O Santuário das Almas, com seu brilho místico e ar ancestral, tornava-se o local onde os Guardiões precisavam se preparar para o inevitável confronto com Nirath. O ar dentro da caverna parecia pesado, mas ao mesmo tempo, carregado de uma força silenciosa, como se o próprio espaço estivesse ciente do que estava por vir.
“Então, por onde começamos?” Tomás perguntou, quebrando o silêncio tenso, claramente desconfortável com a ideia de enfrentar mais desafios sobrenaturais.
Roderick, que estava de costas para o g***o, inspecionando os símbolos gravados nas paredes do santuário, virou-se lentamente. Seus olhos estavam sérios, quase severos. “Vocês precisam dominar seus dons. Cada um de vocês tem uma conexão com o Coração de Aelmor, mas essa conexão é como uma semente que precisa ser cultivada.”
“Dons?” Letícia perguntou, erguendo uma sobrancelha. “Eu não senti nada como o que Caio experimentou. Só vi as criaturas, a batalha... o sangue.”
Roderick se aproximou dela, olhando-a profundamente nos olhos. “Você ainda não despertou. Mas isso vai acontecer. Cada um de vocês possui habilidades latentes, e o Coração irá revelá-las no momento certo.”
Isadora, que estava mais quieta do que o habitual, deu um passo à frente. “E se não tivermos tempo? Nirath já está se movendo, e não sabemos quanto tempo temos até ele atacar de novo.”
Roderick assentiu. “É por isso que o treinamento começa agora.”
Ele se aproximou do centro da caverna e estendeu a mão para o cristal que flutuava levemente sobre o altar. Com um gesto suave, a luz do Coração de Aelmor começou a mudar de cor, passando de um brilho dourado para um azul profundo. As paredes da caverna responderam, iluminando-se com símbolos que antes estavam invisíveis.
“Cada um de vocês irá se concentrar em liberar suas energias”, Roderick instruiu. “Deixem o Coração guiar vocês.”
O g***o se aproximou com cautela, cercando o altar. Letícia, Tomás, Isadora e Caio se entreolharam, incertos sobre o que fazer. Caio, que já havia experimentado o despertar de seu poder, sentia um misto de expectativa e medo. Ele ainda não entendia completamente o que havia dentro de si, e o que aconteceria se perdesse o controle novamente.
Letícia foi a primeira a fechar os olhos, respirando profundamente, sua postura rígida e focada. Ela era a guerreira do g***o, a mais acostumada a enfrentar desafios físicos, mas esse era um teste diferente – um desafio de controle mental e emocional.
Tomás, normalmente o mais descontraído, agora estava claramente apreensivo. Ele olhava para o Coração de Aelmor com uma mistura de ceticismo e curiosidade, como se não tivesse certeza se acreditava no que estava acontecendo.
Isadora, sempre serena, parecia estar em paz com o ambiente. Seus olhos estavam fechados, e ela respirava calmamente, como se já tivesse aceitado o destino que lhes havia sido imposto.
Então, aconteceu.
Uma energia começou a emanar de Letícia, seus cabelos balançando levemente com o vento que surgiu de lugar nenhum. Sua postura ficou ainda mais firme, como se uma força invisível estivesse a enraizando no chão. Quando ela abriu os olhos, eles brilhavam em um tom azul-claro intenso, refletindo a energia do Coração. De repente, uma lâmina de pura luz azul se materializou em sua mão direita, como uma extensão de sua própria força de v*****e.
Letícia olhou para a a**a em suas mãos, impressionada, mas também com uma determinação renovada. “Isso é... incrível.”
Tomás soltou uma risada nervosa. “Claro, Letícia ganha uma espada de luz. E eu? O que eu vou ganhar? Uma piada mágica?”
Mas antes que ele pudesse terminar a frase, o corpo de Tomás começou a brilhar levemente com uma aura laranja. Seu sorriso desapareceu e foi substituído por uma expressão de surpresa. Aos poucos, a luz laranja tomou forma ao redor de seu corpo, e ele começou a flutuar, a poucos centímetros do chão.
“Ei! Eu estou voando!” Tomás exclamou, ainda incrédulo.
Caio riu, um pouco aliviado ao ver que até mesmo em meio a tanta seriedade, Tomás conseguia manter seu senso de humor. Mas logo sua atenção se voltou para Isadora. Ela permanecia parada, com os olhos ainda fechados, mas a caverna ao redor dela começava a reagir. As pedras no chão e nas paredes vibravam levemente, como se respondessem à sua presença.
De repente, Isadora abriu os olhos, e o ar ao redor dela pareceu congelar. Uma névoa leve e brilhante emanava de seu corpo, fazendo com que o ambiente ao redor dela ficasse envolto em uma aura prateada e fria. Era uma energia calma, mas incrivelmente poderosa.
Roderick observava tudo com aprovação. “Vocês estão despertando. Esses poderes são apenas o começo. Com o treinamento, poderão moldá-los e controlá-los completamente.”
Caio, por sua vez, sentiu uma inquietação crescente. Ele já havia sentido o poder dentro de si, mas ainda não sabia como controlá-lo plenamente. Olhando para o Coração de Aelmor, ele deu um passo à frente. A luz dourada que havia surgido em sua última batalha começava a se manifestar novamente, irradiando de suas mãos e se espalhando por seu corpo.
A caverna parecia reagir de forma diferente à presença de Caio. O Coração de Aelmor pulsava com mais intensidade, como se sua conexão com ele fosse mais profunda do que com os outros. Caio se concentrou, sentindo a energia fluir, e então, com um gesto instintivo, uma onda de luz dourada emanou de suas mãos, preenchendo o espaço ao redor dele.
A luz era tão intensa que todos tiveram que cobrir os olhos por um momento. Quando a luz diminuiu, Caio estava parado no centro da caverna, ofegante, mas em controle. Ele olhou para suas mãos, percebendo que havia criado um escudo de energia dourada ao seu redor.
Roderick se aproximou dele, com um olhar de admiração. “Você tem uma conexão especial com o Coração, Caio. Mais forte do que qualquer um de nós. Isso é... incomum.”
Antes que Caio pudesse responder, uma presença sombria atravessou a caverna. O ar ficou pesado, e uma voz fria ecoou pelo espaço.
“Interessante. Tão jovens, e já tocando em poderes que não entendem.”
A figura encapuzada de Nirath apareceu à entrada da caverna, seus olhos brilhando com malícia. “Vocês acham que podem me deter? Acham que podem mudar o destino deste mundo?”
Roderick sacou sua lâmina, posicionando-se entre Nirath e os jovens Guardiões. “Fiquem para trás! Ele n******e entrar no santuário!”
Mas Nirath apenas riu, sua voz ressoando como um trovão. “O Santuário pode me manter fora, mas isso não muda nada. O tempo de Aelmor está acabando. E vocês, crianças, não estão preparados para o que está por vir.”
Caio sentiu o poder dentro de si reagir à presença de Nirath. O ódio, a dor e a angústia que havia sentido nas visões começaram a tomar conta dele. Mas, desta vez, ele não sentiu medo. Ele sabia que era mais forte do que antes.
“Você não vai vencer, Nirath,” Caio disse, sua voz firme e segura.
Nirath apenas sorriu, sombrio. “Veremos, jovem Guardião. Veremos.”
E, com isso, a sombra desapareceu, deixando o g***o em silêncio. A ameaça havia sido clara, mas também servira para firmar a determinação de todos. O treinamento teria que ser acelerado. O tempo estava contra eles.
A luta estava apenas começando.