Capítulo 5

1632 Palavras
— Eduardo, entenda de uma vez, sua mãe é uma viciada! Nós nos separamos porque ela escolheu as drogas! — Não! O senhor a abandonou no momento em que ela mais precisava de você! E pior ainda, a mandou para aquela clínica de merda! A voz de Eduardo ecoou pelo escritório carregada de raiva e mágoa. Ele estava de pé, com os punhos cerrados, o corpo inteiro tremendo enquanto enfrentava Daniel. — Eu a ajudei! — Daniel rebateu, sua voz firme. — Você a traiu! A trocou por aqueles dois! — Eduardo cuspiu as palavras, quase como se fossem veneno. — Você destruiu a vida dela. Preferiu se perder na ilusão de uma nova família a enfrentar os próprios erros. Minha mãe não precisava daquela clínica, ela precisava de você! O silêncio que se seguiu era quase palpável. Daniel massageou as têmporas, sentindo uma dor de cabeça latejar. Ele estava cansado dessa conversa, cansado da culpa constante que Eduardo fazia questão de jogar sobre seus ombros. — Nosso casamento já tinha acabado há muito tempo. — Daniel retrucou, sua voz mais baixa, mas carregada de exaustão. — Sua mãe… ela não era mais a mulher que conhecíamos, Eduardo. Você não imagina o quanto eu tentei ajudá-la. No começo, eram apenas pequenos deslizes, mas depois… ela não estava mais ali. Não realmente. Os olhos de Edward ficaram com raiva, mas Daniel continuou, sua voz mais baixa, como se cada palavra fosse dolorosa de ser dita. — Quando eu tentava lhe convencer a procurar ajuda por conta própria ela se descontrolava, falava que não precisava de mim ou de você, que já estava muito bem acompanhada com… — Ele parou, a voz falhando por um instante. — as drogas. — Você a tornou desse jeito! — Edward apontou o dedo no pai. — Ela começou a usar drogas porque se sentia sozinha, pois você havia lhe abandonado! — Eu nunca a abandonei. — Daniel puxou o cabelo em frustração. — Eu amava muito a sua mãe. — Daniel disse com pesar. Eduardo apertou o punho. — Se você a amasse, você não teria se aproveitado do estado frágil dela para me afastar dela. Nem a tratado como se ela nunca tivesse significado nada para você. Daniel negou com a cabeça. — A clínica não foi uma punição, foi uma tentativa desesperada de salvá-la. Eduardo voltou o olhar ainda mais raivoso pro pai. — Eu nunca vou perdoar você. E ponha isso na sua cabeça: eles nunca serão minha família. Nunca. E você está morto para mim. — Tudo bem, Eduardo. Você pode me culpar o quanto quiser, me odiar pelo resto da sua vida, mas deixa o Luís fora disso. Não desconta a raiva que você sente por mim nele. Ele não tem culpa de nada, entendeu? Pare de maltratá-lo. Daniel estava com muita raiva e indignação depois de ver Eduardo empurrar Luís por estar em seu “caminho” quando ia pro banheiro, o garoto pediu desculpas tremendo e saiu do caminho, ficando envergonhado ao ver Daniel. Ao comando do pai, Eduardo abriu um sorriso torto, carregado de desprezo e deboche. — Edward, você entendeu? — repetiu. Mas Eduardo apenas virou as costas. — Eduardo! — Daniel gritou, perdendo o controle momentaneamente. O garoto saiu do escritório sem dizer nada. Daniel soltou um suspiro pesado, passando as mãos pelo rosto. Sua respiração estava irregular, e ele se deixou cair de volta na cadeira de couro. — Querido… — Samanta chamou, parada na porta. Seu rosto estava contorcido de preocupação, os olhos escuros refletindo a angústia do marido. Daniel estendeu a mão para ela, e Samanta se aproximou, segurando os dedos trêmulos dele com cuidado. — Eu não sei mais o que fazer com ele, Sam. Juro que tento, tento mesmo, mas nada parece funcionar. Talvez seja melhor mandá-lo para fora do país. — Não. — Samanta respondeu com firmeza, segurando o rosto de Daniel entre as mãos. — Se você fizer isso, aí que ele nunca vai te perdoar. Ele vai achar que eu convenci você a se livrar dele. E, além disso, você o estaria afastando de vez da mãe dele. Daniel desviou o olhar, seus olhos fixos na janela do escritório, onde as luzes fracas da cidade brilhavam no horizonte. — Mas então, o que eu faço, Sam? Parece que a cada dia que passa a raiva dele aumenta. E sinto que, cada vez que ele visita aquela mulher, multiplica ainda mais. — Daniel torceu o nariz. — Vamos dar tempo a ele, querido. Daqui a pouco ele completa a maioridade e, talvez, com mais maturidade, ele consiga enxergar as coisas de outra forma. — Me incomoda o jeito como ele trata você e Luís. Principalmente o Luís. O garoto sequer consegue olhar para ele nos olhos. Ele treme apenas com a presença de Eduardo. Isso não é normal. Samanta suspirou, acariciando o rosto do marido suavemente. — Você está exagerando. Luís nunca reclamou de algo que Eduardo tenha feito com ele. Sim, ele tem medo, mas Eduardo nunca o machucou fisicamente. E, talvez, isso signifique algo. Talvez ainda exista alguma chance de os dois se entenderem um dia. Daniel assentiu fracamente e puxou a esposa para um abraço apertado. Ambos ficaram ali, no silêncio do escritório, cada um perdido em seus próprios pensamentos e preocupações. A noite se arrastou até que, finalmente, Daniel e Samanta se recolheram aos seus quartos. Quando o silêncio noturno se instalou por completo, ele se moveu. Seus passos eram lentos e precisos enquanto avançava pelo corredor m*l iluminado. Ele parou diante da porta de Luís por um momento, os dedos pairando sobre a maçaneta, antes de girá-la lentamente. O ranger suave da porta fez Luís se remexer na cama, mas ele não acordou completamente até sentir o peso de uma mão firme envolvendo seu pescoço. Seu corpo reagiu antes mesmo que sua mente entendesse o que estava acontecendo. Seus olhos se arregalaram, e o pânico atravessou seu peito. — Ed-Eduardo…? — A voz de Luís saiu como um sussurro entrecortado, sufocado pelo aperto firme em sua garganta. Eduardo não respondeu de imediato. Seu rosto estava próximo o suficiente para que Luís pudesse sentir sua respiração quente e irregular. Seus olhos, porém, eram como duas poças de vazio absoluto. — Eu deveria apenas matar você, mas aí não teria graça, não é? — Eduardo sussurrou, com uma calma gélida que parecia deslocada naquele momento. — Eu vou te torturar tanto maninho, que você mesmo vai querer tirar a própria vida. O corpo de Luís tremeu. Ele tentou falar, mas a pressão contra seu pescoço reduziu suas palavras a pequenos sons trêmulos. Seu peito subia e descia em desespero, o coração batendo tão rápido que parecia prestes a explodir. — O que… o que eu fiz? — ele conseguiu sussurrar, os olhos marejados e o corpo tremendo sob o peso do medo. A mente do garoto estava acelerada perguntando-se o que havia feito de errado para que o cacheado ficasse tão irritado. Eduardo não respondeu. Seus dedos se soltaram do pescoço de Luís apenas para se enroscar bruscamente em seus cabelos, puxando-o para cima com força. Luís engasgou com o movimento, lágrimas involuntárias escorreram por seu rosto enquanto ele era forçado a se mover contra sua vontade. Luís teve seu corpo forçado a ficar de quatro. — Ed-Eduardo…— Luís gemeu de dor quando Eduardo apertou com força sua nuca. Suas mãos se fechavam em volta dele o fazendo perder o ar. — Se eu escutar a sua voz, eu vou fazer você ficar sem ela pelo resto da tua vida…— A voz de Eduardo sussurrou com frieza. Luís apertou as mãos em punhos, já sabendo o que iria acontecer. Não havia para onde correr, nunca havia. Ele fechou os olhos com força, tentando afastar-se mentalmente do que estava prestes a acontecer. Quando Eduardo puxou para baixo seu pijama e se posicionou atrás de si, Luís sentiu o pênis dele roçando na sua b***a e com isso seu corpo se arrepiou de medo. Ele rapidamente mordeu os lábios, logo em seguida sentiu o seu canal ser invadido sem cerimônia. O grito ficou preso na garganta de Luís. Sua testa estava franzida dolorosamente. As lágrimas caiam em silêncio. Quando o quadril de Eduardo começou a bater bruscamente contra sua b***a, Luís tossiu, prendendo o ar. Estava doendo muito. Luís apertou ainda mais os punhos, sentindo-os dormentes. As estocadas de Eduardo estavam mais brutas e violentas que o normal. Então Luís sabia que alguma coisa o havia irritado e ele estava descontando nele. Era algo que ele havia feito? Mas ele tinha a certeza de que havia sido cuidadoso, Eduardo nem passou o dia em casa. A mente de Luís divagava. Uma parte de sua consciência se desligou, como um interruptor sendo pressionado, enquanto sua respiração se tornou um som distante em seus próprios ouvidos. Luís fazia isso para fugir da realidade e parar de sentir. Era assim que ele aguentava. O tempo se estendeu de forma c***l, e a tortura parecia não ter fim. Luís perdeu o ar por alguns segundos quando sentiu o pênis de Eduardo inchar e as estocadas se tornarem mais violentas. Em contrapartida, segundos depois o líquido viscoso foi derramado dentro dele. Eduardo se afastou. Ele ajustou a própria roupa, o rosto vazio de qualquer emoção, antes de se virar para sair sem pronunciar uma palavra. A porta se fechou, e então veio o silêncio. Aquele vazio foi rapidamente preenchido pelos soluços de Luís. Deitado sobre os lençóis amarrotados, seu corpo tremia, não pelo frio, mas pelo terror que ainda queimava sob sua pele. Sua respiração saía em pequenos soluços. A noite seguiu seu curso, mas para Luís, o tempo havia parado ali, naquele instante congelado entre o terror e o silêncio.
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