No início da noite, Lucas recebeu a mensagem seca:
“Sala de reuniões. Agora.”
Ele sabia o que significava.
O julgamento silencioso
Quando entrou, estavam lá:
✔ Icarus
✔ Ariel
✔ Aron
✔ e Victor, de pé, tenso
Ninguém falou por alguns segundos.
O silêncio era pior que grito.
Icarus finalmente levantou o olhar:
— Quer explicar por que resolveu bater em um soldado dentro da organização sem consultar ninguém?
Lucas manteve a postura:
— Ele espalhou uma mentira sobre Vanessa. Eu só—
Ariel cortou:
— Você não é juiz.
— E muito menos executor.
Aron cruzou os braços:
— Aqui não é rua. Aqui existe hierarquia.
Victor tentou intervir:
— Ele só estava protegendo—
Icarus levantou a mão, mandando calar.
— Você não pensou em nada além da sua emoção.
Lucas apertou o maxilar, mas não respondeu.
Icarus continuou:
— “Você está suspenso das missões externas por 30 dias.”
O chão pareceu sumir.
— Vai treinar sozinho, supervisionado. Sem comunicação direta com o grupo.
— E qualquer conflito, você traz para nós. Nunca mais age por conta própria
Lucas respirou fundo.
— Sim, senhor.
Ariel completou, duro:
— E mais uma coisa: se a situação envolve vanessa, você se afasta.
— A gente não vai lidar com problema familiar no meio da organização.
Isso doeu mais do que a suspensão.
Lucas apenas respondeu:
— Entendido.
Ela viu Lucas saindo da reunião, rosto sério, olhar distante.
— O que aconteceu? — ela perguntou, tentando parecer casual.
Lucas nem parou.
— Nada que você precise saber.
O tom foi frio — não por raiva dela,
mas porque ele estava quebrado.
Vanessa ficou parada, sentindo o peito afundar.
Pela primeira vez, percebeu:
as consequências não caíram só sobre ela.
******
Vanessa passou o resto do dia andando pelo condomínio como um fantasma.
A cada corredor, lembrava da expressão de Lucas saindo da reunião —
não era raiva.
Era decepção.
Quando anoiteceu, ela finalmente criou coragem.
Encontrou Lucas no espaço de treino vazio, guardando os equipamentos sozinho —
por causa da suspensão.
Ele ouviu os passos, mas não olhou.
— Lucas… — ela começou, a voz mais baixa do que o normal.
Silêncio.
Vanessa respirou fundo:
— Eu vim pedir desculpa.
Ele continuou guardando as luvas, como se não tivesse escutado.
Ela insistiu:
— Eu não queria te colocar nessa situação. Eu não sabia que ia chegar tão longe.
Lucas finalmente falou — sem levantar a voz, mas frio:
— Você nunca sabe, Vanessa. Esse é o problema.
Ela sentiu o estômago cair.
— Eu posso arrumar isso, ela disse, desesperada.
— Eu falo com eles, eu assumo—
Lucas balançou a cabeça.
— Não. Já aconteceu.
— E agora a gente precisa de distância.
A palavra bateu nela como um soco.
— Distância? — ela repetiu, quase sem voz.
Ele desviou o olhar — porque se mantivesse, não ia conseguir.
— Eu não posso continuar me envolvendo com você.
— Cada vez que eu tento fazer a coisa certa… você me puxa pro caos.
Vanessa deu um passo pra trás, como se o chão tivesse cedido.
— Então é isso?
— Você desiste de mim?
Lucas fechou os olhos por um segundo.
— Eu não estou desistindo.
— Estou tentando sobreviver.
E saiu, deixando ela sozinha no centro do tatame.
Vanessa desaba — mas em silêncio
Ela ficou parada ali por longos minutos.
Sem gritar.
Sem xingar.
Sem ironia.
Só respirando fundo, tentando não quebrar.
Porque naquele momento,
pela primeira vez na vida,
Vanessa percebeu que machucar alguém pode doer mais do que ser machucada.