capítulo 27

2151 Palavras

CORVO Ela me empurrou. Outra vez. A mão dela sangrando, os olhos cheios de fúria, o corpo tremendo entre o orgulho e a dor. E ainda assim, ela me empurrou. Por um instante, só um instante, pensei em deixá-la ali. Sozinha. Deixá-la se quebrar inteira. Mas o sangue... o sangue me irritava. Me lembrava do que ela ainda não entende: que esse lugar não perdoa fraqueza. Que qualquer gota vermelha aqui chama urubu. Dei dois passos pra frente. CORVO — (frio, baixo) Fica parada. Deixa eu ver essa p***a dessa mão. Ela recuou. Um passo arrastado, os pés raspando no chão sujo. Tentava manter o que restava da dignidade, mas era só um bicho acuado. E quando bateu com as costas na parede, me olhando como se eu fosse um monstro... alguma coisa apertou aqui dentro. Mas eu não parei. CORVO — (com

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