O jantar estava delicioso. Quando pensei que poderia ir embora, minha mãe me interrompeu com um sorriso. — Pedro, ainda temos a sobremesa — disse ela, sorrindo — um manjar de vinho. Era a sobremesa preferida do meu pai. Ela fazia questão de prepará-la todas as vezes que eu vinha jantar com ela, como se me obrigasse a lembrar que eu tinha que aceitar aquele homem. Não o aceitava, pelas inúmeras vezes que pedi para ir atrás do assassino da minha irmã e ele negava, pelas inúmeras vezes que neguei ajudá-lo com aquele mercado nojento de tráfico humano e por ele sempre me ameaçar, dizendo que eu só acabaria com o império dele por cima do seu cadáver. Quanta ironia. Agora ele estava dentro de um pote de cerâmica, pois fez questão de ser cremado, só para que ninguém pudesse pisar sobre o seu tú

