Capítulo 22. A noite na cama dele no Mesmo Quarto (Mariana)

2293 Palavras

Eu juro que tentei dormir. Virei de um lado, virei do outro, arrumei o travesseiro, puxei o cobertor até o queixo, abaixei de novo porque senti calor. Fechei os olhos, contei respirações, recitei mentalmente frases de efeito que Tainá costumava jogar na minha cara, como se fosse possível espantar lembranças com frases motivacionais. Nada funcionava. O quarto estava escuro, mas não pesado. Era um escuro macio, quase confortável, só que, dentro de mim, a noite ainda era outra: cheia de ecos, lembranças, restos de vozes que eu não queria mais ouvir. Eu tinha sobrevivido a homens que ocupavam a cama inteira e me deixavam espremida no cantinho, agora eu ocupava uma cama larga demais, com espaço sobrando, e, ainda assim, me sentia apertada por dentro. O cheiro do quarto era meu. Minha colônia

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