Me posicionei atrás da Kira na merda da fila indiana que eu acho extremamente ridícula e sem lógica. Para que raios uma fila indiana? Estamos na creche?
A fila começou a andar e caminhamos pelo corredor, cada sessão indo em uma direção diferente. Olho para trás e vejo aquele chiliquento me encarando como se eu fosse um cachorro vira-lata, revirei os olhos e só ignorei.
Caminhamos até o campo de treinamento, nos mandaram ficar um ao lado do outro formando um círculo e então começaram a passar instruções.
— Uma dupla entra na roda, vão simular uma luta. Quem acabou de entrar fica, e quem já lutou duas vezes sai. E assim sucessivamente. — Uma outra carrancuda explicou. Tem uma inspetora para casa sessão.
Todos começaram a se encarar. Isso é constrangedoramente ridículo, a pessoa quer intimidar os oponentes achando que deboche é tudo. Deboche não é ter personalidade forte, imbecis. Derrota teu inimigo no deboche para ver se tu consegue.
— Chase! — Kira sussurrou desesperada.
Eu estava concentrado encarando um i*****l que cismou comigo, mas a Kira atrapalhou meu contato visual... Na verdade não, continuo o encarando e converso com ela mesmo assim.
— Berra. — Ironizei sem muita importância.
— Eu não sei nem mesmo dar um soco, o que eu faço? — Tadinha, dava para sentir o desespero no seu tom de voz.
Não tenho nada haver com isso, e ela quer que eu resolva.
— Então aprende, miniatura. — Ironizei novamente.
O i****a que estava me encarando cansou e desviou, saco de lixo.
— Que tal eu testar em você primeiro? — Kira esbravejou ao meu lado.
— Como? — Questionei confuso.
— Nada.
A carrancuda arrumou algumas pessoas do círculo. Quase não tem mulheres aqui, são tão idiotas que nem separam as mulheres para os homens s*******o não acabarem com elas. Homens são s*******o.
— Quem é o primeiro voluntário? Sem precisar que eu aponte. — A chiliquentinha gritou.
Todos se entreolharam como se estivessem analisando a cara um do outro esperando uma atitude de alguém daquela roda.
— Então está bem, vamos começar por você. — A mulher rabugenta apontou para uma moça que estava toda se tremendo como se estivesse com frio.
É por esse motivo que a inspetora escolheu ela, não se pode demonstrar medo ou insegurança.
— Mantém a pose, para de agir como uma medrosa. — Sussurrei no ouvido da Kira rápido o suficiente para que os outros não percebessem.
A Kira estufou o peito e ergueu o queixo. Eu quis rir, ela não combina nadinha com essa personalidade.
Eu ia me voluntariar, mas não vou me envolver nessa covardia por vontade própria.
— Eu vou. — O debochado se voluntariou.
Eu não fiquei surpreso, era meio óbvio que covardes como ele(imbecis que juram que são os fodões por intimidar a minoria)ia se voluntariar para lutar com essa mulher que de diferente da Kira provavelmente só tem o nome.
É óbvio que a mulher ficou assustada, e o i****a olha para ela como se ele fosse o centro do mundo.
É uma luta injusta, a mulher é valente e tem muita coragem, mas o homem é covarde demais, ele bate e puxa o cabelo dela, não tem medo de usar a força dele para dominá-la, mas ela não desiste, ela se defende de todas as formas possíveis, mas por mais que ela tente, ele é mais forte que ela e muito mais esperto, ele é capaz de dominar o corpo dela facilmente, é como se ela fosse um brinquedo frágil dentro das mãos de um homem c***l.
— Chega! — A mulher pediu, então a carrancuda levantou a mão em sinal de limitação.
O i****a soltou a mulher e ficou lá parado no meio do círculo de pessoas.
A inspetora circulou o olhar pelas pessoas alí, esperando a atitude de alguém. Encarei o i****a covarde que acha que intimidar a minoria é sinal de força, ele me encarava com aquele olhar intimidador, que pelo menos ele acha intimidador.
— Eu sou o próximo. — Me voluntariei e dei alguns passos até estar no círculo, cara a cara com ele.
Eu ia lutar agora contra um babaca escroto que não merece nem 1% do meu respeito, e eu não terei.
— Podem começar. — A rabugenta ordenou.
O homem ficou me encarando por uns segundos, rapidamente ele tentou me acertar um soco, acertei seu braço com o meu antebraço como defesa.
Ele me olhou com raiva, tentou acertar outro, então fiz a mesma coisa.
Deixei ele tentando me acertar, e desviei todas as vezes deixando ele com raiva. Eu quis rir, mas evitei e continuei focado.
Isso seu i*****l, se esforce mais e canse. Seu inútil, não era o fodão? Você não passa de um i*****l.
Ele já com raiva veio com toda fúria me dar um soco, desviei e depositei um soco com força na lateral do seu corpo. O i****a se encolheu por alguns segundos mas continuou.
Dei um soco no seu rosto e o fez cair no chão, dei outro soco e mais outro e mais outro. Até que o nariz dele sangrou e sujou minha mão.
— Chega, poupem seus punhos para as lutas clandestinas. — A inspetora ordenou que parássemos.
O babaca me olhou com os olhos cheios de ódio e então saiu.
Ficou aquele silêncio, todo mundo chutando pedras. Olhei para Kira e gesticulei com a cabeça para ela vim, mas ela balançou a cabeça gesticulando negativamente.
Para ela se sair melhor, seria ótimo se ela viesse comigo. Mas a Kira é tonta demais para raciocinar.
Gesticulei com a cabeça novamente e então ela cedeu.
Ficamos frente a frente, ela estava receosa e dava para perceber isso no olhar dela. Então tomei iniciativa.
— Tente me acertar. — Ordenei.
Kira cerrou o punho e o arremessou em direção ao meu rosto, segurei seu punho com a mão.
— Não deixe que te acertem. — Falei enquanto segurava seu punho.
Tentei acertá-la agora e ela segurou meu punho como eu havia feito. Boa menina.
— Imobilize os braços, impulsione o oponente para baixo e acerte o joelho no estômago.
Com um movimento rápido, entrelacei meus braços nos dela a deixando imóvel. Levantei meu joelho na altura do seu estômago e então encostei alí simulando um golpe sem machucá-la.
A soltei e então ela imitou.
Nos próximos minutos fizemos isso com outros diversidades de golpes, tudo lentamente para a Kira aprender alguma coisa. Nos próximos treinos essas simulações são mais rápidas, e a inspetora exige mais. Dificulta um pouco mais, como lutar em cima de troncos de árvores apoiadas no alto e por aí vai.
— Quando sentir que está no seu limite dê as batidinhas no meu braço! — Com um movimento rápido dei um mata-leão na Kira, contei 5 segundos e então ela bateu no meu braço. Estava vermelha, me senti culpado, achei que tivesse pegado pesado.
— Você está bem? — Questionei preocupado.
Ela me pegou de surpresa me dando um mata-leão também, me debati um pouco e então dei algumas batidinhas no seu braço. Kira me soltou.
— Muito bem, já está ótimo. — A inspetora se intrometeu.
— Mas eles nem lutaram, e você diz que está ótimo? — O i****a de antes resmungou.
— Eu pedi para simular uma luta, para os outros aprenderem as estratégias e aprenderem alguma coisa. Não pedi para espancar o oponente em desvantagem que nem um valentão de quinta série do fundamental, seu i****a. — A inspetora deu um fecho nele que se calou logo em seguida.
Depois da gente aprender as coisas do nosso jeito, eles ensinam da forma mais eficiente. Aqui meio que é cada um por si, "se vire aí, vou só acompanhar".
— Muito bem, a mocinha. Quem é o próximo? — A inspetora chamou.
Saí andando e deixei a Kira lá, ela me olhou toda assustada mas eu só ri comigo mesmo.
Depois de verem como realmente era para lutar, outra mulher se sentiu mais encorajada e foi lutar com a Kira.
Fiquei observando a Kira colocando em prática e ensinando para a outra menina, ela estava mais tranquila.
Depois de lutar com a outra menina, a menina ficou lá e Kira voltou para perto de mim. Estava ofegante, sorriu animada.
— Isso é tão legal. — Falou sorrindo animada.
— Depois vamos pegar prática, no caso você.
— Por que não contou que era assim que funcionava? Achei que eu fosse apanhar até fraturar as costelas de novo.
— Porque faz parte do treinamento descobrir sozinha. — Expliquei. — Como assim apanhar até fraturar as costelas novamente? — Questionei confuso.
— É uma longa história.
Depois do treino, nos levaram para tomar um banho. E então voltamos para o dormitório.
As outras sessões já estavam lá.
— Muito obrigada, Chase. Você é um bom amigo. — Kira sorriu e saiu andando mais rápido na frente.
Amigo? Somos amigos agora? Só o que me faltava.
Deitei na minha cama querendo enlouquecer por estar longe a tanto tempo no mundo lá fora. Aqui tudo é entediante.
A Kira deitou na cama do Ash com ele. Me dá raiva, me deixa incomodado o fato dele não dá muita importância. Eles não estavam tendo um lance? Então por que ele tratava ela friamente assim?
Kira beijava o rosto dele alegre enquanto sussurrava algo, Ash não dava tanta importância mas tentava demonstrar que dava.
Virei para o outro lado que era para não vê essa cena e querer quebrar a cara dele.
Por que ela ainda deixa ele tratar ela assim? Porque é i****a, ela devia mandar ele ir se f***r. Aliás eu nem devia estar perdendo meu tempo dando importância para isso, deve ser o tédio.