O salão estava iluminado por uma chuva de cristais. Lustres imensos pendiam do teto, refletindo a luz suave como se estivessem capturando segredos. As pessoas, vestidas em seda e orgulho, dançavam em volta de suas próprias mentiras, rindo com copos de champanhe na mão.
Ao lado de Christian, eu me sentia uma marionete vestida de vermelho. Cada olhar pousava em mim como uma lâmina quente. Alguns invejosos. Outros, curiosos. Alguns, abertamente desejosos.
Ele segurava minha mão com uma firmeza que beirava a posse. Seus dedos longos, firmes, prendiam os meus como correntes invisíveis. Cada vez que alguém se aproximava, Christian fazia questão de deslizar o polegar sobre minha pele nua, uma carícia discreta e brutal ao mesmo tempo.
— Pare de tremer.
Ele murmurou perto do meu ouvido, a voz baixa, mas carregada de uma autoridade que me desmontava por dentro.
— Eu não estou...
Comecei a mentir, mas parei quando senti seu olhar queimando o meu perfil.
Ele riu, um som baixo e íntimo, que me arrepiou da cabeça aos pés.
— Não minta para mim, Stella.
Seus lábios roçaram a lateral da minha mandíbula, tão próximos que meu corpo inteiro implorou por mais.
— Sua pele me conta tudo o que sua boca tenta esconder.
A música mudou para uma melodia lenta, quase melancólica. O anfitrião do evento subiu ao palco para agradecer os convidados. Christian aproveitou a pausa para me puxar pela cintura.
— Dance comigo.
— O quê?
Olhei assustada, meu coração martelando.
— Dance.
Repetiu, já me arrastando para o centro do salão.
O toque dele era firme. Quando me envolveu nos braços, senti a dureza do peito contra meus s***s, a pressão da mão em minhas costas nuas, guiando meus passos.
— Você está tensa.
Comentou, aproximando o rosto do meu, os lábios a centímetros dos meus.
— Você me deixa assim. —
Respondi num sussurro, incapaz de fingir.
Christian ergueu uma sobrancelha, o canto da boca se curvando num meio sorriso perigoso.
— Então imagine como vai se sentir quando eu finalmente resolver te beijar.
Minha respiração falhou. O corpo inteiro latejou, minhas pernas ameaçaram ceder. Ele percebeu. Segurou minha cintura com mais força, como se quisesse me manter de pé apenas para prolongar a tortura.
Rodopiamos sob os olhares atentos. Eu me sentia exposta, mas ao mesmo tempo, inexplicavelmente viva. Nunca um toque me consumiu tanto. Nunca um silêncio falou tão alto.
— Você está se saindo bem.
Ele disse, a voz suave, mas os olhos ardiam como chamas.
— Todos acreditam que é minha.
— Talvez porque eu esteja mesmo.
As palavras escaparam antes que eu pudesse contê-las.
Christian congelou. Seus olhos mergulharam nos meus, tão intensos que senti como se estivesse caindo em um abismo.
— Repete.
Ele exigiu, a mão subindo lentamente pelas minhas costas, até tocar a nuca.
— Eu...
Minha voz falhou, mas ele não deixou espaço para hesitação.
— Diga.
Ordenou, a respiração dele se misturando à minha.
— Talvez porque eu já seja sua.
Sussurrei, minha confissão se transformando em uma lâmina que cortava o ar entre nós.
Os olhos dele se dilataram. Por um instante, pensei que ele fosse me beijar ali, no meio de todos. Mas Christian não era homem de se entregar facilmente. Em vez disso, deslizou a mão para minha nuca, segurando com força, me forçando a manter o olhar.
— Você não tem ideia do que está dizendo.
Murmurou, a voz carregada de algo primal.
— Mas vai aprender.
De repente, ele me soltou, deixando meus braços vazios. Eu me senti arrancada de um transe, perdida, implorando em silêncio.
Christian se virou para um garçom, pegou duas taças de champanhe e entregou uma para mim. O líquido borbulhava, refletindo a luz como uma pequena tempestade.
— Beba.
Ordenou, os olhos ainda fixos nos meus.
Levei a taça aos lábios com a mão trêmula. O champanhe desceu queimando, mas não tanto quanto o olhar dele sobre mim.
Ele bebeu a dele em um único gole. Então, inclinou-se novamente, o rosto tão perto que eu podia sentir o calor.
— Quando sairmos daqui, temos uma condição a discutir.
Falou baixo, quase um sussurro.
— Uma que não estava no contrato.
Minha mente girou. Uma nova condição? Como se não bastasse todo o caos que ele já havia criado em mim?
— O que você quer?
Perguntei, a voz saindo mais como um gemido do que uma pergunta.
O sorriso dele foi lento, perigoso.
— Quero uma entrega completa.
Ele murmurou, as palavras deslizando sobre minha pele como um toque íntimo.
— Não apenas de corpo. Mas da sua mente. Da sua lealdade. Da sua vida a minha mercê.
Senti um calor violentamente doce subir pelas minhas coxas, se alojar no centro do meu corpo.
— Isso não estava no contrato.
Sibilei, a boca seca.
— Por isso, chamei de condição inesperada.
Ele aproximou os lábios dos meus, quase roçando, me prendendo entre o desejo e a negação.
— Eu não quero apenas fingir que você é minha. Quero que você seja.
O mundo pareceu desaparecer. As vozes ao redor viraram ruído distante. Tudo que existia era o som do meu coração batendo contra o peito, o calor pulsando onde eu mais o queria.
Christian se afastou, entregando a taça vazia a um garçom que passou. Então, segurou minha mão novamente, puxando-me com uma força possessiva, como se o salão inteiro fosse apenas uma encenação para o nosso teatro privado.
Saímos do salão sob uma chuva de olhares. Alguns invejosos, outros confusos, mas todos incapazes de ignorar o magnetismo brutal que nos envolvia.
No carro, o silêncio era tão denso que parecia vibrar. Eu sentia o perfume dele impregnando o ar, um misto de madeira, tabaco e algo puramente masculino que me deixava tonta.
— Christian…
Tentei falar, mas ele me interrompeu, levantando a mão.
— Quieta.
Ordenou, sem me olhar.
— Já falou demais hoje.
A raiva subiu como um incêndio. Eu não era do tipo que se calava facilmente. Mas naquele instante, percebi que a briga era inútil. Ele me conduzia com uma força invisível, uma fome que eu não entendia e talvez, no fundo, não quisesse entender.
O carro parou em frente ao hotel. Um manobrista abriu a porta. Christian saiu primeiro, depois estendeu a mão para mim.
Quando toquei os dedos dele, o choque foi imediato, elétrico, quase doloroso.
Subimos no elevador em silêncio. A porta se fechou. Foi ali que senti o ar rarefazer, a eletricidade se condensar ao ponto de explodir.
Ele se virou para mim, os olhos ardendo como brasas.
— Tire o vestido.
Ordenou, a voz baixa, grave, carregada de um poder que não deixava espaço para recusa.
Meu coração bateu tão forte que doeu.
— Aqui?
Engasguei.
Ele deu um passo à frente, aproximando o rosto do meu, as mãos escorregando pela lateral do meu corpo.
— Aqui.
Repetiu, o tom carregado de pura promessa.
— Quero ver você despir cada mentira, pedaço por pedaço.
Meus dedos tremiam enquanto subiam para o zíper. Ele me observava com uma intensidade tão crua que senti lágrimas pinicarem nos olhos.
Quando o tecido caiu no chão, senti o frio do aço contra a pele nua. Meu corpo inteiro vibrou, vulnerável e ao mesmo tempo faminto.
Christian não se moveu. Apenas me devorava com os olhos, a respiração pesada.
— Perfeita.
Murmurou, antes de passar a língua pelos lábios, como se saboreasse a visão.
Naquele instante, entendi que a condição inesperada não era apenas sobre obediência ou posse. Era sobre me despir completamente e não apenas da roupa, mas de qualquer defesa, qualquer medo, qualquer pedaço do meu eu antigo.
Ali, nua, diante dele, percebi que já não havia volta.
Eu não era mais apenas a secretária ousada. Eu era o jogo.
E ele…
Ele era a única regra.