Ao entrar no quarto me deparo com duas feras brigando, ou melhor duas pessoas brigando como feras. Uma garota de cabelos curtos e negros com as pontas verdes e um garoto que tinha cabelos castanhos, ele sorria o tempo todo, enquanto a menina fazia cara de brava, ela estava estapiando o peito dele com muita força, mas ele nem parecia se importar, ela batia no rosto dele e ele parecia querer mais.
Eles estavam tão interessados em bater um no outro que nem me perceberam lá.
-Hei.- bati palmas chamando a atenção deles, que finalmente olharam pra mim.
-Olha só, uma novata.-falou a garota.
-Não seja rude, ela acabou de chegar.-falou o rapaz ainda sorrindo, seu rosto estava vermelho e sua roupa amassada.
-Deixa eu me apresentar, meu nome é Lucas , e essa tonta aqui é a Duda , ainda bem que você chegou ou eu teria sido devorado vivo.
-Oi.-falou a garota me olhando de cima a baixo, acho que minha presença não lhe agradou.
-Eu sou Bella Collins.- tentei soar o mais gentil possível, não estava atrás de inimizades naquele lugar.
-O que você é?-perguntou Duda.
-Não seja rude.-Falou Lucas.
-Não estou sendo, só fiz uma pergunta.- ela me olhava com uma expressão curiosa e ao mesmo tempo impaciente.
-Tudo bem-falo para que eles não briguem novamente.-eu sou uma ceifadora.
-Então é verdade-falou Duda - ele está mesmo interessado neles.
-Agora ele só precisa de mais uns cem, ou uma já é o suficiente?
-Não exagere, acho que mais uns dez dá, uma só não faria o que é necessário.
-Do que estão falando?-perguntei não contendo minha curiosidade e expressando minha ansiedade.
-Senta aqui.-falou Lucas pegando em minha mão e me levando até uma cama, normalmente eu não gostaria de tanta proximidade, mas ele não me parecia perigoso.
Fiquei olhando para eles até que Duda tomou a palavra.
-Está havendo boatos de que o Sr. Roman está construindo um exército de ceifadores, ele passou a procurá-los ao invés das outras espécies, mas vocês são difíceis de achar, nós até apostamos que ele não encontraria nenhum ou desistisse quando achasse o primeiro, sinceramente ainda não entendi a importância de vocês.
-Você não é a primeira ceifadora por aqui, Julie foi a primeira, ela veio pra cá ainda bebê. Ela pode ver a alma dos mortos, mas não pode passar entre as dimensões, porque ninguém a treinou, pelo menos foi o que eu ouvi nos corredores, as notícias aqui correm rápido.
-Então deixa eu ver se entendi.-falei tentando achar um sentido naquilo- eles querem que eu treine ela?
-Não sabemos, mas eu acho que ele quer atravessar.
-Como assim atravessar?
Eles param de falar e Duda olha para Lucas e assentiu com a cabeça. Até que ele fala:
-Uma vez eu estava no treinamento e ouvi o senhor d**k falando algo com o Ethan sobre precisar atravessar para derrotar o maligno, alguém cujo poder desafia as forças do bem.
-Que maligno?-pergunto já morrendo de curiosidade.
Foi Duda quem me respondeu.
-Acho que ele estava falando da Morte, não existe nada mais poderoso que ele.
-Isso é impossível - fala Lucas voltando a sorrir- não dá pra m***r a morte. Né? Seria como tentar capturar todo oxigênio da terra em um pote.
Ele olhou para mim como se esperasse uma resposta e eu só pude dar de ombros, não revelar a verdade para eles, até onde sei, eu posso estar nesse quarto com essas pessoas de propósito, d**k pode ter armado isso para arrancar informações de mim.
E se eles forem os caçadores que querem m***r a mim e ao meu pai?
Não, por que se fossem, eles saberiam quem eu sou, e eu já notei que não sabem, parecem só adolescentes.
Mas e se eles descobrirem? Onde eu fui me meter? Que burrada. Tenho que fugir.
-Bella?
-Oi. Desculpa, eu tô um pouco cansada e preciso de um banho, onde eu...
-No armário. Pega o que quiser e aquela cama é sua -fala apontando pra uma cama próxima a parede.
-Tá eu vou me arrumar.
-Bom Lucas essa é a sua deixa, já me tirou a paciência hoje mais que o normal, cansei da sua cara.
Ela empurrou ele até a porta e a trancou.
-Eu também vou dormir boa noite.
-Tá, boa noite.
Já estava me virando quando a ouvi dizer.
-Não fique com medo, aqui é legal. Depois que você se acostuma.
Tomei um banho demorado e me deitei, dormir foi difícil, não estava acostumada com o lugar, muito menos a dormir de verdade.
Mas eu não podia deixar que eles matassem meu pai, ou melhor, não podia deixar nem que tentassem. Eu iria impedi-los de fazer isso. Como? Eu não sabia. A morte só iria morrer no tempo certo.