- Boa noite! Digo passando pelo porteiro. Hoje Loiuse e eu vamos a uma nova boate, onde ela disse que se tornou sócia e iria encontrar alguém também. Ela não me revelou muito, mas espero que tudo dê certo para ela. Ela merece. Vou subindo para seu andar. Chego no corredor e vejo que a porta dela está meio aberta. Talvez o porteiro avisou a ela que eu estava subindo. Fui abrindo a porta devagar. Loiuse. Chamei por ela assim que adentrei seu apto. Loiuse. Vamos, se não vamos nos atrasar. Grito e ela não responde. Vejo uma foto nossa no aparador da sala. Essa foto é nova. Tiramos na semana passada em Londres, depois de mais uma das nossas viagens. Loiuse? Vamos. Pedi adentrando mais o apto. Passei pelo corredor e a porta da outra sala estava aberta, porém essa porta nunca fica aberta. Loiuse não gosta de mostrar essa sala para ninguém. É algo íntimo. Ela só me mostrou essa sala porque confiava demais em mim. Loiuse? Entrei na sala e me desesperei ao olhar para o chão. Meu Deus, não. Loiuse... Loiuse...
Acordo depois de mais um pesadelo. É sempre assim, desde o dia que fui preso, eu não paro de sonhar com o corpo de Loiuse estirado sem vida no chão. a imagem dela sempre me atormenta e o pior que fui condenado pela morte dela, sendo que não fiz. Eu seria incapaz de matá-la, na verdade seria incapaz de matar qualquer pessoa. Porém eu fui burro demais para...
- Visita, Campbell. Um dos agentes fala batendo na cela e eu suspiro em desagrado. Eu já estava preso a três meses. Faltava três meses para concluir minha condenação que era a morte. Se eu estava triste? Sim. Nunca pensei que esse seria meu fim, porém ninguém acredita em mim. Nem todo dinheiro do mundo foi capaz de trazer os advogados para meu lado e eles fazerem algo que pudesse me tirar dessa situação que me meti. Todos dizem para eu confessar. Cada advogado que entrou aqui para me " defender", queriam a minha confissão para que eles pudessem tentar uma pena de prisão perpétua. Porém, jamais vou me confessar de algo que não fiz. Eu não matei Loiuse. Nunca faria tal coisa e não é eles que vão me convencer a falar essa mentira descabida.
Me levanto desanimado. Eu não queria ver ninguém, e até sabia quem estava me esperando lá fora. A única que tem vindo aqui durante esses três meses, a única que me apoiou durante todo o processo. Ela acreditou em mim fielmente, e está lutando para me livrar daqui, mas eu não tenho esperança mais. Sei que daqui três meses minha vida será somente um nada nesse mundo.
O agente prende meus pés e mãos e assim vou andando lentamente. Todos aqui sabem quem eu sou, todos sabem o que supostamente eu fiz, e me olham da pior forma possível. Acredito que o pensamento deles é " O que um empresário do meu nível , do meu porte fez da merda da vida matando uma mulher". Eu fico mais trancado na minha cela, porque não quero conviver com nenhuma dessas pessoas. O pouco tempo que estou aqui, quero morrer sem nenhum contato. Chego na sala de visita e ela já se joga para meus braços. E como sou considerado um homem perigoso, as algemas não podem ser retiradas.
- Você está cada dia mais magro. Sarah fala e eu sorrio fraco. Me sento logo após ela se sentar.
- Já te pedir várias vezes para não vir mais aqui. Esse lugar não é para você. Digo lembrando que desde o primeiro dia que entrei aqui, eu pedi a ela que não viesse.
- Esse lugar também não é para você. Estou buscando outro advogado que olhe para seu caso. Reviro meus olhos.
- Não perca tempo com isso, Sarah. Eu não quero mais falar com nenhum advogado. Estou cansado. Já me resignei a morrer daqui três meses. Digo sendo sincero. Eu desistir de mim mesmo, e não quero que ela gaste tempo da vida dela para buscar alguém que vai me dizer a mesma coisa
-- Você pode ter desistido de você, mas eu não. Eu vou lutar até o último momento. Eu quero provar a sua inocência e te tirar desse lugar.
- Sarah, eu agradeço muito pelo seu esforço, porém eu não quero te fazer sofrer mais. Eu não vejo como eu poderei me livrar daqui com esses advogados de merda. Eu quero que você faça a sua viagem como iria fazer antes disso acontecer. Quero que você tenha lembranças boas de mim, porque eu te amo muito e infelizmente fui vítima de um erro meu. Falo limpando minhas lágrimas.
- Eu não vou abrir mão de você. Eu não vou desistir de você. Eu também te amo muito para desistir de você no momento que mais precisa de mim. Ela fala chorando.
- Eu só queria que papai e mamãe viesse antes do meu fim. Eles precisam me ouvir. Digo lamentando que meus pais me viraram as costas. Eles não foram na delegacia, nem no julgamento e nem muito menos compareceram aqui. Você entregou a minha carta a eles? Escrevi quatro cartas para eles nesses três meses e não tive resposta de nenhuma.
- Sim, mas eles não leram. Sinto muito. Respiro fundo.
- Eles pensam o pior de mim. E eu não os culpo. Sair de casa cedo, montei a minha empresa e mesmo com toda antipatia deles com meu jeito, eles ainda tinham consideração comigo, porém eles não falam comigo desde o ocorrido. Eu só queria vê-los e falar com eles uma última vez. Pedir perdão pelo meu jeito e meu comportamento com eles. Agradecê-los pela vida que eles me deram.
- Eu voltarei a falar com eles. Sarah fala e eu balanço a cabeça em negação.
- Não, não precisa. Deixa as coisas como estão. as vezes é melhor deixar as coisas como estão. Eles já me condenaram sem nem me ouvir e então não tem o porque atormentá-los com um filho revoltado e que está prestes a morrer. Falo sentindo todo peso das minhas palavras.
- Você quer que traga alguma coisa para você? Balanço a cabeça em negação.
- Fora um advogado para eu fazer meu testamento, mais nada. Peça a Mary para providenciar isso. Ela pode te ajudar.
- Eu não vou fazer isso. Você vai sair desse sentença absurda. Eu vou conseguir um advogado que esteja disposto a olhar melhor os fatos deste caso.]
- Não adianta, Sarah. Eu não quero ver mais nenhum advogado. Fora o advogado para cuidar do meu testamento.
- Última tentativa. Prometo que eu vou buscar certo e direito agora. Ela fala e eu sorrio.
- Você é a melhor irmã que eu poderia ter. Não sei o que faria sem você. Mas não desista de você, eu não tenho mais chance de algo nesse mundo. Minha vida está com os dias contado.
- Não vou me dar por vencida. Vou lutar pela sua liberdade até o último momento. Não digo mais nada, porque ela é teimosa. Ficamos conversando mais até o horário de visita acabar. Voltei para minha cela e me deitei novamente na cama depois do agente retirar as algemas. Fecho meus olhos lembrando o quanto eu era feliz ao meu modo.
Eu estava muito feliz depois de ter montado a minha empresa. Me dediquei anos para chegar aos vinte e oito anos e parar de me preocupar. Foi aí que conheci Loiuse. Uma socialite muito famosa e rica. Dava as melhores festas e era divertida e animada. Éramos carne e unha. Tínhamos uma parceria enorme. Nos tornamos cúmplices um do outro, e nada nos abalava. Tinha toda a consideração do mundo com ela. E nesses dois anos estampamos várias capas de jornais e revistas, sem nos preocupar com os rótulos que a sociedade estavam dando para nós. Não nos preocupamos com nenhuma fofoca da nossa vida e nem nada, e isso era bom para Loiuse. na verdade eu mais servia de ajuda para ela do que tudo. E foi por isso que me desesperei ao vê-la caída no chão. Foi por isso que...
- Campbell, o banho de sol foi liberado para você hoje. O agente fala e eu nem abro os olhos. na verdade nem me movo. Eu não saio da minha cela pra nada, a não ser para receber Sarah.
- Obrigado, mas não vou. Digo sem abrir os olhos.
- Você não come, não sai dessa cela. Não conversar com ninguém. Ele fala e eu suspiro.
- Isso é importante para uma pessoa que está no corredor da morte? Indago desgostoso. Eu não preciso comer, não preciso de amigos e nem muito menos quero conversar com ninguém sobre a minha triste decadência. De um homem rico e bem sucedido a fichado pela polícia como bandido perigoso. Era demais para minha mente.
- Você pode ouvir uma palavra amiga. Sempre tem pessoas de coração bom que vem ao presídio ouvir vocês e dar um pouco de alento.
- Obrigado pela dica ou ajuda, mas eu não quero nada. Só quero ficar aqui quieto.
- Tudo bem, eu vou deixá-lo, mas se mudar de ideia. Ele vai e eu deixo uma lagrima cair. meu coração dói por não está lá fora sendo eu. Meu coração dói por me ver nessa situação, só não me sinto mais sozinho porque Mia vem me ver, mesmo eu não querendo. Eu estou perdido em minha própria escuridão. Estou sozinho para morrer de uma forma que nunca pensei que aconteceria. Limpo minhas lágrimas. Um vazio me toma e eu sei que ficarei assim por dias, ou até minha irmã volta.