CORVO A chuva ainda caía, escorrendo pelo meu rosto, misturando-se ao gosto amargo do que eu havia feito — do que eu ainda era. Mas, quando ela gritou meu nome... Leonardo. Aquela palavra me atravessou como um tiro. Não era o Corvo que ela chamava. Não era o nome que o morro temia. Era o homem que ela um dia conheceu, o homem que, mesmo afogado em erros, ainda existia dentro de mim. Quando senti o peso do corpo dela se jogando nos meus braços, a única coisa que pude fazer foi segurá-la como se minha vida dependesse disso — e, de certa forma, dependia. Meu peito queimava, não só pela dor do que confessei, mas pelo medo real de que aquele fosse o último toque, o último gesto de alguém que eu havia perdido muito antes de perceber. O beijo dela me desmontou. Ali, no meio da tempestade, com

