A Surpresa

843 Palavras
Protegido pela ignorância da maioria das criaturas que viviam, um dos três deuses antigos, observava a terra dos Youkai, algo nas emanações energéticas do local, uma energia muito intensa estava vagando por aquele local a algum tempo, fazendo com que o deus caído, Euangelion, voltasse sua atenção para aquela dimensão. Não era um dos dragões, como pensou no início, aquela energia era quase tão grande quanto a do próprio Majestic, mas ele duvidava que aquela criatura ficasse por tanto tempo numa dimensão como aquela. Havia colocado todos os seus subordinados para investigar do que se tratava aquela energia, muitos deles diziam se tratar de uma fêmea de olhos vermelhos e asas negras, um ser que nem mesmo os Youkai sabiam a procedência. Um de seus escolhidos, lhe trouxe a notícia de que aquele ser possuía poder o suficiente para dizimar um exército. Meses depois, aquele mesmo escolhido orava para acolhesse seu espírito depois da morte. Curioso, ele foi a terra dos Youkai e para seu espanto, apenas viu destruição, foi um m******e, mas não havia nem sinal daquela energia e muito menos de seu possuidor. Entretanto, naquele momento, conseguiu localizar seu paradeiro, fechou seus olhos buscando por aquela energia, vagou pela terra dos Youkai sem pressa, até que para sua surpresa, se deparou com a filha de Diamat, aquele poderoso ser estava vagando entre os Youkai, despreocupada com os perigos que lhe cercavam. Ele observou atentamente os olhos vermelhos, grandes e selvagens, que eram iguais aos de seu pai, o Rei Deus Dragão, mas sua beleza era digna de sua mãe, gemeu:       — Perfeita… Farejou no ar fazendo uma rajada de vento balançar os longos cabelos negros dela, trazendo para seu olfato o seu cheiro. Euangelion sorriu, se questionando quais os poderes que aquele ser possuía, obviamente, não era um Dragão, mas independente do que ela era, pensava em como se beneficiar de seu poder. A viu se mover incrédula na direção onde ela o estava observando, os olhos vermelhos chamavam ainda mais a atenção durante a noite, pois brilhavam como dois rubis, ouviu a voz feminina e aveludada lhe questionar: — Quem é você? Euangelion abriu e fechou a boca, chocado por alguém o tê-lo descoberto, como aquela criatura podia senti-lo? Ficou curioso e com um movimento rápido com os dedos da mão direita, materializou-se na frente dela, apenas mantendo alguns passos de distância. Maya ficou imóvel, analisando o homem que apareceu em sua frente e percebeu que não era um humano ou Youkai. Algo nele lembrava sua mãe, talvez o rosto exageradamente bonito, os dramáticos olhos azuis, os cabelos loiros e longos demais para poder ver onde terminavam. Ela ouviu a voz masculina e melodiosa dizer: — Sou o Verbo Eterno. Maya franziu as sobrancelhas, já havia ouvido aquele título, era como o de seu pai rei Deus Dragão ou como o da mãe. Aquele era um dos membros da corte, ela não se lembrava de tê-lo visto, mas havia séculos que se negava a ir até à corte, questionou apenas para sanar sua curiosidade: — Você é um dos deuses antigos? — Sim, sou Euangelion. Agora ela tinha certeza de quem estava à sua frente. Se ele a havia percebido, era apenas questão de tempo antes que o pai ou a mãe fossem atrás dela para tentar persuadi-la a retornar. Ela foi tirada de seus pensamentos ao sentir os braços de Euangelion envolverem sua cintura, o calor do corpo do deus antigo contra o seu. Ouviu a voz dele junto ao seu ouvido, sussurrando: — Se estivéssemos nas leis antigas, seria minha prometida… Maya tirou a matéria do próprio corpo, ficando apenas visível, afastou-se dos braços dele e voltou a encará-lo, disse calmamente: — Mesmo na lei antiga não era permitida união de membros da corte e caídos. Ele sorriu: — Pelo que percebi, estamos na mesma situação… — Você foi banido, eu posso voltar quando desejar… O que quer na terra dos Youkai? O rosto belo tomou uma expressão discreta de contrariedade, estendeu a mão na direção de Maya, sorriu enquanto dizia: — Vamos embora! Ela estreitou os olhos surpresa com o ego enorme do deus banido, deu um sorriso tão belo quanto malévolo, visualizou a energia do deus que tentava seduzir, segurou a mão dele. Euangelion a princípio não entendeu o que estava acontecendo, mas quando sentiu a dormência na mão que ela estava segurando, rapidamente puxou, mas não conseguiu fazer com que ela parasse de absorver sua energia. O sorriso dela ficou ainda maior, seus olhos vermelhos assumiram um brilho sinistro e o deus antigo teve certeza de que ela apenas pararia quando estivesse morto, sentiu o peito doer e não tendo outra saída, fugiu de volta ao seu reino, não sem antes a ouvir dizer: — Não volte mais a essa terra ou eu não serei tão gentil. Sentou-se em seu trono, ainda ofegante pela falta da energia que Maya havia consumido, rosnou admitindo que a faria ter um destino ainda pior que o dragão que prendia, ele iria fazê-la desejar ter aceitado seu convite pacificamente.
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