- Acorde Theo.... - Chamei-o pela terceira vez e desta o sacudindo de leve, ele realmente estava em um sono profundo, mas pode acontecer depois de algum episódio como o qual ele havia presenciado.
- Nany – disse muito formal e com um olhar um pouco confuso enquanto – onde está Klaus? E o outro cara?
- Conseguimos um nome chefe, Joana! Diz algo para você? - Ele assentiu brevemente – Klaus foi dar fim ao problema e nós vamos tomar um café enquanto ele não retorna.
Ele pediu licença para usar o banheiro antes e eu fui esperar na cozinha.
- Está bom! – disse provando o café, ele parecia um tanto... longe? - Klaus mandou uma mensagem, chega em menos de vinte minutos.
- Preciso estar a par de tudo, sei que não quer que eu me envolva tanto, que de alguma forma acha que é perigoso pra mim, mas preciso que confie em mim ok? Eu sei exatamente o que estou fazendo e pode acreditar que mensurei tudo antes de aceitar este emprego e não o faria se não acreditasse que estou devidamente apta ao trabalho.
- Me diga, como percebeu que estava para acontecer algo? - sua expressão mudou de evasivo para curioso agora.
- Sou excelente fisionomista, além de ter memória fotográfica. Percebi quando vi que a movimentação daqueles dois estavam diferente dos demais, começaram a rondar e...
- Dois? - fui interrompida pelo que considerei um grito esganiçado, até a voz dele ficou diferente e se ele tivesse comendo ou bebendo algo no momento tenho certeza de que teria engasgado ou cuspido.
- Exatamente senhor, um estava vestido de garçom. No momento não tinha como eu ir atrás deste, mas fique tranquilo nunca mais me esqueço do rosto dele. Vou achá-lo e quando isso acontecer vou conseguir informações melhores do que a de hoje, é uma promessa.
- Porque teve que me beijar? Porque simplesmente não o atacou?
- Ah é verdade tem isso.... primeiro quero pedir desculpas ao senhor, por ter sido.... invasiva? Olha se eu simplesmente fosse para cima dele corria o risco de um, ou os dois, estarem armados e conseguirem contra-atacar. Além de perder o fator surpresa.
Não deu tempo de ele responder, Klaus se materializou ao nosso lado, o homem sorrateiro, nem o ouvi entrar. Engoli o fato de ter sido pega de surpresa e disse:
- Agora que chegou, grandão, tome um café e aproveite para me contar tudo o que sabem. - Klaus foi até a pia da cozinha mesmo e lavou suas mãos pelo que me parecia uma eternidade, secou-as em um pano de prato que estava próximo e muito lentamente se aproximou da mesa, puxou a cadeira e só começou a falar depois que se acomodou.
- Bom Nany sabemos que quem está atrás de Theo é um tal de Falcão. Não sabemos quem é e nem mesmo o motivo de tanta energia e dinheiro gastos, mas já temos provas suficientes de que o cara é da pesada. Cada dia está ficando mais perigoso, é a terceira vez que pegamos um deles e ouvimos o nome Joana, que até onde sabemos, é o braço direito do cara. - explicou Klaus e entendi ser tudo o que sabiam.
- Tá ok mas o que esse tal Falcão quer? Tem que haver um motivo, ninguém sai assim atrás de outra pessoa, não do nada. Theo - ele fixou o seu olhar no meu e eu mantive - … se envolveu com a mulher de alguém? Drogas? Adquiriu alguma empresa em que o antigo dono não tenha aprovado? Negócios ilegais? Passado desonroso? Eu desisto – me dei por vencida a cada negativa em que Theo acenava.
- Nada dessas coisas – ele afirmou.
- Precisamos saber o motivo, assim fica mais fácil de chegar ao tal Falcão e seus possíveis aliados. Agora me explica uma coisa chefe porque julga tão perigoso para mim se ao menos sabe o motivo?
- Por conta dos episódios anteriores Nany, os três últimos seguranças pessoais de Theo foram torturados e mortos. Você seria o elemento surpresa, só que agora não mais.
- Fiquem tranquilos, eu me garanto. - Se eles soubessem o quanto eu me garanto!
- Eu sei que sim – responde Klaus. - Aposto que não faz ideia! tive que me conter as expressões para continuar intactas.
- Reunião aqui? - Mia entra na cozinha sem entender muito o que está acontecendo. - Oi amor! - disse dando um beijo casto em Klaus.
Theo ficou bastante constrangido, eu apenas sorri.
- Bom, vamos indo Klaus? Preciso passar na empresa antes de ir para a casa, está dispensada por hoje Nany. - Dito isso eles me agradeceram, se despediram e foram.
Mia nem mesmo me deixou levantar da cadeira e tive de contar tudo a ela, que não aceita menos que os mínimos detalhes.
- Quanta incompetência desse pessoal! Eles não deveriam sair assim abrindo o bico, nem parece que são profissionais ou será que não são? O bom é que você vai saber exatamente como agir e quando agir.
- Isso sim, mas parece que eles querem que essas informações vazem sabe.... só ainda não entendi o porquê disso agora. Bom hoje o jantar é por sua conta, minha amiga, eu tenho que limpar a bagunça do meu escritório.
Ela me fez uma careta e depois piscou um olho, se aproximou e me deu um abraço:
- Vai dar tudo certo! Eu confio de olhos fechados em seu potencial e profissionalismo, sei que vai fazer o possível e tentar a todo custo alcançar o impossível.
- Tenho certeza que sim, já está dando tudo certo minha amiga. Agradeço o elogio mas ainda assim o jantar é por sua conta.
Ela me mostrou a língua e foi para o seu quarto, já eu fui limpar a sujeira vermelha que se espalhava por todo o meu escritório. Assim que terminei tomei um banho bem quente para relaxar os músculos, coloquei um pijama e me sentei à mesa da cozinha munida do meu notebook e comecei a fazer pesquisas sobre Joana ou Falcão, obviamente que foi uma perda de tempo.
Mia preparou uma salada caesar para comermos, ficamos conversando sobre tudo e contei para ela como foi o meu dia.
- Não acredito que você beijou ele!
- Foi necessário - ela gargalhou e até soltou um ronquinho meio sua risada - Foi a única coisa que consegui pensar no momento.
- Também com aquele homem bonito, não tem como um beijo não ser a primeira coisa a se pensar.
Guardamos tudo o que usamos e fomos nos deitar, não tem muito o que ser feito por agora.