Confronto sem Lucas

828 Palavras
O clima ficou pesado assim que o aviso chegou. Ariel entrou na sala apressado, já colocando a arma na cintura. Aron e Leonel vieram logo atrás, todos com a mesma expressão séria. — Eles atacaram um dos nossos pontos de vigia. — Ariel avisou. — Vamos sair agora. Os homens começaram a se preparar rapidamente. Victor passou por Lucas apressado, mas parou por um instante para encará-lo, como se já soubesse o que viria. Lucas se levantou da cadeira em um pulo. — Eu vou junto. — afirmou, firme. O silêncio caiu. Ariel e Aron trocaram um olhar, e então Aron foi quem respondeu: — Não. Você não vai. Lucas fechou o semblante imediatamente. — Por quê? — questionou, irritado. — Eu posso lutar, vocês sabem disso! Ariel virou-se para ele, a voz mais dura do que gostaria. — Você está em punição, Lucas. E punição é punição. Você não pode sair em missão por um mês. Você sabia disso quando quebrou Ramon. Lucas cerrou os dentes, o maxilar travado. — Ele mereceu! Ele tentou… — Lucas se conteve ao notar Vanessa na sala. — Ele passou dos limites com ela. Ariel respondeu, firme: — E nós concordamos. Mas você agiu sozinho, sem passar pelos líderes. Quebrou o protocolo. E agora paga por isso. Se abrirmos exceção para você, vira caos. Lucas abaixou os olhos por um instante. Sentia o sangue fervendo. Pedro colocou uma mão forte no ombro de Lucas. — Você é bom, moleque. Melhor do que metade dos que vão sair. Mas respeito à ordem vem primeiro. Hoje, você fica. Com as mulheres. E não é opcional. Os homens começaram a sair, um por um. Victor passou por ele e murmurou: — Aguenta firme, irmão. Um mês passa rápido. A porta bateu. ********* A van preta da organização avançava pela estrada deserta, iluminada apenas pelos faróis. Lá dentro, o clima era denso, pesado, sem espaço para brincadeiras. Ariel dirigia com o maxilar travado. Aron estava no banco ao lado, analisando a rota no celular. No fundo, Leonel, Victor, Pedro e Guto checavam armas, munição e rádios. — Eles atacaram o ponto de vigia duas vezes na mesma semana. — Ariel rosnou. — Isso não é provocação. É teste. Aron concordou. — Querem medir nossa reação. Ver se estamos enfraquecidos. Ariel apertou o volante. — Então vamos mostrar que não estamos. Victor ergueu a sobrancelha. — E Lucas? Vai ficar louco quando souber que a gente pegou confronto pesado e ele ficou de castigo. Pedro deu um risinho curto. — Ele já está louco. Mas precisa aprender. Ariel respondeu sem tirar os olhos da estrada: — Ele só vai se tornar forte quando aprender a pensar antes de agir. E esse confronto… não é para iniciantes. Aron puxou a cortina traseira e olhou para fora. — Chegamos. ****** O local era um depósito abandonado na beira da cidade. Pouca iluminação, cheiro de óleo, caixas empilhadas… e passos apressados ecoando lá dentro. Os homens desceram sincronizados. Sinal silencioso de Icarus: formação. Pedro avançou pela lateral, Victor o seguiu cobrindo. Guto e Aron entraram pela porta principal. Ariel e Pedro ficaram no comando, próximos, avaliando cada movimento. Assim que Guto empurrou a porta— BANG! Um tiro atravessou o metal, passando rente ao ombro dele. — Cuidado! — Guto gritou, rolando para o lado. Aron abriu fogo, garantindo cobertura enquanto Victor vinha pelo corredor lateral. — São quatro! — Pedro gritou atrás das caixas. — Negativo — corrigiu Ariel, analisando os passos. — São seis. Dois na espreita. Pedro apontou e deu o comando: — Vamos limpar esse lugar. A troca de tiros ecoou explosiva. Os inimigos recuaram, mas eram numerosos, agressivos e sabiam que a organização tinha vindo com força. Um deles tentou correr pelos fundos, mas Victor interceptou com precisão. Guto desarmou outro no corpo a corpo, prendendo o braço do adversário e o derrubando com violência. Aron segurou a retaguarda, protegendo Pedro enquanto ele avançava com velocidade para pegar o grupo central. Ariel e Leonel, juntos, eram uma tempestade: acertavam, avançavam, controlavam a situação como se fossem dois cérebros operando em perfeita sincronia. Depois de alguns minutos — que pareceram horas — Silêncio. Todos os inimigos que resistiram estavam imobilizados ou rendidos. Ariel respirou fundo. — Isso não foi ataque aleatório. — Ele murmurou. Icarus concordou. — Estavam preparados. Sabiam que viríamos. Aron chutou uma caixa caída e achou duas coisas: 1 Comunicação moderna, mais avançada do que qualquer grupo rival costuma usar. 2 Um símbolo pintado em vermelho no chão. Kaio se aproximou, limpando o sangue do rosto. — Que p***a é isso? Icarus ficou sério. — Isso não é dos Andrades. Não é do grupo antigo. — Isso é novo. Ariel respondeu, sombrio: — E eles estão estudando a gente. Victor chutou um dos homens desacordados. — A gente leva algum preso? — Dois. — Ariel ordenou. — E vamos interrogar hoje. Ainda essa noite. Ariel olhou para a van. — Vamos voltar.
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