa até dar a hora de Alex chegar, olho no meu celular e vejo que faltam quinze minutos para as duas horas da tarde; vou ao meu quarto e pego minha bolsa, quando saio do quarto escuto alguém bater na porta, vou abrir e quase caio para trás! Alex está lindo, de calça jeans escura, uma blusa branca enrolada até os cotovelos que molda seus incríveis músculos e o cabelo levemente bagunçado. Deus! Como ele está fodidamente lindo! Ele me olha de cima a baixo e depois me dá um selinho; fico sem reação, até que escuto minha mãe falar: — Olá, senhor Cooper. Ah, por isso me beijou! — Por favor, me chame de Alex, afinal, sou quase da família, não precisamos dessas formalidades, não é amor? — Olho para ele e depois para minha mãe. — Claro querido — digo sorrindo. — Bom, senhora Ferreira, mas… — Não precisa me chamar de senhora, me chame de Aline. — Vejo Alex sorrir abertamente para a minha mãe. — Tudo bem. Aline, me desculpe por não ficar um pouco e conversar com você, mas é que minha mãe está ansiosa para conhecer Angel. Sei que temos de conversar, afinal vou me casar com a sua filha e nunca conversamos sobre isso ou qualquer outra coisa. — Ele me puxa para mais perto. — Claro, eu entendo e quero muito também conhecer sua família. — Sim, vou falar com a minha mãe para ela marcar algo para a família. — Minha mãe sorri. — Seria ótimo. — Bom, então vamos, senão vamos nos atrasar — digo que sim, me despeço de minha mãe e saio com Alex; vejo um Audi R8 preto, suponho que seja dele, é diferente do carro em que ele veio me buscar para jantarmos e não sei para que ter mais de um carro, rico gosta de esbanjar mesmo! Ele abre a porta do carona para mim e entro, depois ele dá meia-volta, entra no carro e começamos a nos movimentar. A cada quilômetro que percorremos é uma emoção diferente: frustração, medo, nervosismo, tristeza e assim vai, acho que vou ter um troço antes de chegar lá. Seja o que Deus quiser!
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