Fábio Narrando Eu não devia ter ido lá. Já sabia. Mas fui mesmo assim. Passei o dia todo com ela na cabeça. Desde cedo, quando ela me mandou aquele “bom dia”, meu peito já ficou estranho. Parecia que só tava esperando ela escrever. Tinha acordado pensando nela, lembrando do jeito que ela riu ontem, da voz, do olhar. Peguei uma caixinha de bombom na floricultura perto da casa da minha tia. Falei que era presente pra uma amiga da paróquia que tava em recuperação. Mentira descarada. Era pra Jaqueline. E eu sabia disso. Quando cheguei, a mãe dela me olhou de um jeito que me deixou desconcertado. Mas ela saiu, graças a Deus. Só que deixou a porta escancarada. Não sei se fez de propósito ou se tava só desconfiada mesmo. — Trouxe presente — falei, meio sem saber onde enfiar a cara. — Acert

