O clima ficou pesado assim que o aviso chegou.
Ariel entrou na sala apressado, já colocando a arma na cintura.
Aron e Leonel vieram logo atrás, todos com a mesma expressão séria.
— Eles atacaram um dos nossos pontos de vigia. — Ariel avisou. — Vamos sair agora.
Os homens começaram a se preparar rapidamente.
Victor passou por Lucas apressado, mas parou por um instante para encará-lo, como se já soubesse o que viria.
Lucas se levantou da cadeira em um pulo.
— Eu vou junto. — afirmou, firme.
O silêncio caiu.
Ariel e Aron trocaram um olhar, e então Aron foi quem respondeu:
— Não. Você não vai.
Lucas fechou o semblante imediatamente.
— Por quê? — questionou, irritado. — Eu posso lutar, vocês sabem disso!
Ariel virou-se para ele, a voz mais dura do que gostaria.
— Você está em punição, Lucas.
E punição é punição.
Você não pode sair em missão por um mês. Você sabia disso quando quebrou Ramon.
Lucas cerrou os dentes, o maxilar travado.
— Ele mereceu! Ele tentou… — Lucas se conteve ao notar Vanessa na sala. — Ele passou dos limites com ela.
Ariel respondeu, firme:
— E nós concordamos. Mas você agiu sozinho, sem passar pelos líderes.
Quebrou o protocolo.
E agora paga por isso.
Se abrirmos exceção para você, vira caos.
Lucas abaixou os olhos por um instante. Sentia o sangue fervendo.
Pedro colocou uma mão forte no ombro de Lucas.
— Você é bom, moleque. Melhor do que metade dos que vão sair.
Mas respeito à ordem vem primeiro.
Hoje, você fica. Com as mulheres. E não é opcional.
Os homens começaram a sair, um por um.
Victor passou por ele e murmurou:
— Aguenta firme, irmão. Um mês passa rápido.
A porta bateu.
*********
A van preta da organização avançava pela estrada deserta, iluminada apenas pelos faróis.
Lá dentro, o clima era denso, pesado, sem espaço para brincadeiras.
Ariel dirigia com o maxilar travado.
Aron estava no banco ao lado, analisando a rota no celular.
No fundo, Leonel, Victor, Pedro e Guto checavam armas, munição e rádios.
— Eles atacaram o ponto de vigia duas vezes na mesma semana. — Ariel rosnou. — Isso não é provocação. É teste.
Aron concordou.
— Querem medir nossa reação. Ver se estamos enfraquecidos.
Ariel apertou o volante.
— Então vamos mostrar que não estamos.
Victor ergueu a sobrancelha.
— E Lucas? Vai ficar louco quando souber que a gente pegou confronto pesado e ele ficou de castigo.
Pedro deu um risinho curto.
— Ele já está louco. Mas precisa aprender.
Ariel respondeu sem tirar os olhos da estrada:
— Ele só vai se tornar forte quando aprender a pensar antes de agir.
E esse confronto… não é para iniciantes.
Aron puxou a cortina traseira e olhou para fora.
— Chegamos.
******
O local era um depósito abandonado na beira da cidade. Pouca iluminação, cheiro de óleo, caixas empilhadas… e passos apressados ecoando lá dentro.
Os homens desceram sincronizados.
Sinal silencioso de Icarus: formação.
Pedro avançou pela lateral, Victor o seguiu cobrindo.
Guto e Aron entraram pela porta principal.
Ariel e Pedro ficaram no comando, próximos, avaliando cada movimento.
Assim que Guto empurrou a porta—
BANG!
Um tiro atravessou o metal, passando rente ao ombro dele.
— Cuidado! — Guto gritou, rolando para o lado.
Aron abriu fogo, garantindo cobertura enquanto Victor vinha pelo corredor lateral.
— São quatro! — Pedro gritou atrás das caixas.
— Negativo — corrigiu Ariel, analisando os passos. — São seis. Dois na espreita.
Pedro apontou e deu o comando:
— Vamos limpar esse lugar.
A troca de tiros ecoou explosiva.
Os inimigos recuaram, mas eram numerosos, agressivos e sabiam que a organização tinha vindo com força.
Um deles tentou correr pelos fundos, mas Victor interceptou com precisão.
Guto desarmou outro no corpo a corpo, prendendo o braço do adversário e o derrubando com violência.
Aron segurou a retaguarda, protegendo Pedro enquanto ele avançava com velocidade para pegar o grupo central.
Ariel e Leonel, juntos, eram uma tempestade: acertavam, avançavam, controlavam a situação como se fossem dois cérebros operando em perfeita sincronia.
Depois de alguns minutos — que pareceram horas —
Silêncio.
Todos os inimigos que resistiram estavam imobilizados ou rendidos.
Ariel respirou fundo.
— Isso não foi ataque aleatório. — Ele murmurou.
Icarus concordou.
— Estavam preparados. Sabiam que viríamos.
Aron chutou uma caixa caída e achou duas coisas:
1 Comunicação moderna, mais avançada do que qualquer grupo rival costuma usar.
2 Um símbolo pintado em vermelho no chão.
Kaio se aproximou, limpando o sangue do rosto.
— Que p***a é isso?
Icarus ficou sério.
— Isso não é dos Andrades. Não é do grupo antigo.
— Isso é novo.
Ariel respondeu, sombrio:
— E eles estão estudando a gente.
Victor chutou um dos homens desacordados.
— A gente leva algum preso?
— Dois. — Ariel ordenou. — E vamos interrogar hoje.
Ainda essa noite.
Ariel olhou para a van.
— Vamos voltar.