capítulo 22

2028 Palavras

ISABEL Sentei no chão encostada na parede dos becos. As pernas ainda tremiam. O gosto metálico do tapa e da mordida ainda na boca, o sangue secando no canto dos lábios, misturado com poeira e vergonha. Eu devia estar feliz por ter “passado”, né? Mas tudo que eu sentia era nojo. Raiva. Um cansaço que não vinha só do corpo — vinha da alma. Do tipo que não se cura com banho, nem com tempo. O tipo que te queima por dentro. Ele me jogou ali como se eu fosse descartável. Como se minha dor fosse só parte do processo. Um detalhe. Um obstáculo necessário. Teste. Ele chamou aquilo de teste. Passei a mão no rosto. A bochecha ardia. O coração também. O Corvo não me salvou. Ele me assistiu afundar. Assistiu aquele rato encostar em mim, passar a mão como se eu fosse carne de abate, e não fez nad

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