Suas mãos suavam, e ele as apertava em punhos sobre o colo, os dedos trêmulos revelando a tensão que dominava seu corpo. Os lábios estavam presos entre os dentes desde o minuto em que sentou naquele lugar, tentando, inutilmente, conter o desconforto que latejava em cada centímetro do seu corpo.
A sala de aula parecia girar ao seu redor. Os sons de conversas e risadas dos outros alunos se misturavam em um zumbido distante que parecia ecoar dentro de sua cabeça. Luís mantinha os olhos fixos na superfície arranhada de sua carteira, tentando evitar qualquer contato visual, tentando se fazer pequeno, invisível.
Cada respiração era um esforço monumental. Seu corpo inteiro parecia pulsar em agonia, e a dor era insuportável. Luís queria apenas correr para casa, deitar em sua cama e fechar os olhos até que tudo desaparecesse.
Sua bochecha ainda ardia, uma lembrança c***l das mãos de Eduardo, e seu corpo doía tanto que sentar havia sido um ato de extrema coragem. Cada movimento era uma tortura. Eduardo não usara lubrificante, nem o preparara. Ele nunca é gentil, mas quando estava com raiva, Eduardo parecia perder qualquer resquício de humanidade.
Luís engoliu em seco, forçando-se a manter os olhos abertos, mesmo que suas pálpebras pesassem toneladas. Ele sentia um nó na garganta, um nó tão apertado que tornava a simples tarefa de respirar quase impossível.
— Luís? — a voz do professor chamou, e ele se sobressaltou levemente. — Está tudo bem?
— S-sim, senhor… — murmurou rapidamente, sem levantar o rosto.
O professor hesitou por um segundo, mas voltou a se concentrar na lição. Luís agradeceu silenciosamente. Ele não queria atenção. Não queria que ninguém o olhasse, não queria que ninguém perguntasse nada.
O sinal para o fim da aula parecia um horizonte distante, inalcançável. Cada segundo se arrastava, cada palavra do professor soava abafada e distante. Quando finalmente o sinal tocou, Luís quase soltou um soluço de alívio.
Os outros alunos começaram a se levantar, as cadeiras arrastando-se pelo chão, as vozes elevando-se enquanto as pessoas começavam a sair. Luís permaneceu sentado por alguns segundos, o olhar fixo nas próprias mãos trêmulas. Ele precisava se levantar, precisava sair dali.
Com cuidado, ele começou a recolher suas coisas. Seus movimentos eram lentos, calculados, cada músculo gritando em protesto. Quando finalmente se levantou, uma onda de dor subiu por sua coluna, fazendo suas pernas fraquejarem. Ele se segurou na carteira ao lado, fechando os olhos com força e respirando fundo.
Engolindo o choro que ameaçava transbordar, ele começou a caminhar para fora da sala, passos curtos e cuidadosos, como se estivesse pisando em vidro quebrado. O corredor parecia interminável, e cada segundo era uma eternidade.
— Luís… — uma voz suave chamou atrás dele.
Ele se virou rapidamente, o coração quase saindo pela boca, os olhos automaticamente escaneando o ambiente à procura de Eduardo. Quando Luís não o avistou no corredor, ele olhou para a pessoa que o chamou. Era Alex, que estava parado com uma expressão preocupada no rosto.
Alex era alto, de ombros largos, e seu rosto carregava uma expressão sincera de preocupação que quase fez Luís desabar ali mesmo. Era tão raro ver alguém olhar para ele daquela forma que parecia errado.
— Sou eu — Alex disse baixo, levantando as mãos em um gesto de paz. — Não se mexa.
Luís franziu o cenho, confuso. Ele sentiu as mãos suarem ainda mais, os joelhos quase cedendo sob o peso de seu corpo frágil e exausto.
Alex deu um passo para frente, aproximando-se com cuidado, como se tivesse medo de assustá-lo. Sua voz saiu baixa, quase um sussurro:
— Olha, não quero te deixar desconfortável, mas… tem sangue na sua calça. Vou te dar meu casaco, você pode amarrar na cintura, tudo bem?
Os olhos de Luís se arregalaram, o rosto corando imediatamente de vergonha. Ele abaixou a cabeça, sentindo o peso daquela humilhação esmagar seus ombros. Sua respiração ficou presa na garganta, e ele mordeu o lábio com força, tentando não deixar as lágrimas caírem.
— O-obrigado… — murmurou quase inaudível, enquanto Alex tirava o casaco e entregava a ele.
Com dedos trêmulos, Luís amarrou o casaco ao redor da cintura, tentando ignorar o olhar preocupado de Alex. Ele podia sentir o olhar dele queimando em sua pele, como se Alex soubesse mais do que estava dizendo.
Por um momento, eles ficaram em silêncio. O corredor estava quase vazio agora, e apenas alguns ecos distantes de vozes podiam ser ouvidos.
— Luís… — Alex chamou novamente, com a voz gentil. — Não sei o que está acontecendo, mas… talvez seja melhor você ir à um hospital. Isso pode ser sério.
Luís balançou a cabeça rapidamente, sua voz falhando quando tentou responder:
— E-eu vou…
Seu olhar continuava fixo no chão, os ombros curvados como se ele carregasse o peso do mundo sobre eles.
— Tudo bem. Se cuida, tá bom? — Alex colocou uma mão leve no ombro de Luís antes de se afastar.
Quando Alex desapareceu pelo corredor, Luís ficou parado ali por alguns segundos, tentando controlar a respiração. Seu corpo tremia, e ele podia sentir as lágrimas ardendo nos olhos.
Ele queria desaparecer, ser engolido pelo chão e nunca mais ser visto por ninguém.
As lágrimas ameaçavam cair, mas ele as segurou com força.
O mundo ao seu redor parecia continuar girando normalmente. Mas dentro dele, tudo estava desmoronando.
Luís ficou parado ali por alguns segundos, tentando controlar a respiração. Ele queria desaparecer, ser engolido pelo chão e nunca mais ser visto por ninguém. As lágrimas ameaçavam cair, mas ele as segurou com força.
Atravessando o corredor, ele manteve os olhos baixos, os passos cuidadosos. Ele sabia que qualquer pessoa mais atenta perceberia que havia algo errado, e ele não queria, de forma alguma, mais olhares sobre si. Felizmente, o mundo parecia ocupado demais para prestar atenção nele.
Quando finalmente chegou ao estacionamento, Luís encostou-se ao carro de Eduardo, os ombros caídos e a cabeça baixa. O vento frio soprava, e ele abraçou o próprio corpo, tentando se aquecer.
Eduardo chegou alguns minutos depois, os passos confiantes e o rosto inexpressivo. Ele destravou as portas do carro sem dizer uma palavra, entrou e esperou que Luís fizesse o mesmo. Luís entrou com cuidado, cada movimento calculado para evitar mais dor.
O silêncio dentro do carro era pesado, sufocante.
— O que Alex queria? — A voz de Eduardo cortou o silêncio como uma faca afiada.
Luís arregalou os olhos, o coração disparando novamente. Como Eduardo sabia? Ele tinha certeza de que Eduardo não os tinha visto conversando.
— E-ele só avisou que tinha sangue na minha calça… e me deu o casaco dele para cobrir… — explicou com a voz fraca, os olhos fixos nos próprios dedos, que tremiam levemente sobre o colo.
Eduardo bufou, batendo com força no volante, fazendo Luís estremecer.
— É por isso que eu digo pra você se limpar direito, p***a! — rosnou, a voz carregada de raiva.
Luís encolheu os ombros e abraçou o próprio corpo, tentando conter os tremores que dominavam cada fibra de seu ser. Sua mente estava um caos, imagens de punições passadas invadindo seus pensamentos como um pesadelo incessante.
— D-desculpa… — murmurou, a voz embargada.
Eduardo não respondeu. Seus olhos estavam fixos na estrada enquanto ele dirigia com velocidade e agressividade. O silêncio voltou, mas dessa vez, era ainda mais pesado.
De repente, Eduardo fez uma curva brusca e parou o carro no acostamento, os pneus cantando contra o asfalto. Ele tirou o cinto de Luís de forma bruta, abriu a porta do carro e rosnou:
— Sai.
Luís olhou para ele, confuso.
— O q…
— Sai do carro, p***a! — Eduardo gritou, os olhos cheios de fúria.
— Ma-mas Eduardo, ainda falta muito pra chegarmos em casa… — tentou argumentar, a voz trêmula.
— Não me interessa! Você já me irritou demais por hoje. Cada vez que eu olho pra você, tenho vontade de socar sua cara. Então, se você não quiser chegar em casa desfigurado, sai agora, Luís!
Os olhos de Luís se encheram de lágrimas, mas ele obedeceu. Saiu do carro com pressa, fechando a porta com cuidado. Antes que pudesse dizer mais alguma coisa, Eduardo acelerou e desapareceu na estrada, deixando apenas poeira e o som distante do motor.
Luís ficou ali, parado no acostamento. O vento frio cortava sua pele, e suas mãos tremiam tanto que ele m*l conseguia se mover. As lágrimas finalmente caíram, grossas e pesadas, escorrendo por seu rosto sem que ele pudesse contê-las.
Suas pernas cederam, e ele caiu de joelhos no chão áspero. O casaco de Alex ainda estava amarrado em sua cintura, e ele agarrou o tecido com força, como se pudesse se proteger da dor esmagadora que sentia no peito.
Ele chorou. Chorou até que sua visão ficasse embaçada, até que sua garganta doesse, até que não houvesse mais lágrimas para derramar. Naquele momento, naquele lugar deserto, Luís permitiu-se desmoronar por completo.
Ele estava sozinho.
Tão quebrado que parecia impossível juntar os cacos novamente.