CORVO Eu podia sentir a tensão no ar. Cada palavra de Isa era como um golpe, um peso em minha cabeça, em meu peito. Eu sabia que ela estava magoada, que tudo o que eu fiz — tudo o que eu sou — era uma razão suficiente para ela me odiar. Mas havia algo em mim, algo que eu não conseguia controlar. Ela me pediu para sair, e, por mais que a raiva se formasse em meu estômago, eu não podia resistir. Eu estava ali, parado, observando-a. O olhar dela me queimava, uma mistura de dor e raiva que eu sabia ser minha culpa. Ela não entendia, nunca entenderia. Não era para ela entender. A verdade era que eu não sabia o que eu estava fazendo. Não sabia por que estava ali. Não sabia por que algo dentro de mim não podia deixá-la se afogar naquele abismo. Algo me puxava para ela, como uma corrente, e eu

