A casa de Isabela estava quieta demais para a confusão que ela carregava por dentro. Ela entrou, deixou a bolsa cair sobre a cadeira e foi direto para a cozinha, como se o movimento pudesse organizar algo que já tinha saído do eixo. Acendeu a luz, abriu a geladeira, pegou ingredientes sem pensar muito. Precisava ocupar as mãos. Precisava manter o corpo em movimento para não voltar — pela milésima vez — para a sensação de Arthur sobre ela. O som da faca cortando a cebola ecoava no ambiente pequeno. Ritmado. Controlado. Diferente do que ela sentia por dentro. O cheiro da comida subindo trouxe uma normalidade falsa, quase c***l. Ela mexeu a panela com mais força do que o necessário, os ombros tensos, o corpo ainda sensível demais para um dia que já tinha acabado. Cada gesto simples vinha
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