Fábio Narrando Ratão me olhou como se não acreditasse que eu estava ali. Ele respirou fundo, passou a mão no rosto manchado de sangue seco e deu um leve aceno de cabeça. — Vem comigo, padre. Ela tá aqui dentro. Fui atrás dele em silêncio, só escutando meus próprios passos e o barulho abafado dos aparelhos dentro daquele posto improvisado. O coração parecia que ia sair pela boca. Quando entramos no quarto, meu peito apertou de um jeito que eu nunca tinha sentido. Jaqueline estava deitada na maca, pálida, imóvel, ligada a soro e oxigênio. A testa suada, os lábios meio arroxeados. Doeu me ver ali, parado, olhando praquela menina que eu conhecia tão cheia de vida, tão atrevida, sempre com aquele jeitinho debochado. Aquela ali não era a Jaqueline que eu conhecia, mas era ela. E aquilo me c

