A novata

793 Palavras
Ao entrar no quarto me deparo com duas feras brigando, ou melhor duas pessoas brigando como feras. Uma garota de cabelos curtos e negros com as pontas verdes e um garoto que tinha cabelos castanhos, ele sorria o tempo todo, enquanto a menina fazia cara de brava, ela estava estapiando o peito dele com muita força, mas ele nem parecia se importar, ela batia no rosto dele e ele parecia querer mais. Eles estavam tão interessados em bater um no outro que nem me perceberam lá. -Hei.- bati palmas chamando a atenção deles, que finalmente olharam pra mim. -Olha só, uma novata.-falou a garota. -Não seja rude, ela acabou de chegar.-falou o rapaz ainda sorrindo, seu rosto estava vermelho e sua roupa amassada. -Deixa eu me apresentar, meu nome é Lucas , e essa tonta aqui é a Duda , ainda bem que você chegou ou eu teria sido devorado vivo. -Oi.-falou a garota me olhando de cima a baixo, acho que minha presença não lhe agradou. -Eu sou Bella Collins.- tentei soar o mais gentil possível, não estava atrás de inimizades naquele lugar. -O que você é?-perguntou Duda. -Não seja rude.-Falou Lucas. -Não estou sendo, só fiz uma pergunta.- ela me olhava com uma expressão curiosa e ao mesmo tempo impaciente. -Tudo bem-falo para que eles não briguem novamente.-eu sou uma ceifadora. -Então é verdade-falou Duda - ele está mesmo interessado neles. -Agora ele só precisa de mais uns cem, ou uma já é o suficiente? -Não exagere, acho que mais uns dez dá, uma só não faria o que é necessário. -Do que estão falando?-perguntei não contendo minha curiosidade e expressando minha ansiedade. -Senta aqui.-falou Lucas pegando em minha mão e me levando até uma cama, normalmente eu não gostaria de tanta proximidade, mas ele não me parecia perigoso.  Fiquei olhando para eles até que Duda tomou a palavra. -Está havendo boatos de que o Sr. Roman está construindo um exército de ceifadores, ele passou a procurá-los ao invés das outras espécies, mas vocês são difíceis de achar, nós até apostamos que ele não encontraria nenhum ou desistisse quando achasse o primeiro, sinceramente ainda não entendi a importância de vocês. -Você não é a primeira ceifadora por aqui, Julie foi a primeira, ela veio pra cá ainda bebê. Ela pode ver a alma dos mortos, mas não pode passar entre as dimensões, porque ninguém a treinou, pelo menos foi o que eu ouvi nos corredores, as notícias aqui correm rápido. -Então deixa eu ver se entendi.-falei tentando achar um sentido naquilo- eles querem que eu treine ela? -Não sabemos, mas eu acho que ele quer atravessar. -Como assim atravessar? Eles param de falar e Duda olha para Lucas e assentiu com a cabeça. Até que ele fala: -Uma vez eu estava no treinamento e ouvi o senhor d**k falando algo com o Ethan sobre precisar atravessar para derrotar o maligno, alguém cujo poder desafia as forças do bem. -Que maligno?-pergunto já morrendo de curiosidade. Foi Duda quem me respondeu. -Acho que ele estava falando da Morte, não existe nada mais poderoso que ele. -Isso é impossível - fala Lucas voltando a sorrir- não dá pra m***r a morte. Né? Seria como tentar capturar todo oxigênio da terra em um pote. Ele olhou para mim como se esperasse uma resposta e eu só pude dar de ombros, não revelar a verdade para eles, até onde sei, eu posso estar nesse quarto com essas pessoas de propósito, d**k pode ter armado isso para arrancar informações de mim. E se eles forem os caçadores que querem m***r a mim e ao meu pai? Não, por que se fossem, eles saberiam quem eu sou, e eu já notei que não sabem, parecem só adolescentes. Mas e se eles descobrirem? Onde eu fui me meter? Que burrada. Tenho que fugir. -Bella? -Oi. Desculpa, eu tô um pouco cansada e preciso de um banho, onde eu... -No armário. Pega o que quiser e aquela cama é sua -fala apontando pra uma cama próxima a parede. -Tá eu vou me arrumar. -Bom Lucas essa é a sua deixa, já me tirou a paciência hoje mais que o normal, cansei da sua cara. Ela empurrou ele até a porta e a trancou. -Eu também vou dormir boa noite. -Tá, boa noite. Já estava me virando quando a ouvi dizer. -Não fique com medo, aqui é legal. Depois que você se acostuma. Tomei um banho demorado e me deitei, dormir foi difícil, não estava acostumada com o lugar, muito menos a dormir de verdade. Mas eu não podia deixar que eles matassem meu pai, ou melhor, não podia deixar nem que tentassem. Eu iria impedi-los de fazer isso. Como? Eu não sabia. A morte só iria morrer no tempo certo.
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